O Barcelona está disposto para realizar um esforço financeiro para conseguir a contratação de Rodri, por conta da postura inflexível demonstrada inicialmente pelo Manchester City. O volante espanhol, eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de 2026, se consolidou como o principal alvo do técnico Hansi Flick. O comandante alemão enxerga no jogador a solução para uma vulnerabilidade que acompanha o clube catalão nas últimas temporadas, que é a desproteção do setor defensivo nos confrontos contra as grandes equipes europeias.
A diretoria do Barcelona articula uma segunda tentativa de proposta que pode superar a barreira dos 60 milhões de euros (cerca de R$ 358 milhões). Caso concretizado, o valor irá transformar o Rodri no atleta acima dos 30 anos mais caro da história do clube da Catalunha.
A primeira oferta apresentada foi rejeitada pelo Manchester City por ser considerada distante da avaliação de mercado do espanhol, com os dirigentes dos Citizens sinalizando que a liberação só irá acontecer diante do pagamento de um valor condizente.
A engenharia financeira do Barcelona
O impasse na negociação guarda relação direta com o momento contratual de Rodri, que entra no seu último ano de vínculo no Etihad Stadium. O volante, que quer voltar ao seu país, indicou preferência por uma transferência para o Camp Nou, embora o Real Madrid também tenha sondado a sua situação nas semanas anteriores. O Manchester City prioriza a renovação contratual do Rodri, mas adotou a postura de não reter o jogador contra a sua vontade caso ele manifeste o desejo formal de sair.
A negociação expõe a realidade financeira delicada que o Barcelona atravessa nos últimos anos, onde qualquer proposta superior a 50 milhões de euros (cerca de R$ 299 milhões) exige um esforço orçamentário considerável. Ainda assim, a diretoria do Barcelona avalia que a postura do Manchester City é uma estratégia natural de barganha, mantendo o otimismo de que o acordo será acertado antes do fechamento da janela de transferências.
Um recorde para o clube
Ao ultrapassar a marca de 60 milhões de euros (cerca de R$ 358 milhões), Rodri ultrapassaria o recorde na contratação por Pjanic, vindo da Juventus em 2020, na cotação atual, além de todas as incertezas na negociação do bósnio. Aquela transferência ficou marcada por contornos complexos para selarem o acordo, acontecendo em meio aos cálculos financeiros que envolveram a ida do brasileiro Arthur para a equipe de Turim. Essa negociação cruzada foi alvo de apurações promovidas pelas autoridades italianas durante as investigações sobre as contas da Juventus, sob a suspeita de mascarar déficits na pandemia.
Diferente da contratação de Pjanic, a tentativa de trazer Rodri seria em uma compra direta e sem troca de jogadores, dando total transparência na negociação.
O paralelo com a contratação de Robert Lewandowski
Outro parâmetro de investimento em veteranos na história recente do Barcelona é Robert Lewandowski, tirado do Bayern de Munique em 2022 por 52 milhões de euros (cerca de R$ 310 milhões). O centroavante polonês, que completou 34 anos logo após a sua chegada, entregou retorno imediato dentro de campo, somando 120 gols em quatro temporadas com a camisa dos Culés.
Diferente do impacto quantitativo de Lewandowski, medido diretamente por números de artilharia, a contribuição que se espera de Rodri está atrelada totalmente ao sistema e comando do ritmo de jogo. O volante atua no equilíbrio tático da equipe, escalado diretamente para corrigir as oscilações defensivas apresentadas pelo Barcelona nos momentos de maior exigência da temporada.
A urgência defensiva no modelo de Hansi Flick
A busca de Hansi Flick por um volante de alto nível pode ser entendida pelos números defensivos registrados na última edição da UEFA Champions League. Mesmo buscando ter uma marcação forte sob o modelo do treinador alemão, o Barcelona não conseguiu terminar uma partida sem sofrer gols ao longo dos 12 jogos disputados no torneio.
A performance de Rodri na seleção da Espanha amplia o contraste. Atuando como titular na seleção da Espanha na Copa do Mundo de 2026, o volante liderou um sistema que sofreu apenas um gol em toda a campanha do título.
Outro ponto a favor da contratação, é que a chegada do meio-campo ao Barcelona não demandaria tanto tempo para adaptação, visto que o grupo já conta com outros oito atletas que integraram o elenco da seleção espanhola na Copa do Mundo.
Agora, resta saber se o Manchester City irá aceitar a proposta. Entre o dinheiro que o Barcelona promete colocar na mesa e a vontade do jogador em voltar para a Espanha, a sensação em Camp Nou é de que a proposta de 60 milhões de euros é irrecusável. Se o acordo for fechado, o Barcelona terá a expectativa de acertar a principal carência do elenco.
Créditos da foto de capa: Carl Recine / Getty Images