Michael Carrick Manchester United
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Manchester United iguala pior início da Premier League desde 1992; confira

Sir Jim Ratcliffe provavelmente não imaginava que sua passagem pelo Manchester United começaria a enfrentar tantos problemas. Quando o empresário acertou, na véspera de Natal de 2023, o investimento de £1,25 bilhão para adquirir uma participação minoritária no clube, seu objetivo era ajudar a recuperar um gigante que estava distante de seus melhores dias.

Quase três anos depois, porém, a situação ainda está longe do cenário esperado. Sentado no camarote de Old Trafford, Ratcliffe viu o Manchester United perder por 1 a 0 para o Manchester City, que jogou com um jogador a menos desde o primeiro tempo.

O resultado aumentou a pressão sobre o clube. Além do desempenho ruim em campo, milhares de torcedores protestaram contra a direção antes e durante o clássico de Manchester.

Quando entrou no Manchester United, Ratcliffe sabia que seriam necessárias decisões difíceis para reduzir os prejuízos financeiros. Também era esperado que algumas dessas medidas fossem impopulares entre os torcedores.

A expectativa, no entanto, era de que os primeiros sinais de recuperação já começassem a aparecer. O CEO Omar Berrada chegou a falar, em setembro de 2024, sobre a ambição de conquistar a Premier League em 2028.

Pelo que o Manchester United apresentou neste início de temporada, atingir essa meta parece cada vez mais distante.

Manchester United iguala pior início da Premier League

Com a derrota para o Manchester City, o Manchester United chegou a apenas quatro pontos nas quatro primeiras rodadas da Premier League.

O número iguala o pior início do clube na competição desde a temporada 1992/93, quando a Premier League foi criada. A equipe também havia somado somente quatro pontos nas quatro primeiras partidas da temporada passada, sob o comando de Ruben Amorim.

O resultado deixa evidente a distância entre o planejamento apresentado pela direção e a realidade dentro de campo.

O clube gastou £148 milhões na última janela de transferências. Muitos torcedores, porém, consideraram o investimento insuficiente depois da melhora apresentada pelo time após a chegada de Michael Carrick no meio da temporada anterior, quando o Manchester United terminou em terceiro lugar.

Agora, além dos resultados ruins, Carrick precisa lidar com uma torcida cada vez mais insatisfeita.

Protestos contra os donos aumentam

A relação entre a torcida do Manchester United e seus proprietários já é complicada há muitos anos.

Desde a chegada da família Glazer, em 2005, torcedores realizam protestos em diferentes momentos. A aquisição do clube foi financiada por uma operação que colocou cerca de £600 milhões em dívidas sobre uma instituição que anteriormente não possuía esse tipo de débito.

Nas contas mais recentes, referentes a 31 de março, a dívida total do Manchester United chegou a £1,3 bilhão, incluindo valores de transferências ainda não pagos.

Além disso, o clube refinanciou US$425 milhões em títulos, equivalentes a cerca de £314 milhões, com uma taxa de juros maior do que a anterior. Também recebeu mais US$125 milhões, cerca de £92,4 milhões, sem explicar até o momento para que os recursos adicionais serão utilizados.

A situação financeira completa será conhecida em 23 de setembro, quando o Manchester United divulgará suas contas referentes ao período encerrado em 30 de junho de 2026.

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Investigação sobre ingressos aumenta tensão

A entrada de Ratcliffe no clube havia criado expectativa de mudança entre os torcedores. Para muitos deles, porém, a situação acabou piorando.

A insatisfação aumentou depois que o Manchester United iniciou, no verão, uma investigação relacionada à revenda de ingressos e ao compartilhamento de contas.

O clube reconheceu que havia subestimado a quantidade de torcedores que compartilhavam seus dados de acesso e diminuiu algumas das ameaças relacionadas à retirada de ingressos para quem não respondesse às solicitações.

Mesmo assim, a direção defendeu a investigação.

Na última semana, o Manchester United revelou que 685 contas de torcedores foram banidas. Outras 464 receberam sanções ou advertências.

O clube também informou que 468 casos foram encerrados depois que os torcedores apresentaram informações consideradas suficientes para explicar as atividades identificadas.

A medida, entretanto, gerou revolta entre muitos torcedores que frequentam Old Trafford.

Torcida protesta antes e durante o clássico

O jogo contra o Manchester City foi escolhido para manifestações dentro e fora do estádio.

Grandes grupos de torcedores se reuniram do lado de fora de Old Trafford, alguns utilizando sinalizadores, após um chamado do grupo 1958. Eles também passaram pelo túnel de Munique, localizado abaixo do estádio.

Dentro de Old Trafford, o grupo The Red Army decidiu não levar suas tradicionais faixas para a partida. Em vez disso, colocou apenas uma mensagem sobre o túnel dos jogadores: “The way you treat us is a disgrace” — “A maneira como vocês nos tratam é uma vergonha”.

Com isso, as únicas faixas espalhadas pelo estádio eram aquelas colocadas pelo próprio clube.

O grupo afirmou que a torcida que acompanha os jogos precisa ter sua voz ouvida e criticou a forma como os torcedores vêm sendo tratados.

Durante a partida, também foram ouvidos vários cantos direcionados a Ratcliffe e à família Glazer.

Carrick reconhece frustração dos torcedores

A derrota para o Manchester City terminou com vaias em Old Trafford. Não ficou totalmente claro se a reação estava relacionada ao desempenho da equipe ou ao lance polêmico de impedimento que confirmou a validade do segundo gol de Erling Haaland.

Para Carrick, porém, a frustração da torcida é compreensível.

“Eu definitivamente valorizo os torcedores. Queremos fazer tudo para deixá-los felizes. Eles são tudo para este clube. Nunca os considero garantidos”, afirmou o treinador.

Carrick também reconheceu que o Manchester United tem menos pontos do que gostaria neste momento.

Manchester United Carrick
Foto: AFP

O problema é que a insatisfação já não está limitada aos resultados. O clube enfrenta uma combinação de mau início na Premier League, pressão financeira e protestos cada vez maiores contra a direção.

A promessa de recolocar o Manchester United entre os grandes da Inglaterra ainda está de pé, mas o início da temporada mostra que o caminho até lá será muito mais complicado do que Ratcliffe provavelmente imaginava.

(Image: Justin Setterfield/Getty Images)