A Inter de Milão ainda não considera seu elenco totalmente pronto para a nova temporada, mas Cristian Chivu garante que não existe motivo para pânico. Às vésperas do amistoso contra a Juventus, o treinador romeno falou sobre os primeiros trabalhos da equipe na pré-temporada, avaliou o mercado da bola e reconheceu que algumas peças planejadas pela diretoria ainda não chegaram.
A imagem usada por Chivu resume bem o momento da Inter: um quebra-cabeça quase montado, mas ainda com algumas peças espalhadas pela mesa. O treinador sabe que existe trabalho pela frente, mas também demonstra confiança na base que já tem em mãos.
“Falta alguma peça, faltam algumas semanas para nos apresentarmos na primeira rodada do campeonato com a melhor versão possível”, explicou Chivu, destacando que o principal objetivo neste momento é chegar ao início da temporada em boas condições físicas e táticas.
E, nesse aspecto, o treinador tem motivos para comemorar.
Inter chega saudável na reta final da preparação
Chivu avaliou de maneira positiva o trabalho realizado pela Inter durante a turnê de pré-temporada. Embora ainda exista muito a ajustar, principalmente porque os jogadores não estão no auge físico, o técnico considera importante o fato de o elenco ter passado pelos primeiros compromissos sem grandes problemas físicos.
Para ele, essa é uma das principais notícias positivas até agora.
“Temos tido poucos problemas do ponto de vista físico. Neste momento, essa é a coisa mais estimulante e estamos felizes por isso”, afirmou.
A declaração mostra uma preocupação bastante comum durante a pré-temporada. O objetivo não é necessariamente apresentar um futebol brilhante em julho ou agosto, mas construir gradualmente a condição necessária para que o time esteja preparado quando os jogos oficiais realmente começarem.
É justamente por isso que Chivu não espera que a Inter esteja voando contra a Juventus. O treinador sabe que as pernas ainda pesam e que o time está em processo de construção.
O torcedor pode até querer ver um futebol de Champions League em amistoso, mas o corpo dos jogadores aparentemente ainda está pedindo um pouco de paciência.
Juventus será mais um teste na preparação
O duelo contra a Juventus será encarado por Chivu como mais uma oportunidade para observar o desenvolvimento da equipe. O treinador deixou claro que não pretende tratar a partida como uma decisão, mas reconhece a importância de enfrentar um adversário desse nível durante a preparação.
A ideia é avaliar o nível físico dos jogadores e observar a aplicação de alguns princípios de jogo.
“Queremos ver um bom nível de condição, alguns princípios, mesmo que as pernas não estejam brilhantes e não funcionem em pleno regime”, explicou.
Ou seja, o resultado não é a principal preocupação.
Chivu quer enxergar comportamentos. Como a equipe reage quando perde a bola? Como constrói as jogadas? Como ocupa os espaços? Como os jogadores recém-integrados ao grupo entendem aquilo que o treinador está pedindo?
Essas respostas são muito mais importantes neste estágio do calendário do que uma vitória em um amistoso.
A partida também terá um componente especial pela presença de Luciano Spalletti, com quem Chivu deverá se encontrar e se cumprimentar antes do confronto.
Inter sabe que será o time a ser batido
Quando questionado sobre os principais candidatos ao título italiano, Chivu preferiu não fazer uma lista detalhada. Para o treinador, existem os adversários de sempre, aqueles que querem dificultar a vida do atual campeão.
Mas existe uma diferença importante: a Inter é o time a ser batido.
“São sempre os mesmos, que querem dar trabalho aos atuais campeões da Itália. Nós somos aqueles a serem batidos”, afirmou.
A declaração carrega uma responsabilidade importante para o elenco. Depois de conquistar o campeonato, a Inter entra na temporada com um alvo nas costas. Os adversários terão ainda mais motivação para enfrentar a equipe, e Chivu precisará preparar seus jogadores para lidar com esse cenário.
O treinador também sabe que o título passado não garante absolutamente nada no novo campeonato.
A Inter terá de começar tudo novamente, com novos desafios, mudanças no elenco e adversários determinados a impedir que o clube repita o sucesso.
Mercado da bola ainda não terminou
É justamente nesse ponto que entra a principal preocupação de Chivu.
