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Por que o Internacional acertou no diagnóstico ao buscar Eliasson e Sanabria?

O Internacional não precisava apenas de mais jogadores para o setor ofensivo. Precisava de características diferentes. Em uma temporada marcada pela dificuldade para transformar posse de bola, circulação e presença territorial em oportunidades realmente perigosas, o Colorado acertou ao olhar para o mercado não apenas pela quantidade de gols ou pelo peso dos nomes, mas pelo tipo de problema que precisava solucionar. É justamente nesse ponto que as chegadas de Antonio Sanabria e Niclas Eliasson fazem sentido.

As duas contratações não são idênticas, e talvez essa seja justamente a principal virtude do movimento do Inter. Enquanto Eliasson oferece amplitude, velocidade e capacidade de desequilibrar individualmente pelos lados, Sanabria apresenta um perfil mais associativo e físico para ocupar a referência ofensiva. São jogadores que podem aumentar a qualidade do ataque por caminhos diferentes, mas que também podem potencializar um ao outro.

Eliasson para devolver ao Inter o desequilíbrio pelos lados

Durante boa parte da temporada, um dos problemas do Internacional esteve na dificuldade de quebrar linhas defensivas sem depender exclusivamente de combinações por dentro. Quando o adversário consegue proteger a região central, a equipe precisa de jogadores capazes de criar uma situação de superioridade individual nas laterais.

É exatamente aí que Eliasson se encaixa. O sueco não chega necessariamente para ser o jogador responsável por organizar o ataque. Sua função pode ser muito mais simples, e, justamente por isso, extremamente valiosa: receber aberto, atacar o lateral, acelerar a jogada e obrigar a defesa adversária a tomar decisões.

Um ponta que ameaça constantemente no um contra um modifica a estrutura defensiva adversária. Se o lateral sai para pressioná-lo, abre espaço nas costas. Se permanece mais recuado, Eliasson ganha metros para conduzir. Se um volante se aproxima para fazer a cobertura, alguém fica livre por dentro.

O drible, portanto, não precisa terminar em uma assistência para ser produtivo. Ele pode ser o início de toda a jogada. Essa é uma característica que pode beneficiar especialmente jogadores como Alan Patrick. Ao ter alguém capaz de produzir desequilíbrio por fora, o meia pode receber em condições diferentes, encontrando espaços entre as linhas em vez de precisar constantemente voltar para buscar a bola e iniciar a construção.

Eliasson pode fazer o Inter atacar melhor simplesmente por fazer o adversário defender de maneira diferente.

Sanabria resolve outro problema: quem ocupa a área?

Se Eliasson está relacionado à criação do desequilíbrio, Sanabria aparece como uma resposta para um problema complementar: o que acontece depois que o Inter consegue criar vantagem?

Não adianta construir uma jogada pelos lados se não houver presença suficiente dentro da área. O paraguaio não chega necessariamente com o perfil do centroavante que precisa tocar na bola a todo momento. Sua importância pode estar justamente em oferecer uma referência para a última linha, disputar fisicamente com os zagueiros, atacar cruzamentos e permitir que os jogadores que vêm de trás tenham mais liberdade.

Isso também pode modificar o comportamento dos demais atacantes. Um centroavante capaz de prender os zagueiros cria espaços para infiltrações. Pode sair da referência e arrastar um defensor. Pode atacar o primeiro poste enquanto outro jogador chega no segundo. Pode servir de apoio para uma tabela. Pode ganhar uma disputa aérea e transformar uma bola longa em uma segunda jogada.

Sanabria, nesse sentido, não precisa ser apenas um finalizador. Ele pode ser uma ferramenta de estruturação ofensiva. E essa distinção é importante porque o problema do Inter não parece ser simplesmente a ausência de um jogador que faça muitos gols. O problema é a dificuldade de construir situações nas quais o gol se torne uma consequência mais provável.

As duas contratações conversam entre si

Imagine uma sequência simples: Eliasson recebe aberto pela direita. O lateral adversário precisa sair para enfrentá-lo. Sanabria ocupa os zagueiros dentro da área. Alan Patrick aparece entre as linhas.

De repente, o adversário precisa escolher. Se o lateral dobra a marcação sobre Eliasson, Alan Patrick pode receber espaço. Se o volante abandona a região central para ajudar, abre-se espaço para outro meio-campista atacar. Se a defesa permanece compacta, Eliasson pode ganhar o duelo individual e chegar à linha de fundo.

E, quando o cruzamento finalmente acontece, há um centroavante dentro da área. Parece elementar. Mas é justamente essa simplicidade que torna as contratações interessantes.

O Inter está tentando construir um ataque no qual as características individuais dos jogadores criem problemas umas para as outras. Eliasson pode gerar o espaço; Sanabria pode ocupá-lo. Sanabria pode atrair os zagueiros; Eliasson pode atacar o espaço que aparece do lado. Alan Patrick pode aproveitar a movimentação dos dois. É uma espécie de efeito dominó ofensivo.

Outro mérito das contratações está no fato de elas não obrigarem Paulo Pezzolano a abandonar suas ideias. Pelo contrário. O treinador pode manter uma estrutura com jogadores próximos da bola, mas agora terá ferramentas diferentes para atacar determinados cenários.

Contra adversários que pressionarem alto, Sanabria pode oferecer uma saída mais direta e permitir que o Inter avance o campo. Contra equipes fechadas, Eliasson pode ser utilizado para gerar superioridade no corredor e abrir a defesa. Em jogos nos quais o Colorado precisar controlar mais a posse, Sanabria pode funcionar como ponto de apoio enquanto Eliasson dá profundidade e amplitude.

Isso oferece ao treinador algo que o elenco vinha precisando: variação sem necessariamente significar mudança de identidade. E esse talvez seja o aspecto mais importante.

Contratações boas não são necessariamente aquelas que acrescentam os melhores jogadores disponíveis ao elenco. São aquelas que acrescentam as características que o time não possuía em quantidade suficiente.

(Foto: Ricardo Duarte/Internacional)