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Futebol Ligue 1 UEFA Champions League

PSG já se encaixa entre as maiores dinastias da história do futebol europeu?

Construir uma equipe vencedora é difícil. Manter o sucesso durante anos é um desafio ainda maior. No futebol europeu, alguns clubes conseguiram ir além de uma simples geração vitoriosa e transformaram períodos de domínio em verdadeiras dinastias.

O PSG pode estar construindo exatamente esse caminho.

Atual bicampeão da UEFA Champions League, o PSG inicia uma nova campanha com a possibilidade de conquistar o terceiro título europeu consecutivo. Caso consiga repetir o feito, o clube francês entrará definitivamente em uma lista extremamente restrita de equipes que dominaram o futebol continental durante diferentes períodos da história.

A comparação, no entanto, ainda exige cautela. O futebol europeu já teve dinastias que não foram construídas apenas com dois ou três títulos, mas também com influência tática, continuidade de trabalho e capacidade de transformar o esporte.

Real Madrid, Ajax, Milan, Barcelona, Bayern de Munique e Liverpool são alguns dos exemplos de clubes que marcaram épocas. O PSG busca agora encontrar seu próprio espaço entre essas equipes.

O PSG e a construção de uma nova dinastia

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Foto: Getty Images

O domínio do PSG no futebol francês não é recente. Desde a chegada do Qatar Sports Investments, há cerca de 15 anos, o clube se transformou na principal força do país.

Durante esse período, o PSG conquistou títulos nacionais, contratou algumas das maiores estrelas do futebol mundial e se tornou uma potência financeira.

Por muitos anos, existia uma diferença entre dominar a França e conquistar a Europa.

A UEFA Champions League era o grande objetivo do projeto. Mesmo com jogadores como Zlatan Ibrahimovic, Neymar, Lionel Messi e Kylian Mbappe, o clube acumulou eliminações dolorosas e não conseguia alcançar o principal título continental.

A mudança aconteceu após uma alteração na filosofia esportiva.

O presidente Nasser Al-Khelaifi anunciou o fim da era marcada pelo excesso de estrelas e pelo chamado futebol do glamour. A prioridade passou a ser a construção de uma equipe mais equilibrada e com maior identidade coletiva.

Luis Enrique chegou em 2023 para liderar essa transformação.

O clube continuou realizando investimentos importantes, mas passou a buscar jogadores mais jovens e adaptáveis ao modelo do treinador. A ideia era formar uma equipe capaz de pressionar, controlar partidas e funcionar como um coletivo, em vez de depender exclusivamente do talento individual de algumas estrelas.

Os resultados foram imediatos.

O PSG conquistou duas UEFA Champions League consecutivas e agora possui a oportunidade de buscar um terceiro título seguido.

Se conseguir, o clube francês entrará em um grupo extremamente seleto.

Na história da principal competição europeia, poucas equipes conseguiram vencer três vezes consecutivas. O Bayern de Munique conquistou o feito entre 1974 e 1976. O Ajax venceu entre 1971 e 1973. Mais recentemente, o Real Madrid conquistou três títulos consecutivos entre 2016 e 2018.

O maior exemplo continua sendo o próprio Real Madrid, vencedor das cinco primeiras edições da Copa dos Campeões, entre 1956 e 1960.

O PSG ainda está distante dessas marcas históricas, mas um terceiro título consecutivo mudaria completamente sua posição dentro do futebol europeu.

As dinastias que marcaram diferentes gerações

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Foto: Getty Images

A primeira grande dinastia europeia pertenceu ao Real Madrid.

Quando a Copa dos Campeões foi criada, em 1955, o clube espanhol rapidamente se tornou a principal referência da competição. Liderado por Alfredo Di Stefano e Paco Gento, o Real Madrid venceu as cinco primeiras edições do torneio.

Posteriormente, a chegada de Ferenc Puskas tornou a equipe ainda mais forte.

Na final de 1960, o Real Madrid venceu o Eintracht Frankfurt por 7 a 3. Puskas marcou quatro gols, enquanto Di Stefano marcou três. O resultado se tornou um dos maiores símbolos do domínio espanhol naquele período.

Décadas depois, o Ajax construiu uma dinastia que deixou uma influência ainda maior no futebol.

Entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970, a equipe holandesa foi responsável pela popularização do Futebol Total. Sob o comando de Rinus Michels e liderado por Johan Cruyff dentro de campo, o Ajax transformou a maneira como o futebol era jogado.

O clube venceu três Copas dos Campeões consecutivas entre 1971 e 1973.

Mais importante do que os títulos foi o legado deixado. As ideias desenvolvidas naquele Ajax influenciaram diretamente o Barcelona, a seleção holandesa e diversos treinadores das gerações seguintes.

O Bayern também viveu uma sequência histórica entre 1974 e 1976.

A equipe alemã possuía uma base impressionante, formada por Sepp Maier, Franz Beckenbauer e Gerd Muller. O trio também representava uma geração vitoriosa da Alemanha Ocidental.