A Inter ainda quer reforçar o elenco. O treinador foi bastante direto ao afirmar que a diretoria precisa elevar o nível do grupo, principalmente com jogadores capazes de entrar em um elenco que já possui uma identidade consolidada.
“Estamos tranquilos desde o início, somos conscientes do valor do elenco. Precisamos elevar o nível, de jogadores que saibam estar em um grupo já coeso, que fez grandes coisas”, explicou.
A mensagem é clara: não basta contratar por contratar.
Chivu quer jogadores que tenham qualidade suficiente para melhorar a equipe e, ao mesmo tempo, experiência para entender rapidamente o ambiente de um elenco vencedor.
Esse equilíbrio nem sempre é simples de encontrar.
Inter já tinha escolhido reforços para a direita
Um dos pontos mais interessantes da declaração de Chivu foi a confirmação de que a Inter já havia tomado decisões sobre os reforços para o lado direito. Segundo o treinador, as escolhas já tinham sido feitas, mas as negociações não avançaram.
“Fizemos as escolhas, mas houve situações diferentes pelas quais elas não se concretizaram”, explicou.
A fala indica que o problema não foi falta de planejamento. A diretoria identificou os jogadores que gostaria de contratar, mas encontrou obstáculos durante as negociações.
Isso ajuda a explicar por que o mercado da bola da Inter ainda não está fechado.
Em vez de sair desesperadamente atrás de qualquer alternativa, o clube parece disposto a esperar pela oportunidade correta. Chivu reforçou que não existe um prazo estabelecido internamente para completar o elenco.
“Não nos demos um prazo”
Essa talvez seja a principal mensagem do treinador.
A Inter não quer transformar o mercado em uma corrida contra o relógio. Chivu entende que algumas negociações simplesmente não acontecem, e que insistir em uma contratação apenas para cumprir uma meta pode ser ainda mais prejudicial.
“Não nos demos um tempo, sabemos que é preciso ter paciência”, afirmou.
A postura também coloca bastante responsabilidade sobre os diretores esportivos do clube. Chivu deixou claro que confia no trabalho da direção e pretende deixar os responsáveis pelo mercado conduzirem as negociações.
“Deixamos nossos diretores esportivos trabalharem”, disse.
É uma maneira elegante de dizer que o treinador sabe quais são suas necessidades, mas não pretende interferir diretamente em cada negociação.
Objetivo é completar o quebra-cabeça
A metáfora do quebra-cabeça voltou a aparecer quando Chivu explicou o que espera das próximas semanas.
Para o treinador, o elenco atual já possui uma base forte. O problema é que algumas peças ainda estão faltando para que a equipe chegue ao nível desejado.
“Faremos o nosso melhor para completar um puzzle que, neste momento, ainda não está completo”, resumiu.
E as peças que chegarem precisam oferecer algo além de qualidade técnica. Chivu citou especificamente dois atributos: nível superior e experiência.
Isso revela bastante sobre o perfil de reforço procurado pela Inter. O clube não quer apenas jovens com potencial ou jogadores que possam ocupar espaço no elenco. A intenção é encontrar atletas capazes de elevar imediatamente a competitividade do grupo.
A missão é delicada porque a Inter já possui um elenco acostumado a vencer. Um novo jogador precisa entrar em um ambiente com hierarquia, cobrança e expectativas altas sem comprometer a harmonia construída nos últimos anos.
Chivu mantém a calma antes do início da temporada
A Inter ainda não está pronta, e o próprio Chivu não esconde isso. Mas existe uma diferença enorme entre reconhecer que faltam peças e entrar em desespero por causa disso.
O treinador parece estar no primeiro grupo. A preparação física evolui sem grandes problemas, a base do elenco continua forte, o planejamento para o mercado já identificou algumas prioridades e a diretoria ainda tem semanas para concluir as negociações.
O maior desafio será transformar esse elenco em uma equipe capaz de defender o título italiano e competir novamente em alto nível.
A partida contra a Juventus será mais um capítulo desse processo. Não servirá para responder todas as perguntas, mas poderá oferecer algumas pistas sobre o que Chivu pretende construir.
Enquanto isso, o mercado continua aberto e a Inter segue procurando as peças que faltam.
O quebra-cabeça ainda não está completo. Mas, para Chivu, não há motivo para jogar as peças pela janela. O treinador prefere esperar, trabalhar e confiar que as últimas partes chegarão no momento certo.
Foto: Getty Images


