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Barcelona busca novo Araujo e aposta em fórmula que já deu resultado; entenda

O Barcelona já começou a procurar seu próximo Ronald Araujo. Com o zagueiro uruguaio emprestado ao Liverpool para a temporada 2026/27, o clube catalão voltou suas atenções para um mercado que já rendeu uma de suas contratações mais interessantes nos últimos anos: a América do Sul.

A saída de Araujo para o Liverpool, em um acordo que prevê o pagamento integral de seus salários e uma opção de compra na casa dos €55 milhões, encerra temporariamente um ciclo que começou de maneira bastante diferente. Em 2018, o Barcelona desembolsou inicialmente apenas €1,7 milhão para contratar o então jovem defensor do Boston River.

O restante da história é conhecido. Araujo cresceu dentro do clube, ganhou espaço no time principal, tornou-se titular e chegou a receber a braçadeira de capitão. Independentemente do desgaste dos últimos anos, a operação foi um enorme acerto da área de scouting do Barça.

E é justamente essa fórmula que o clube pretende repetir.

Barcelona quer encontrar talento antes dos gigantes

O Barcelona sabe que dificilmente conseguirá competir financeiramente com os clubes mais ricos da Europa em todas as disputas por grandes promessas. Por isso, a estratégia passa por tentar chegar antes.

Sob o comando do chefe de scouting Joao Amaral, o clube vem procurando jovens jogadores na América do Sul que ainda não tenham atingido um valor de mercado proibitivo. A ideia é identificar talentos que possam ser contratados por menos de €3 milhões e desenvolver esses atletas dentro da própria estrutura do clube.

É uma estratégia que combina necessidade financeira com uma característica histórica do Barcelona: apostar em jovens.

Em vez de esperar que um jogador esteja pronto para atuar no futebol europeu e pagar dezenas de milhões por ele, o Barça tenta antecipar o movimento. A lógica é simples: quanto mais cedo o clube encontrar o talento, menor tende a ser o investimento inicial.

Mas também existe um detalhe importante: o risco é maior.

Contratar um jovem por €2 milhões pode parecer uma aposta tranquila para um gigante europeu, mas o desenvolvimento de um jogador nunca é uma ciência exata. Lesões, adaptação, pressão, evolução física e até mudanças de treinador podem alterar completamente uma trajetória.

Araujo é justamente o exemplo de como a estratégia pode funcionar quando tudo se encaixa.

Araujo virou modelo de negócio

Quando o Barcelona contratou Araujo em 2018, ninguém poderia garantir que o uruguaio se tornaria um dos principais defensores do clube.

Ele precisou passar por um processo de desenvolvimento até chegar ao nível exigido pelo time principal. Aos poucos, ganhou espaço, assumiu protagonismo e terminou transformado em um ativo esportivo e financeiro de enorme valor.

O mais interessante é que o investimento inicial foi relativamente pequeno.

Por cerca de €1,7 milhão, o Barcelona conseguiu um jogador que chegou à equipe principal, tornou-se titular, capitão e, anos depois, pode render uma quantia muito superior caso o Liverpool exerça a opção de compra.

Ou seja, mesmo que a passagem de Araujo pelo Barcelona tenha terminado em um ponto menos positivo do que o esperado, financeiramente o negócio continua sendo bastante relevante.

É exatamente esse tipo de operação que o departamento de scouting pretende repetir.

Só existe um pequeno problema: encontrar outro Araujo não é tão fácil quanto procurar no mapa por “novo Araujo”.

Barcelona já possui novos investimentos

A estratégia não está apenas no papel. Nos últimos meses, o Barcelona já realizou movimentos que seguem esse modelo.

Um deles é Patricio Pacifico, lateral-direito uruguaio que continua ligado ao Barça Atlètic após ter seu empréstimo prolongado. O jogador, porém, enfrenta um obstáculo importante em seu desenvolvimento depois de sofrer uma lesão de longa duração no joelho.

