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Barcelona de Flick vê em Rodri o equilíbrio para voltar a sonhar com a Champions

O Barcelona segue com um dos melhores ataques do mundo. Em quatro partidas na temporada 2026/27, o time blaugrana anotou 17 gols, média superior a quatro por jogo. Mesmo com as saídas de jogadores importantes, o setor ofensivo continua produzindo em alto nível.

A capacidade de marcar segue sendo uma das principais características da equipe de Hans Flick. O Barcelona cria chances, ocupa o campo de ataque e encontra diferentes caminhos para chegar ao gol. O que pode mudar nesta temporada, porém, está em outro setor.

O Barça pode ter encontrado uma peça importante para ser mais competitivo com a contratação de Rodri. O meio-campista chegou por 75 milhões de euros, vindo do Manchester City, e já começa a mostrar como pode dar mais equilíbrio ao time. A chegada do espanhol oferece ao treinador uma alternativa para controlar partidas que antes eram disputadas em ritmo acelerado.

É verdade que o Barcelona ainda não passou por grandes testes na temporada. A La Liga está apenas no começo, enquanto a Champions League reserva confrontos de outro nível, como o duelo contra o atual campeão Paris Saint-Germain. Ainda assim, as primeiras participações de Rodri indicam um caminho interessante para a equipe de Flick.

Rodri dita o ritmo em meio ao caos no Barcelona

Desde que Flick desembarcou no Camp Nou, em 2024, o Barcelona ganhou uma veia ainda mais ofensiva. O time cria com naturalidade e de diferentes maneiras. Contra defesas fechadas, encontra soluções na troca rápida de passes ou na individualidade de Yamal e Raphinha. Diante de adversários mais difíceis, o contra-ataque também aparece como alternativa. A bola aérea ofensiva é outra força dos catalães.

Essa facilidade para marcar gols já trouxe resultados importantes. Com Flick, o Barcelona ganhou cinco dos oito campeonatos disputados: duas La Ligas, duas Supercopas da Espanha e uma Copa do Rei. O grande objetivo que ainda falta é voltar a conquistar a Champions League.

O problema é que o alto número de gols sofridos tem afastado o Barcelona da chamada “Orelhuda”. Nas eliminações para Inter de Milão e Atlético de Madrid, a equipe sentiu falta de maior controle no meio-campo. Em determinados momentos, era necessário diminuir o ritmo, trocar passes e descansar com a bola. A trocação frenética nem sempre favorece os catalães.

É justamente nesse ponto que Rodri pode fazer diferença. Em suas participações pelo Barça, o espanhol mostrou capacidade para escapar da pressão e, principalmente, para escolher quando acelerar e quando controlar. Em um time acostumado a jogar em alta velocidade, ter alguém capaz de ditar o ritmo pode ser decisivo.

Não é por acaso que, em quatro partidas, o Barcelona não foi vazado em três. O feito é considerado extremamente raro para o time de Flick, que vive exposto por adiantar muito suas peças.

Espírito de capitão e combinação com Pedri serão importantes

Rodri também pode contribuir em uma área que vai além da parte técnica. O meio-campista tem espírito de capitão e, segundo o próprio Flick, sua presença já começa a influenciar o vestiário. Campeão da Champions League e da Copa do Mundo, além de vencedor da Bola de Ouro, o espanhol carrega uma experiência rara para um elenco que ainda conta com muitos jogadores jovens.

Essa liderança pode ser especialmente importante para atletas formados em La Masia, como Marc Bernal. Mais do que orientar dentro de campo, Rodri pode transmitir aos jovens uma visão sobre como administrar jogos grandes, lidar com pressão e entender os diferentes momentos de uma partida.

Ao mesmo tempo, o Barcelona pode estar formando uma combinação especial no meio-campo. Rodri e Pedri têm características diferentes, mas que se complementam. Alternando posições e responsabilidades, os dois podem oferecer controle sem retirar da equipe a capacidade de criar.

Essa pequena amostra já foi suficiente para mostrar uma dupla difícil de pressionar. Pedri pode encontrar mais liberdade para participar da construção ofensiva, enquanto Rodri assume parte do trabalho de organizar o time e proteger seus companheiros.

O Barcelona não deixou de ser uma equipe ofensiva com a chegada do espanhol. A ideia é justamente acrescentar controle ao talento que já existia. Se Rodri conseguir manter esse nível contra adversários mais fortes, Flick terá uma ferramenta que pode mudar o comportamento da equipe nos grandes jogos.

A Champions ainda exigirá provas muito maiores. Mas, pela primeira vez em algum tempo, o Barcelona parece ter encontrado uma forma de equilibrar seu futebol agressivo com a maturidade necessária para sobreviver aos momentos de maior pressão. E Rodri pode ser o jogador que transforma essa diferença em algo decisivo.

Foto: Marc Graupera, FC Barcelona