Julián Alvarez Atlético de Madrid
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Julián Álvarez está preso no Atlético de Madrid? Entenda a crise que tomou conta do clube

Julián Álvarez caminhou sozinho em direção a um túnel longo e escuro no Metropolitano. A imagem, após o empate por 2 a 2 entre Atlético de Madrid e Villarreal, resumiu o momento vivido pelo atacante argentino: ele continua sendo jogador do clube, mas a crise envolvendo seu desejo de sair parece tê-lo deixado isolado.

“Juntos somos mais fortes”, havia dito Giuliano Simeone. No entanto, foi justamente o contrário que aconteceu ao final da primeira partida do Atlético de Madrid em casa na temporada.

Depois do apito final, os jogadores das duas equipes se reuniram no círculo central, cumprimentaram adversários e companheiros e, em seguida, caminharam em direção à torcida. Quase todos.

Julián Álvarez ficou para trás. Após uma conversa discreta com alguém ligado ao clube, o assessor de imprensa apareceu e indicou outro caminho. Enquanto os companheiros se dirigiam aos torcedores, o camisa 19 seguiu para a saída.

Julián Álvarez deixou o campo sozinho

De cabeça baixa e em silêncio, Julián Álvarez atravessou o gramado acompanhado pelos próprios pensamentos e pelas vaias que continuavam vindo das arquibancadas. Sem cumprimentos ou gestos de reconhecimento, o argentino passou pelo escudo do Atlético de Madrid e seguiu até a entrada do túnel.

De ambos os lados, torcedores se inclinavam e gritavam na direção do atacante. Mais distante, os outros jogadores do Atlético aguardavam antes de se aproximarem da arquibancada, mas nenhum deles voltou para acompanhar o argentino.

Um cachecol chegou a ser arremessado e caiu aos pés de Julián Álvarez, que o deixou no chão. Pouco depois, ele desapareceu no túnel, em uma cena que retratou de forma simbólica o momento delicado vivido pelo jogador.

Do outro lado, ninguém o esperava. Julián subiu as escadas, passou por seguranças e entrou em um vestiário ainda vazio. Seus companheiros só chegariam cerca de quatro minutos depois.

O silêncio do vestiário, porém, contrastava com o que havia acontecido durante toda a partida. A torcida do Atlético vaiou Julián quando seu nome foi anunciado, durante o aquecimento e também quando ele entrou em campo. As manifestações continuaram até o fim do jogo.

O desejo de Julián Álvarez e o veto do Atlético

A situação não é confortável para ninguém. Jan Oblak resumiu o cenário após a partida, enquanto o Atlético de Madrid tenta encontrar uma solução para uma crise que envolve acusações, orgulho ferido e posições aparentemente irreconciliáveis.

O quadro, em teoria, é simples: Julián Álvarez quer deixar o Atlético de Madrid para jogar no Barcelona. O clube catalão quer contratá-lo. O problema é que o argentino tem contrato até junho de 2030, possui uma cláusula de rescisão de 500 milhões de euros e o Atlético não pretende vendê-lo.

Muito menos ao Barcelona.

Os primeiros sinais de que Julián poderia não continuar no Atlético apareceram após a partida contra o Tottenham, pela Liga dos Campeões, em março. Mais tarde, depois da vitória da Argentina sobre a Áustria na Copa do Mundo, o atacante declarou publicamente seu desejo de sair.

“Não é o momento de falar sobre isso, mas também não posso esconder. Falei com as pessoas com quem precisava falar e o melhor para todos é uma transferência. Quero realizar meu sonho”, afirmou na ocasião.

Esse sonho, segundo o contexto da negociação, era jogar no Barcelona. E a forma como o caso se desenvolveu passou a ser um dos principais motivos para a resistência do Atlético de Madrid.

Atlético de Madrid transforma caso em questão de princípio

Joan Laporta afirmou que o Barcelona havia apresentado uma oferta importante por Julián Álvarez. O Atlético, porém, não se mostrou disposto a aceitá-la.

