O Manchester United passou por uma janela de transferências movimentada e concentrou boa parte de seus esforços no reforço do meio-campo. Youri Tielemans, Andrey Santos e Carlos Baleba chegaram para aumentar a qualidade e as opções do setor, considerado uma das principais necessidades do clube antes do início da temporada.
No entanto, uma posição ficou sem receber reforços: a lateral esquerda.
A decisão chamou a atenção de torcedores e especialistas, principalmente porque Luke Shaw continua sendo o único lateral-esquerdo de origem e com experiência consolidada no elenco principal. O inglês viveu uma temporada positiva em 2025-26, especialmente em relação à sua disponibilidade física, mas seu histórico de lesões faz com que a escolha do Manchester United represente um risco considerável.
O clube chegou a ser ligado a alguns nomes durante a janela. Alejandro Balde, do Barcelona, Jorge Salinas, do Racing Santander, e Lewis Hall, do Newcastle, apareceram entre os possíveis alvos. Nenhuma negociação, porém, foi concluída.
A ausência de uma contratação indica que a diretoria e Michael Carrick acreditam possuir soluções internas suficientes para lidar com a posição. A questão é saber se essas alternativas realmente terão qualidade para substituir Shaw caso seja necessário.
A melhor temporada de Shaw não apaga seu histórico de lesões

Luke Shaw chega à nova temporada em uma situação diferente daquela que viveu durante boa parte de sua trajetória no Manchester United. Depois de anos marcados por problemas físicos, o lateral conseguiu manter uma regularidade impressionante em 2025-26.
Shaw disputou as 38 partidas do Manchester United na Premier League. Foi a primeira vez em sua carreira que conseguiu participar de todos os jogos de uma temporada do campeonato inglês.
O dado ganha ainda mais importância quando analisado dentro de sua trajetória no clube. Em 12 temporadas defendendo o Manchester United, essa foi apenas a terceira vez que Shaw conseguiu disputar mais de 29 partidas em uma edição da Premier League.
Ou seja, sua disponibilidade em 2025-26 foi uma exceção positiva dentro de um histórico marcado por ausências.
O problema para o Manchester United é que a nova temporada será ainda mais exigente. A equipe terá pelo menos oito jogos a mais em comparação com o calendário anterior, podendo disputar ainda mais partidas dependendo de seu desempenho nas competições.
Isso significa uma carga física maior para Shaw, que terá de manter o nível de disponibilidade apresentado na temporada passada para evitar que o United enfrente problemas na posição.
É justamente nesse ponto que surge a principal crítica à decisão do clube.
O Manchester United parece ter apostado na possibilidade de Shaw continuar saudável durante mais uma temporada inteira. Caso isso aconteça, a ausência de uma contratação poderá não representar um problema. Mas confiar em um jogador com histórico de lesões para cumprir uma sequência ainda maior de jogos pode se transformar em uma aposta perigosa.
Michael Carrick reconheceu que nenhum elenco é perfeito e destacou que a evolução de uma equipe acontece gradualmente. Segundo o treinador, não existe uma contratação isolada capaz de resolver todos os problemas de um clube.
O United realmente reforçou áreas importantes e melhorou suas opções no meio-campo. Entretanto, a lateral esquerda permanece como um dos setores mais frágeis do elenco quando se analisa a profundidade das opções disponíveis.
Dorgu, Amass e jogadores improvisados são as alternativas do United

O Manchester United não está completamente sem opções caso Luke Shaw fique indisponível. O problema é que nenhuma das alternativas oferece a mesma segurança de ter um reserva natural e experiente para a posição.
Harry Amass é a opção mais próxima de um substituto natural. O jovem de 19 anos atua como lateral-esquerdo e teve uma pré-temporada positiva com o elenco principal.
Amass possui qualidade técnica e é visto como um jogador promissor, mas ainda existem dúvidas sobre sua capacidade física para atuar regularmente na Premier League. A diferença entre participar de alguns jogos e assumir uma posição durante uma sequência longa de partidas é significativa.
O clube também pode recorrer a Patrick Dorgu.
O dinamarquês chegou ao Manchester United como lateral-esquerdo, vindo do Lecce em janeiro de 2025. Inicialmente, sua contratação estava relacionada ao sistema utilizado por Ruben Amorim, que trabalhava com três zagueiros e alas bastante ofensivos.
Com a mudança de treinador e a chegada de Michael Carrick, Dorgu passou a ser utilizado principalmente como ponta-esquerda. Essa parece ser atualmente a posição em que o treinador acredita que ele possa oferecer mais ao time.
Mesmo assim, Carrick confirmou que Dorgu continua sendo uma alternativa para a lateral esquerda. Sua versatilidade pode ser importante durante a temporada, especialmente em momentos de emergência.
Noussair Mazraoui e Diogo Dalot também podem atuar pelo lado esquerdo da defesa. Ambos já foram utilizados na posição anteriormente, embora não seja a função natural de nenhum dos dois.
Até mesmo Carlos Baleba possui experiências ocasionais jogando pelo setor, demonstrando que Carrick teria diferentes possibilidades para improvisar caso Shaw estivesse ausente.
Mas existe uma diferença importante entre ter vários jogadores capazes de ocupar uma posição e possuir um jogador realmente preparado para exercer aquela função em alto nível.
Se Luke Shaw perder apenas alguns jogos, o Manchester United provavelmente conseguirá administrar a situação utilizando Dorgu, Dalot, Mazraoui ou Amass.
O verdadeiro problema surgiria em caso de uma lesão longa.
Sem um lateral-esquerdo reserva contratado durante a janela, o clube poderia passar meses dependendo de improvisações. Isso poderia afetar tanto o sistema defensivo quanto a construção ofensiva pelo lado esquerdo.
A temporada, portanto, colocará à prova a decisão do Manchester United.
Existe um cenário positivo. Shaw pode permanecer saudável, Amass pode evoluir e conquistar espaço importante no elenco, enquanto Dorgu pode demonstrar que também consegue desempenhar a função defensiva quando necessário.
Mas existe também o risco de o clube descobrir que deixou uma lacuna importante aberta.
O Manchester United investiu para fortalecer seu meio-campo e acredita possuir um elenco equilibrado. Porém, ao não contratar outro lateral-esquerdo, a equipe colocou grande parte de suas esperanças na condição física de Luke Shaw.
Depois de uma temporada praticamente perfeita em termos de disponibilidade, o desafio agora será repetir esse desempenho. Caso Shaw consiga permanecer em campo, a aposta do United poderá ser considerada acertada.
Caso contrário, a falta de um reforço para a lateral esquerda poderá se transformar em uma das principais decisões questionadas durante a temporada.


