Chelsea - Xabi Alonso
Futebol Premier League

Chelsea de Xabi Alonso encanta, sofre e vence: o time está pronto para disputar o título? Veja

Sob os olhares de dois ex-treinadores do Chelsea e de toda a atual diretoria do clube, o time de Xabi Alonso apresentou exatamente o tipo de espetáculo que seus donos desejam há algum tempo. Na vitória por 4 a 3 sobre o Brighton, o Chelsea mostrou talento, emoção e, principalmente, muita capacidade ofensiva.

A partida teve praticamente tudo o que se espera de um grande jogo da Premier League. Cole Palmer marcou um golaço diante de Thomas Tuchel, enquanto João Pedro também balançou as redes contra o seu antigo clube. O atacante ainda fez questão de comemorar diante dos torcedores do Brighton que o provocaram durante a partida.

O gol de João Pedro deixou o Chelsea com 3 a 0 antes do intervalo, mas nem mesmo essa vantagem foi suficiente para tranquilizar a equipe. O Brighton reagiu e transformou o segundo tempo em uma verdadeira batalha, ameaçando uma virada que parecia improvável poucos minutos antes.

Chelsea vence, mas deixa dúvidas

Foi uma vitória caótica, divertida e cheia de acontecimentos. Com o resultado, Xabi Alonso chegou à segunda vitória em dois jogos na Premier League e ao terceiro triunfo em três partidas considerando todas as competições.

Mas fica a pergunta: esse Chelsea já apresenta futebol suficiente para pensar em conquistar o título da Premier League? É uma questão que continuará sendo feita enquanto o time seguir vencendo, mas a resposta depois do apito final foi bem diferente daquela que parecia evidente no intervalo.

Com 3 a 0 no placar, o Chelsea parecia ter o jogo completamente sob controle. Porém, o Brighton voltou para a partida e expôs uma característica que pode preocupar Alonso: o time londrino ainda parece ter dificuldades para controlar os jogos por longos períodos.

A equipe comandada pelo treinador espanhol teve apenas dois desafios considerados moderados até agora, contra Fulham e Brighton, e venceu os dois por margens apertadas. Além disso, o Chelsea teve pouco controle da posse de bola. Contra o Brighton, ficou com apenas 25,6% da posse, enquanto diante do Fulham teve 38%.

Xabi Alonso aposta na adaptação

Alonso, porém, não parece preocupado em estabelecer uma porcentagem ideal de posse de bola. Para o treinador, o mais importante é entender o contexto de cada partida e saber como a equipe pode jogar diante de diferentes adversários.

O espanhol destacou que, depois de 30 minutos, o Chelsea já vencia por 3 a 0 e que os números de posse não eram o principal ponto de análise. Segundo ele, a equipe precisa ser capaz de se adaptar às circunstâncias de cada confronto.

O técnico do Brighton, Fabian Hurzeler, teve uma visão completamente diferente. Para o alemão, sua equipe dominou a partida, principalmente pela maneira como conseguiu recuperar terreno depois de estar três gols atrás no placar.

Parte dessa situação, no entanto, pode ser explicada pelas circunstâncias. Alonso ainda não conta com sua dupla de meio-campistas considerada ideal, o que torna a situação envolvendo Enzo Fernández ainda mais importante para o Chelsea.

Meio-campo ainda é um problema

O argentino voltou a ficar fora da equipe, enquanto Moisés Caicedo entrou em campo, mas acabou saindo por precaução devido aos recentes problemas físicos. Mesmo assim, o meio-campo titular do Chelsea, formado por Romeo Lavia e Malo Gusto, parecia mais forte do que o do Brighton.

Ainda assim, quem mais chamou atenção foi Malick Yalcouyé, de apenas 20 anos. O jogador do Brighton teve uma boa atuação e marcou o gol que iniciou a reação de sua equipe, transformando o que parecia uma goleada tranquila em uma partida novamente aberta.