Mesmo enfrentando dificuldades em algumas competições nacionais, o Bayern demonstrava uma capacidade especial para decidir grandes partidas europeias.

O clube conquistou três títulos consecutivos e se estabeleceu definitivamente como uma das maiores forças da Europa.

O Liverpool também viveu um período de enorme domínio entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1980.

Entre 1977 e 1984, clubes ingleses conquistaram sete das oito edições da Copa dos Campeões. O Liverpool foi responsável por quatro desses títulos.

A equipe conseguiu manter o sucesso mesmo com mudanças no comando técnico. O trabalho iniciado por Bill Shankly foi continuado por Bob Paisley e, posteriormente, por Joe Fagan.

Essa continuidade foi uma das principais características da dinastia inglesa.

Mais do que títulos: o legado das grandes equipes

Pep Guardiola jogador treinador
(Foto: Divulgação/Barcelona)

Nem todas as maiores dinastias da história podem ser medidas apenas pelo número de troféus.

O Barcelona de Pep Guardiola é um dos maiores exemplos.

Entre 2008 e 2012, Guardiola comandou o clube durante apenas quatro temporadas, mas conseguiu criar uma das equipes mais influentes da história moderna.

O Barcelona conquistou duas UEFA Champions League durante esse período, mas seu maior impacto foi a forma como jogava.

Baseado em jogadores formados em La Masia, como Xavi, Iniesta, Sergio Busquets e Lionel Messi, o time desenvolveu um estilo baseado em posse de bola, pressão e movimentação constante.

O chamado tiki-taka se tornou referência mundial.

Mais de uma década depois, muitos treinadores e clubes continuam sendo influenciados pelas ideias daquele Barcelona.

O Milan também representa um dos períodos mais impressionantes da história europeia.

Entre 1988 e 1995, o clube chegou a diversas decisões continentais e conquistou títulos sob o comando de Arrigo Sacchi e Fabio Capello.

O elenco reunia jogadores como Ruud Gullit, Marco van Basten, Frank Rijkaard, Franco Baresi e Paolo Maldini.

O Milan conquistou títulos consecutivos em 1989 e 1990 e voltou ao topo em 1994, quando derrotou o Barcelona por 4 a 0 na final.

O Real Madrid moderno também merece posição especial nessa lista.

Entre 2014 e 2018, o clube voltou a dominar a UEFA Champions League. Liderado inicialmente por Cristiano Ronaldo e, posteriormente, comandado por Zinedine Zidane, o time conquistou quatro títulos em cinco temporadas.

O principal feito aconteceu entre 2016 e 2018, quando o Real Madrid se tornou o primeiro clube da era moderna da Champions League a conquistar três títulos consecutivos.

A equipe venceu Atlético de Madrid, Juventus e Liverpool nas três finais.

O desafio do PSG para entrar definitivamente na história

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Foto: UEFA

O PSG possui atualmente os resultados necessários para iniciar uma discussão sobre dinastia. Dois títulos consecutivos da UEFA Champions League representam um feito extremamente raro no futebol moderno.

Mas existe uma diferença entre construir uma grande equipe e consolidar uma dinastia histórica.

O terceiro título consecutivo seria fundamental para essa transformação.

Se conseguir levantar novamente o troféu, o PSG passará a dividir uma marca com Ajax, Bayern e Real Madrid como uma das poucas equipes capazes de conquistar três títulos europeus seguidos.

Além dos resultados, o clube também busca construir um legado através do trabalho de Luis Enrique.

A mudança de uma equipe baseada em grandes estrelas individuais para um projeto coletivo pode representar o principal ponto de transformação da história recente do PSG.

A equipe atual possui identidade, organização e jogadores jovens capazes de permanecer no clube durante vários anos.

Isso oferece ao PSG a possibilidade de prolongar seu período de sucesso.

Ainda é cedo para colocar os parisienses acima de dinastias que conquistaram títulos durante décadas ou revolucionaram a maneira como o futebol é jogado.

O Real Madrid de Di Stefano estabeleceu a primeira grande dinastia europeia. O Ajax de Cruyff revolucionou o esporte. O Bayern consolidou uma geração histórica. O Liverpool dominou uma era do futebol inglês. O Milan reuniu alguns dos maiores jogadores de sua geração. O Barcelona de Guardiola deixou uma influência que permanece até hoje.

O PSG ainda está escrevendo sua história.

Mas duas UEFA Champions League consecutivas já colocam o clube em uma posição especial. Uma terceira conquista seguida poderia transformar uma equipe vencedora em uma verdadeira dinastia.

E, caso isso aconteça, a discussão deixará de ser sobre a possibilidade de o PSG entrar entre as maiores dinastias europeias.

A pergunta passará a ser em qual posição o clube francês merece estar.

(Foto de capa: Divulgação/PSG Twitter / Jogada10)

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Kaique