Flamengo Brasileirão 2026
Futebol Brasileirão

Flamengo mantém a liderança e dá mais uma prova de que sabe encontrar diferentes caminhos para vencer

O Flamengo não precisa vencer sempre da mesma maneira

Existe uma diferença importante entre um time que simplesmente acumula vitórias e outro que consegue encontrar soluções quando a partida exige algo diferente. O Flamengo de Leonardo Jardim começa a mostrar essa segunda característica. A vitória por 2 a 1 sobre o Corinthians, no Maracanã, manteve a equipe na liderança isolada do Brasileirão, com 57 pontos, mas o resultado vale principalmente pelo que revelou sobre a capacidade de adaptação do Rubro-Negro.

Os dois compromissos mais recentes ajudam a explicar isso. Contra o Independiente del Valle, em Quito, o Flamengo precisou ser pragmático. Criou pouco, sofreu pressão e finalizou apenas quatro vezes, mas foi extremamente eficiente para vencer por 2 a 0. Diante do Corinthians, o cenário foi praticamente oposto: a equipe tomou a iniciativa, empurrou o adversário para trás e terminou com 29 finalizações e 20 escanteios, contra nenhum do rival.

Não se trata de escolher qual dessas versões é a verdadeira. As duas fazem parte do mesmo time. E ter essa capacidade de mudar o caminho sem perder de vista o objetivo é uma qualidade valiosa em uma competição tão longa.

Contra o Corinthians, o volume demorou a virar resultado

O domínio territorial do Flamengo no Maracanã foi evidente, principalmente no primeiro tempo. O Corinthians entrou com uma escalação bastante modificada e passou boa parte da partida preocupado em defender. Com isso, o Rubro-Negro ficou constantemente perto da área adversária, acumulando cruzamentos, escanteios e finalizações.

O problema é que controlar o território não significa necessariamente transformar superioridade em vantagem no placar.

O Flamengo criou bastante, mas demorou a encontrar o gol. Lucas Paquetá apareceu no início da segunda etapa para abrir o marcador e novamente mostrou uma característica importante desde o retorno ao time titular: a capacidade de participar da construção desde trás e chegar à frente para concluir as jogadas.

Só que a vantagem não durou.

O Corinthians encontrou espaço em uma transição e Gui Negão empatou, transformando em dúvida uma partida que até então parecia caminhar para um desfecho natural. O Flamengo tinha sido superior, mas precisava novamente encontrar uma maneira de vencer.

A reação do Corinthians não desmontou o líder

É nesse momento que o resultado ganha mais peso.

Depois de sofrer o empate, o Flamengo poderia ter transformado o domínio acumulado em ansiedade. Afinal, quanto maior o número de oportunidades desperdiçadas, maior costuma ser a pressão quando o adversário consegue marcar em uma das poucas chegadas.

O Rubro-Negro, porém, continuou procurando o gol. Não abandonou o campo ofensivo e também não passou a jogar de maneira desorganizada apenas porque o roteiro havia mudado.

Jardim mexeu na equipe, e o banco acabou sendo determinante. Aos 43 minutos do segundo tempo, Joaquín Freitas encontrou Bruno Henrique com um cruzamento preciso, e o atacante decidiu de cabeça.

Bruno Henrique Flamengo
Bruno Henrique voltou a ser decisivo (Foto: Gilvan de Souza / CRF / Divulgação)

Mais do que o nome de quem marcou, chama atenção a maneira como o lance nasceu. Quando o volume não havia sido suficiente, apareceu uma jogada diferente. Quando o jogo caminhava para o empate, um jogador vindo do banco participou diretamente da solução.

É justamente isso que o título da campanha começa a explicar.

O elenco também faz parte desse repertório

Bruno Henrique continua sendo um dos jogadores mais decisivos do Flamengo e já havia aparecido em momentos importantes recentemente. Sua presença em uma partida desse tipo, portanto, não surpreende.