Curiosamente, apesar de toda a expectativa em torno da estreia de Emiliano Martínez, novo goleiro do Chelsea, foi um erro de Bart Verbruggen, do Brighton, que teve enorme influência no início da partida. O equívoco permitiu que Lavia abrisse o placar e mudou completamente o cenário do confronto.

Com a vantagem no placar, o Chelsea não precisava necessariamente controlar a posse. O time poderia explorar seus jogadores ofensivos e esperar pelos espaços deixados pelo adversário.

Palmer mostra o poder do Chelsea

O grande problema é que, neste momento, o Chelsea ainda não demonstra controle suficiente para ser considerado um candidato incontestável ao título. Isso pode mudar com novas contratações, evolução dos jogadores ou até mesmo pela característica desta temporada da Premier League.

O campeonato inglês parece particularmente imprevisível, com novos treinadores e muitos reforços tentando encontrar rapidamente seus melhores times. Nesse cenário, o caos pode acabar sendo uma vantagem para o Chelsea.

Alonso já havia falado sobre a importância do “controle emocional” depois da vitória sobre o Fulham. Para ele, essa característica pode ser até mais importante do que o controle tático em uma competição tão intensa quanto a Premier League.

Contra o Brighton, isso ficou evidente. No intervalo, Alonso avisou aos jogadores que a vantagem de dois gols não seria suficiente para garantir a vitória. E ele estava certo. A partida ainda estava longe de terminar.

Quando o Brighton chegou ao 3 a 2, após um chute desviado de Gross que acabou entrando depois de tocar em João Pedro, o time visitante parecia ter o Chelsea exatamente onde queria.

Foi então que Cole Palmer apareceu novamente. O meia recebeu a bola, levou para dentro e avançou em direção ao gol antes de acertar uma finalização rasteira e precisa no canto. O gol devolveu a tranquilidade ao Chelsea e provocou uma comemoração intensa de Alonso.

Chelsea pode aproveitar o caos

Para Hurzeler, a explicação para momentos como esse é simples: quando uma equipe como o Chelsea investe tanto dinheiro em jogadores de qualidade, ela pode confiar no talento individual para resolver partidas complicadas.

O argumento faz sentido, mas também mostra o quanto existem variáveis envolvidas neste Chelsea. O clube passou por uma temporada anterior extremamente turbulenta e parece ter conseguido se reorganizar rapidamente.

O alto investimento e a chegada de um treinador como Alonso ajudam a explicar essa mudança. Ainda assim, o time não parece completamente pronto. Há qualidade suficiente para competir, mas também existem dúvidas sobre sua capacidade de controlar adversários mais fortes.

Palmer, de certa forma, representa justamente essa característica. Em meio ao caos, o principal jogador ofensivo do Chelsea encontrou uma oportunidade e decidiu a partida. O clube pode fazer algo parecido durante a temporada.

A Premier League apresenta um cenário tão imprevisível que o Chelsea pode aproveitar uma eventual queda de seus concorrentes para se colocar na disputa. Mesmo sem estar completamente formado, o elenco possui qualidade para aproveitar o momento.

Arsenal será o verdadeiro teste

Xabi Alonso também foi questionado novamente sobre Enzo Fernández e respondeu que o Chelsea está preparado para “todos os cenários”. O treinador ainda afirmou que gostaria de manter Pedro Neto, autor do segundo gol da equipe e jogador que atuou como ala.

Independentemente do que acontecer nos próximos dias, Alonso garantiu que terá um elenco capaz de competir em todos os jogos da Premier League.

Mas e pelo título?

Depois de um início relativamente favorável, o Chelsea terá pela frente aquele que pode ser considerado o maior teste até agora: uma visita ao Arsenal, atual campeão e um dos principais rivais da equipe.

É nesse confronto que será possível entender melhor o verdadeiro nível do Chelsea de Xabi Alonso. Depois de duas vitórias na Premier League, o time mostrou que tem talento para vencer. Agora, precisa provar que também tem consistência para lutar pelo título.

Foto: Getty Images