Miguel Ángel Gil Marín, CEO do clube, foi ainda mais direto ao afirmar que o atacante não seria vendido. Segundo o dirigente, essa posição já havia sido comunicada ao jogador, ao seu agente e ao Barcelona.

O Atlético entende que a situação vai além do simples desejo de Julián Álvarez de deixar o clube. A maneira como as conversas para uma possível transferência aconteceram também provocou irritação nos dirigentes.

O Barcelona afirmou que tratou do assunto com respeito, mas o Atlético denunciou o clube à Federação Espanhola de Futebol e manteve sua posição. A transferência passou a ser encarada como uma questão de princípio dentro do Metropolitano.

Enquanto isso, Julián retornou para a pré-temporada ainda querendo sair. A sensação de isolamento em torno do atacante se tornou cada vez mais evidente. Jorge Valdano resumiu o momento com uma frase de Julio Cortázar: “Quando alguém diz que vai embora, já foi”.

Mesmo que, neste caso, Julián Álvarez ainda não tenha ido a lugar nenhum.

Gil Marín voltou a insistir que o jogador permaneceria no Atlético e afirmou que o clube não poderia permitir que outras equipes ou a imprensa determinassem sua política. O dirigente também criticou Fernando Hidalgo, agente do atacante, que respondeu publicamente às declarações.

Vaiado por 60 mil torcedores no Metropolitano

Diego Simeone, por sua vez, se mostrou disposto a voltar a utilizar Julián Álvarez. Para o treinador, a posição do clube foi clara e o atacante continuaria fazendo parte do elenco.

No domingo, no entanto, não houve qualquer sinal de que a situação esteja perto de ser resolvida. O empate com o Villarreal acabou ficando em segundo plano diante do ambiente criado em torno do camisa 19.

Antes da partida, Julián Álvarez ficou sentado no banco ao lado de Juan Musso e José María Giménez, olhando para baixo enquanto cerca de 60 mil pessoas vaiavam seu nome. Aquilo seria apenas o início.

Quando foi se aquecer aos 51 minutos, novas vaias surgiram das arquibancadas. Houve também cantos ofensivos contra o Barcelona e a Catalunha, além de manifestações contra jogadores considerados “mercenários”.

Quando o atacante finalmente entrou em campo, o barulho aumentou ainda mais. Julián não teve muitas participações na partida, mas praticamente cada toque na bola era acompanhado pela reação negativa da torcida.

As vaias continuaram até o apito final. E, naquele momento, o problema do Atlético de Madrid parecia ainda maior do que antes.

Atlético precisa de Julián, mas precisa recuperar o ambiente

Jan Oblak afirmou que Julián Álvarez faz parte do elenco e que, enquanto estiver no Atlético, receberá o apoio dos companheiros. Simeone também reforçou a importância de ter grandes atacantes caso o clube queira disputar títulos.

O treinador chegou a admitir que pediu desculpas a Ademola Lookman por utilizá-lo em uma posição diferente diante da ausência de Julián e da lesão de Alexander Sørloth. Para o técnico, o Atlético precisa cuidar de seus atacantes.

Simeone também confirmou que a decisão de não permitir que Julián cumprimentasse a torcida após o jogo partiu do clube, e não do jogador.

A medida tinha como objetivo protegê-lo de possíveis novos problemas, mas a cena final acabou reforçando a sensação de isolamento. Julián deixou o gramado antes dos demais e caminhou sozinho em direção ao túnel.

Giuliano Simeone havia dito que o Atlético de Madrid é mais forte quando está unido. Também garantiu que o elenco defenderá Julián Álvarez em campo enquanto ele continuar sendo jogador do clube.

Mas, quando chegou a hora de sair do gramado, o argentino foi sozinho.

A janela de transferências se aproxima do fim e a novela envolvendo Julián Álvarez ainda não apresenta um desfecho claro. O jogador quer sair, o Barcelona quer contratá-lo e o Atlético de Madrid se recusa a negociar. No meio de tudo isso, o ambiente se deteriora e, até agora, não parece haver vencedores.

Photograph: Europa Press Sports/Europa Press/Getty Images