O mais interessante está na quantidade de alternativas que existem ao redor dele.

Paquetá pode participar da construção e chegar à área. Jorginho e Carrascal podem ajudar a recuperar o controle quando o adversário cresce. Bruno Henrique tem capacidade para decidir uma partida em poucos segundos. E jogadores que começam no banco também podem mudar o cenário quando recebem uma oportunidade.

Isso não significa que todas as soluções funcionem sempre, muito menos que o Flamengo não tenha problemas. Significa que o time não depende de uma única fórmula.

Em uma reta final de campeonato, isso pesa.

A liderança não é explicada apenas pelos números

Os números ajudam a dimensionar o momento. São 57 pontos, um a mais que o Palmeiras, além do melhor ataque do Brasileirão, com 53 gols, e do melhor saldo, de 31. A equipe também chegou à quinta vitória consecutiva na competição.

Mas a principal força do Flamengo talvez esteja justamente no que os números não mostram sozinhos.

O time consegue vencer partidas em que precisa assumir o controle e também aquelas em que precisa ser mais econômico. Em Quito, soube sofrer e aproveitar as poucas oportunidades. No Maracanã, teve de insistir, pressionar e continuar atacando depois de sofrer o empate.

Essa capacidade reduz a dependência de um roteiro específico.

Se o adversário fechar os espaços, o Flamengo pode aumentar o volume. Se encontrar dificuldade para controlar o jogo, pode explorar transições. Se o resultado estiver apertado nos minutos finais, tem jogadores capazes de decidir. E, se os titulares não resolverem, o banco pode oferecer outra alternativa.

É um repertório que se torna especialmente importante quando a temporada entra na fase decisiva.

Ainda há problemas que Jardim precisa corrigir

O bom momento não transforma o Flamengo em uma equipe perfeita. Contra o Corinthians, por exemplo, o domínio poderia ter sido convertido em uma vantagem maior antes dos minutos finais. Depois de abrir o placar, o Rubro-Negro também permitiu que o adversário encontrasse espaço para empatar em uma transição.

Esse é um ponto que merece atenção.

Uma equipe que pretende conquistar o Brasileirão não pode depender constantemente de um volume tão grande de oportunidades para marcar ou permitir que partidas sob controle ganhem novos contornos na reta final. O Flamengo tem qualidade suficiente para evitar parte desses riscos.

A diferença é que, neste momento, o time consegue compensar algumas imperfeições com outras virtudes. E isso explica por que os problemas, embora importantes, não parecem suficientes para interromper a campanha.

Ter mais de um caminho pode fazer a diferença pelo título

A disputa pelo Brasileirão tende a ficar ainda mais apertada nas próximas rodadas. O Palmeiras continua próximo, e a margem de erro será cada vez menor. Nesse cenário, depender de uma única maneira de jogar pode se transformar em uma limitação.

O Flamengo vem mostrando justamente o contrário.

Pode controlar e insistir, como fez contra o Corinthians. Pode ser pragmático e eficiente, como em Quito. Pode encontrar uma solução individual, uma jogada pelo alto ou uma contribuição decisiva de quem começa no banco. E, principalmente, tem conseguido manter a cabeça no lugar quando o adversário encontra uma resposta.

Essa talvez seja a característica que melhor define o momento da equipe de Leonardo Jardim.

O Flamengo não precisa que todos os jogos sejam perfeitos para continuar vencendo. Precisa encontrar, dentro de cada partida, uma resposta para o problema que aparece.

Contra o Corinthians, encontrou. Em Quito, também. E é essa capacidade de mudar o caminho sem perder a direção que ajuda a explicar por que o líder continua na frente.

Na reta final do Brasileirão, quando os jogos ficam mais pesados e os detalhes ganham ainda mais importância, ter diferentes maneiras de vencer pode valer tanto quanto jogar bem durante os 90 minutos.

Foto: Gilvan de Souza / CRF / Divulgação