Outro nome é Josue Caicedo, lateral-esquerdo equatoriano contratado por empréstimo junto à LDU Quito, com opção de compra.

Os dois são exemplos claros da estratégia atual: jogadores jovens, vindos do futebol sul-americano e contratados pensando muito mais no futuro do que em uma solução imediata para o time principal.

Não existe garantia de que qualquer um deles chegará ao Camp Nou como titular. E esse é justamente o ponto que precisa ser levado em consideração quando o Barcelona compara esses investimentos com Araujo.

Próximo grande alvo pode estar no Palmeiras

O Barcelona também continua acompanhando alguns dos principais talentos do futebol sul-americano.

Um dos nomes citados é Eduardo Conceição, atacante de apenas 16 anos ligado ao Palmeiras. O jogador aparece entre os jovens que despertam interesse do clube catalão, embora ainda não exista uma investida concreta.

O interesse faz sentido dentro da nova estratégia.

O Palmeiras se tornou uma das principais referências no desenvolvimento de jovens jogadores no futebol brasileiro e sul-americano, enquanto o Barcelona busca cada vez mais identificar atletas antes que eles alcancem valores gigantescos no mercado europeu.

Mas o Barça parece disposto a manter os pés no chão.

O clube não pretende entrar em qualquer disputa simplesmente porque um jogador é considerado uma grande promessa. As condições financeiras da operação precisam fazer sentido. E essa talvez seja a maior mudança de mentalidade.

Nem todo novo Araujo vai dar certo

Existe uma tentação natural de olhar para o caso de Araujo e pensar que o Barcelona descobriu uma fórmula mágica. Não descobriu.

O sucesso do uruguaio é justamente uma exceção que mostra como esse tipo de investimento pode funcionar quando o jogador evolui acima das expectativas. Para cada Araujo que chega ao topo, existem diversos jovens que não conseguem repetir o mesmo caminho.

Por isso, a estratégia precisa ser baseada em volume.

O Barcelona não precisa necessariamente encontrar um novo Araujo em cada janela. Precisa aumentar as chances de encontrar jogadores capazes de chegar ao primeiro time. Se dez jovens forem contratados e um ou dois se transformarem em titulares, o investimento pode acabar sendo excelente.

Além disso, o clube reduz a necessidade de buscar jogadores prontos no mercado europeu.

Essa é uma vantagem especialmente importante para um Barcelona que continua precisando controlar seus gastos e encontrar maneiras criativas de montar um elenco competitivo.

Barcelona tenta voltar a se antecipar ao mercado

A busca pelo próximo Araujo representa mais do que a tentativa de encontrar um bom zagueiro. É uma mudança de postura no mercado.

O Barcelona quer identificar talentos antes que eles se tornem estrelas e, consequentemente, antes que seus preços explodam. A América do Sul aparece como um dos principais mercados para isso, especialmente pela enorme quantidade de jovens que ainda podem ser desenvolvidos.

O caminho, entretanto, será longo.

Pacifico e Caicedo ainda precisam provar que podem chegar ao time principal. Eduardo Conceição é apenas um nome observado. E mesmo jogadores que impressionam nas categorias de base podem encontrar dificuldades quando precisam enfrentar o futebol profissional.

Araujo mostrou que vale a pena tentar.

Agora, o Barcelona precisa repetir o processo sem cair na armadilha de procurar uma cópia exata do uruguaio. O próximo grande talento pode ser um zagueiro, um lateral ou até um atacante. O importante é encontrá-lo antes dos concorrentes.

Se a estratégia funcionar novamente, o clube poderá transformar pequenos investimentos em grandes ativos. E, em tempos de mercado inflacionado, descobrir um jogador por poucos milhões antes que ele vire uma estrela pode ser quase tão valioso quanto fazer um grande gol nos acréscimos.

Foto: David Ramos/Getty Images