Khvicha Kvaratskhelia está de volta ao Paris Saint-Germain em um momento que pode ser decisivo para sua temporada. Depois de ficar fora da Copa do Mundo de 2026 com a Geórgia, o atacante terá pela frente a oportunidade de recuperar os holofotes justamente no primeiro grande compromisso europeu da nova temporada: a Supercopa da UEFA contra o Aston Villa.
Aos 25 anos, Kvaratskhelia chega ao duelo com um argumento bastante forte para reivindicar novamente o posto de protagonista. Na última edição da Champions League, o georgiano foi eleito o melhor jogador da competição, sendo peça fundamental para o domínio do PSG na Europa.
Enquanto nomes como Ousmane Dembélé, Vitinha e Désiré Doué receberam grande parte dos prêmios e do reconhecimento após a conquista continental, foi a chegada de Kvaratskhelia que ajudou a transformar o PSG em uma equipe ainda mais agressiva. Agora, com a nova temporada começando, ele terá a chance de lembrar ao futebol europeu por que seu nome precisa estar entre os melhores do mundo.
Kvaratskhelia mudou o PSG
Quando Kvaratskhelia chegou ao PSG, em janeiro de 2025, o clube já tinha um elenco recheado de talento. O problema era fazer todas aquelas peças funcionarem juntas.
A equipe de Luis Enrique vinha apresentando dificuldades em determinados momentos da Champions League e parecia precisar de algo diferente para dar o salto definitivo. A contratação do georgiano acabou sendo esse ingrediente.
Kvaratskhelia não chegou simplesmente para marcar gols ou produzir jogadas individuais. Sua intensidade ajudou a mudar o comportamento do setor ofensivo do PSG. O atacante passou a pressionar os adversários, atacar espaços e participar da recuperação da bola, tornando o time ainda mais sufocante.
E existe um detalhe interessante: sua característica de partir para cima dos defensores não desapareceu nesse processo.
Kvaratskhelia continuou sendo aquele jogador capaz de receber aberto pela esquerda, encarar o lateral, mudar de direção duas ou três vezes e transformar uma situação aparentemente normal em uma oportunidade de gol. Só que agora fazia isso dentro de um sistema coletivo muito mais ajustado.
Foi uma combinação que funcionou muito bem.
Aston Villa sabe o tamanho do problema
Se existe um adversário que conhece bem o impacto de Kvaratskhelia, esse adversário é o Aston Villa.
Na campanha da Champions League de 2024/25, os dois times se enfrentaram nas quartas de final. E o georgiano foi protagonista em um dos momentos mais marcantes daquele confronto.
Na partida de ida, Kvaratskhelia colocou Axel Disasi em uma situação desconfortável com uma sequência de dribles que resumiu perfeitamente seu estilo. Não é apenas velocidade ou força física. Existe uma imprevisibilidade difícil de encontrar em jogadores do mais alto nível.
O Aston Villa também sabe que o problema não termina nos dribles.
Na reta decisiva da última Champions League, ninguém marcou mais gols do que Kvaratskhelia a partir dos playoffs. O georgiano também terminou como o jogador com mais assistências em jogadas de bola rolando no período.
Ou seja, ele não foi apenas um jogador plástico. Foi também extremamente produtivo. E é justamente essa combinação que faz dele uma peça tão importante para o PSG.
“Kvaradona” já provou seu valor
Antes de virar estrela em Paris, Kvaratskhelia já havia construído uma história bastante improvável no Napoli.
O atacante foi um dos grandes responsáveis pelo título italiano conquistado pelo clube em 2022/23, encerrando uma espera de décadas e ajudando a equipe a conquistar o Scudetto novamente.
A comparação com Diego Maradona apareceu naturalmente.
Daí surgiu o apelido “Kvaradona”.
Pode parecer exagerado comparar qualquer jogador com o maior ídolo da história do Napoli, mas o georgiano rapidamente criou uma relação especial com a torcida. Sua maneira de jogar, baseada em improviso, dribles e coragem para enfrentar defensores, fazia com que cada partida tivesse potencial para produzir alguma coisa diferente.
E esse é justamente um dos fatores que tornam Kvaratskhelia tão interessante. Ele não parece ter sido moldado pela mesma linha de produção de muitos craques modernos.
Talento que nasceu na rua
A trajetória de Kvaratskhelia ajuda a explicar parte dessa personalidade.
O atacante foi formado em um ambiente muito diferente daquele encontrado em algumas das principais academias europeias. Na Geórgia, o futebol de rua teve papel importante em seu desenvolvimento.
