Backhand de uma mão
Tenis US Open

A morte do backhand de uma mão: o que explica o desaparecimento do golpe no tênis?

O backhand de uma mão não estará presente nas semifinais do US Open. A última esperança era Stefanos Tsitsipas, que foi derrotado por Ben Shelton por 3 a 0 neste domingo (6). Essa é a primeira vez desde a criação de Wimbledon, em 1877, que não haverá um tenista capaz de bater o golpe nas semifinais de ao menos um Grand Slam na temporada.

Nos últimos anos, já tem sido observado que cada vez menos atletas usam o backhand dessa forma, com a maioria passando a usar duas mãos. Dessa forma, não é exatamente uma surpresa que esteja desaparecendo também nos majors. Entretanto, a novidade causa uma espécie de tristeza em alguns, especialmente os mais nostálgicos.

Além disso, também gera o questionamento: o que explica o desaparecimento do backhand de uma mão?

Stefanos Tsitsipas will take on Ben Shelton in the fourth round at the US Open.
Tsitsipas era a última esperança de ter o backhand de uma mão na semifinal de um Grand Slam neste ano. Foto: Kena Betancur/AFP via Getty Images

O fim do backhand de uma mão

Considerado por muitos como o golpe mais bonito no tênis, o backhand de uma mão tem sido cada vez mais raro. No entanto, a explicação para isso não é tão complicada. O esporte se tornou cada vez mais precoce, sendo levado a crianças cada vez mais novas. Estamos falando de tenistas começando a testar seus movimentos aos 4 anos e, por vezes, até mais cedo.

Ao longo dos anos, foi notado que há uma estabilização maior no backhand quando se usam as duas mãos. Isso, para uma criança, é extremamente importante. Um adulto consegue lidar com as frustrações de errar um golpe melhor do que uma pequena criança de 4 anos, algo até meio óbvio de se falar.

Contudo, a frustração é um fator que pode afastar os pequeninos do esporte. Se não houver um equilíbrio muito bom entre sucesso e erros, os mais novos tendem a se frustrar com rapidez e não querer mais jogar. Isso acontece em qualquer esporte, incluindo o tênis, até chegar a uma idade mais avançada.

Usando as duas mãos no backhand, as crianças conseguem controlar melhor o golpe e também colocar mais força. O problema é que, usando o golpe dessa forma desde cedo, a mudança para o backhand de uma mão se torna quase que impossível. Outro fator é que o uso de uma mão dificulta a devolução de bolas muito altas, especialmente acima dos ombros.

Nesse caso, é um grande problema devolver os saques kick, aqueles serviços que fazem a bola subir alto, por vezes passando da cabeça do tenista. As vantagens que o golpe trazia já não são uma grande diferença, com isso sendo substituído pelo fortalecimento dos músculos usados. Como resultado, estamos vendo o declínio do backhand de uma mão no circuito.

Diane Parry in action during a Women's Singles match on Day Two of the 2026 US Open at USTA Billie Jean King National Tennis Center on Monday, August 31, 2026 in Flushing, NY. (Photo by Darren Carroll/USTA)
O backhand de uma mão tem sido usado cada vez menos no tênis moderno. Foto: Darren Carroll/USTA

Backhand de uma mão irá desaparecer?

É difícil afirmar isso com toda a certeza, pois ainda há jovens tenistas que usam o backhand de uma mão. No entanto, a quantidade comparada ao passado é enorme. Os anos 80 foi o período de transição para o réves com duas mãos, com Chris Evert e Bjorn Borg sendo alguns dos atletas a terem grande sucesso usando o golpe.

Ainda assim, naquela época, a maioria dos tenistas usava apenas uma mão, sendo estimada em 70% a 80% do circuito feminino e masculino. Atualmente, menos de 10 jogadores do top 100 conseguem fazer o backhand com uma mão. No entanto, o golpe tem resistido e se mantém vivo, mesmo que em uma quantidade bem menor.

No circuito atual, temos Lorenzo Musetti e Diana Parry, que são os mais bem ranqueados a ter o réves com uma mão na ATP e na WTA. Mas, entre as mulheres, vemos Lilli Tagger, com apenas 18 anos e no top 100, fazer uso do golpe. Dessa forma, por mais que esteja sumindo, ainda há quem resista, mantendo viva a obra de arte do tênis.

Foto: Getty Images