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Futebol Premier League

Liverpool ainda sofre com erros do mercado e problemas voltam a aparecer na Premier League; veja

O Liverpool começou a nova temporada da Premier League com um resultado que, olhando apenas para a tabela, pode ser considerado positivo. A equipe conseguiu buscar um ponto fora de casa contra o Newcastle, em St James’ Park, e viu outros concorrentes que também alimentam ambições na disputa pelo título terem atuações pouco convincentes na rodada de abertura.

Mas a sensação deixada pelo Liverpool vai além do resultado. Os problemas que marcaram a equipe na temporada passada voltaram a aparecer, principalmente a vulnerabilidade nos contra-ataques. Além disso, o time ainda não demonstrou ter encontrado uma nova solução para aumentar sua criatividade ofensiva.

A chegada de Andoni Iraola trouxe expectativa para uma nova fase, mas o confronto contra o Newcastle mostrou que algumas questões antigas continuam sem resposta. Durante boa parte dos 96 minutos da partida, o Liverpool pareceu mais um dos grandes clubes que ainda tentam se adaptar depois de um verão marcado por mudanças.

O principal tema dos primeiros jogos da temporada foi justamente a importância da estabilidade. Manchester City, Aston Villa, Tottenham e Manchester United também apresentaram dificuldades, cada um vivendo situações diferentes após mudanças recentes em seus elencos ou comissões técnicas.

Liverpool sofre novamente com contra-ataques

No caso do Liverpool, o problema parece especialmente familiar. Na temporada passada, Arne Slot reclamou em diversos momentos da facilidade com que os adversários conseguiam marcar em suas primeiras oportunidades e da dificuldade da equipe para lidar com ataques diretos.

Contra o Newcastle, a história voltou a se repetir. O gol de Anthony Elanga, que colocou os donos da casa em vantagem, expôs espaços deixados pela equipe. Mais tarde, Joe Willock voltou a colocar o Newcastle na frente em uma jogada com características parecidas, aproveitando a velocidade e o espaço para atacar.

A vulnerabilidade nas transições defensivas, portanto, não desapareceu com a mudança de temporada. E isso levanta novamente uma discussão que acompanha o Liverpool desde a saída de Fabinho, em 2023: a necessidade de contratar um volante com características mais defensivas.

Mesmo quando o Liverpool conquistou a Premier League sob o comando de Slot, em 2024/25, já existia o entendimento de que o elenco precisava passar por uma reformulação. Um meio-campista capaz de proteger a defesa e atuar ao lado de Ryan Gravenberch era apontado como uma das prioridades.

Por isso, o mercado de transferências do último verão acabou sendo tão questionado. O problema não foi apenas quem chegou ao Liverpool, mas também quem não foi contratado. A equipe fez grandes investimentos, mas não resolveu uma das carências que já eram identificadas.

Sem um volante mais fixo para proteger a defesa, as limitações dos zagueiros ficam ainda mais evidentes. Virgil van Dijk, hoje com 35 anos, tem encontrado mais dificuldades em situações que exigem velocidade e mudanças rápidas de direção.

A ausência de um volante aumenta os problemas

A questão também é tática. Ciente das dificuldades físicas impostas pela idade e preocupado com bolas lançadas às suas costas, Van Dijk tende a recuar mais. Com isso, o Liverpool pode acabar concedendo espaços importantes para os adversários desenvolverem ataques.

Andoni Iraola, porém, destacou após a partida que os problemas não podem ser explicados apenas pela escolha dos jogadores. Segundo o treinador, a equipe precisa aprender coletivamente a reagir melhor às situações de transição.

O técnico citou, por exemplo, o lance que originou o primeiro gol sofrido. Ryan Gravenberch havia avançado até a entrada da área do Newcastle e participado da construção ofensiva antes de o Liverpool perder a bola.

Para Iraola, não seria correto tirar esse tipo de movimentação do jogo do meio-campista. A necessidade é encontrar um equilíbrio para que o restante da equipe esteja preparado quando situações desse tipo acontecem.

No segundo gol do Newcastle, a avaliação foi semelhante. O Liverpool não teria sido surpreendido, mas precisava disputar melhor a primeira bola e ser mais agressivo para interromper o avanço do adversário.

Ou seja, o problema das transições envolve mais de um jogador. Ainda assim, a ausência de um volante especialista na proteção defensiva continua sendo um ponto importante e torna as fragilidades do sistema ainda mais visíveis.

Reforços do Liverpool ainda não convenceram

A defesa não foi o único setor que deixou dúvidas contra o Newcastle. Os laterais Jeremie Frimpong e Milos Kerkez tiveram atuações pouco convincentes, enquanto Alexander Isak também não conseguiu causar grande impacto.

O atacante, que completou seus primeiros 90 minutos desde a transferência recorde do futebol britânico envolvendo sua saída do Newcastle no último verão, foi vaiado pelos torcedores da equipe da casa durante o jogo e pouco conseguiu produzir ofensivamente.

Florian Wirtz também teve uma atuação que resumiu, de certa forma, as dificuldades ofensivas do Liverpool. O jogador apresentou sua qualidade técnica, com bons toques e movimentações, mas sem transformar isso em ações realmente decisivas no último terço do campo.

Ainda assim, não há motivo para desespero. A trajetória de Iraola mostra que o treinador costuma precisar de tempo para implementar completamente suas ideias nos clubes por onde passa. Além disso, o Liverpool demonstrou capacidade de reação e conseguiu evitar a derrota fora de casa.

Também é verdade que, com exceção do Arsenal, nenhum dos principais concorrentes impressionou de forma significativa na abertura da temporada.

Mas talvez seja necessário olhar novamente para o que aconteceu no último mercado. A narrativa mais comum é que Arne Slot conquistou um título com uma equipe construída por Jürgen Klopp e, posteriormente, não conseguiu manter o mesmo nível.

Outra interpretação possível, porém, é que Slot conseguiu extrair mais do que se esperava de um elenco que já apresentava sinais de envelhecimento. Depois do título, a reformulação se tornou necessária, e o clube precisava acertar nas decisões do mercado.

O mercado milionário deixou problemas para o Liverpool

A grande questão é que o Liverpool gastou muito dinheiro sem necessariamente resolver suas principais necessidades. Michael Edwards deixou o cargo de CEO de futebol do Fenway Sports Group, grupo proprietário do clube, em julho, mas as consequências do mercado anterior continuam presentes.

Os seis reforços mais caros contratados no último verão custaram, juntos, cerca de 410 milhões de libras. Entre eles, o único que havia conseguido causar uma impressão realmente positiva era Hugo Ekitike.

O problema é que o atacante sofreu uma ruptura no tendão de Aquiles e deve ficar afastado por meses. Assim, o investimento gigantesco feito pelo Liverpool ainda não conseguiu oferecer o retorno esperado dentro de campo.

O empate contra o Newcastle mostrou que a equipe continua competitiva e possui capacidade para reagir em momentos difíceis. Porém, também deixou claro que alguns fantasmas do passado seguem presentes.

A vulnerabilidade nos contra-ataques continua sendo uma preocupação, a criatividade ofensiva ainda precisa evoluir e a ausência de um volante capaz de proteger a defesa permanece como uma questão em aberto.

O Liverpool ainda tem uma longa temporada pela frente e tempo para Iraola desenvolver seu trabalho. No entanto, o começo da campanha sugere que os problemas não ficaram no passado. O clube mudou bastante, gastou centenas de milhões e iniciou uma nova fase, mas ainda parece perseguido pelas decisões tomadas no mercado do último verão.

Foto: AFP