Xisco Muñoz, que trabalhou no futebol georgiano, já explicou que esse contexto exige contato físico, improvisação e capacidade de resolver situações sem depender de instruções muito específicas.
É uma escola diferente.
Em vez de receber a bola e executar automaticamente o movimento treinado, Kvaratskhelia aprendeu desde cedo a observar o adversário, criar soluções e confiar no próprio instinto.
Leonid Slutsky, seu treinador no Rubin Kazan, chegou a definir seu pensamento dentro de campo como “anormal”, justamente por fazer coisas que outros jogadores não costumavam tentar. E talvez seja essa a melhor descrição.
Kvaratskhelia não joga como se tivesse recebido o mesmo manual de instruções que todo mundo.
Ausência da Copa pode ter ajudado
A Geórgia não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo de 2026. Para a seleção, obviamente, foi uma enorme frustração. Para Kvaratskhelia, porém, a situação pode ter produzido um efeito inesperado.
Nos últimos anos, o atacante teve uma sequência pesada de compromissos.
Ele conduziu a Geórgia até a Euro 2024, disputou competições de clubes em alto nível e também participou do Mundial de Clubes. A temporada passada ainda terminou com a campanha histórica do PSG na Champions League.
Agora, pela primeira vez em algum tempo, ele teve a oportunidade de descansar durante o torneio mais importante do futebol de seleções.
Existe um lado negativo: ficar fora da Copa pode prejudicar sua candidatura a grandes prêmios individuais. Afinal, jogadores como Kylian Mbappé e Harry Kane tiveram a oportunidade de brilhar no torneio, enquanto vários campeões mundiais espanhóis também ganharam força na disputa. Mas existe outro lado.
Kvaratskhelia chega à nova temporada com o corpo mais descansado. E, para um jogador cujo estilo exige tanta explosão, mudança de direção e intensidade, isso pode fazer uma diferença enorme.
Supercopa pode recolocar Kvaratskhelia no debate
O jogo contra o Aston Villa, portanto, representa mais do que a primeira taça europeia da temporada.
É uma oportunidade de Kvaratskhelia voltar a ocupar o espaço que deixou temporariamente vazio. Enquanto outros craques estavam brilhando na Copa do Mundo, o georgiano acompanhava tudo de fora. Agora, o cenário muda completamente.
Ele volta justamente defendendo o título da Champions League e como o jogador eleito o melhor da última edição da competição.
O PSG quer continuar dominando a Europa. E Kvaratskhelia pode ser novamente uma das principais armas de Luis Enrique para isso.
A concorrência pelo protagonismo, claro, será pesada. Dembélé ganhou a Bola de Ouro após sua temporada espetacular, enquanto Vitinha e Désiré Doué também terminaram a campanha em alta. Mas Kvaratskhelia possui algo diferente. Ele pode ser o jogador que quebra o roteiro, que simplesmente vai contra o esperado.
Quando o PSG encontra uma defesa fechada, é o georgiano quem pode receber a bola no lado esquerdo e tentar algo que ninguém estava esperando. Quando a equipe precisa pressionar, ele também está disposto a correr. Quando aparece um espaço, sua capacidade de condução transforma poucos metros em uma chance real de gol.
Essa versatilidade é parte importante de seu valor.
PSG começa nova temporada com uma arma ainda mais descansada
A Supercopa da UEFA será apenas o primeiro teste, mas pode oferecer uma prévia importante do que esperar de Kvaratskhelia.
O georgiano já deixou de ser uma promessa. Também não é mais simplesmente o jogador talentoso que surgiu no Napoli.
Agora, ele é uma das principais referências do melhor time da Europa na temporada passada. E existe uma ironia interessante nisso tudo: justamente no ano em que Kvaratskhelia ficou fora da Copa do Mundo, ele pode começar a temporada com uma vantagem física sobre vários de seus principais concorrentes.
Se conseguir manter o nível apresentado na última Champions League, o atacante terá motivos de sobra para voltar a aparecer nas discussões sobre os melhores jogadores do planeta.
A Copa do Mundo teve seus grandes protagonistas. Mbappé, Kane e os campeões espanhóis ganharam seus momentos.
Agora é a vez de Kvaratskhelia tentar recuperar o dele. E se o PSG continuar jogando no ritmo da última temporada, talvez seja bom para os adversários lembrar de uma coisa: deixar o georgiano com espaço pela esquerda pode ser uma péssima ideia.
Foto: Getty Images



