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Futebol Libertadores

Platense 2 x 1 Fluminense: Tricolor sobrevive ao caos e avança na Libertadores

O Fluminense está na semifinal da Libertadores. A classificação, no entanto, esteve muito longe de ser tranquila. O Tricolor perdeu por 2 a 1 para o Platense nesta terça-feira (15), em Vicente López, mas levou a melhor no confronto por 3 a 2 no agregado graças à vitória por 2 a 0 no Maracanã.

Foi uma noite que expôs diferentes versões da equipe de Marcão. O primeiro tempo foi de domínio argentino e pouca resposta tricolor. Depois do intervalo, o Fluminense conseguiu ajustar o meio-campo, encontrou espaços nas transições e retomou a vantagem no confronto. Na reta final, porém, voltou a sofrer e precisou contar com Fábio para sobreviver.

O Platense engoliu o Fluminense no primeiro tempo

O plano de Martín Palermo ficou evidente desde o início. Com linhas adiantadas, muita intensidade nos duelos e superioridade numérica no meio-campo, o Platense impediu o Fluminense de jogar.

Ferreira e Barrios incomodaram Martinelli e Hércules, que tiveram dificuldades para marcar e também para oferecer uma saída limpa. Ganso ficou distante da construção e Hulk, isolado na frente, praticamente não conseguia participar das jogadas.

O time argentino também encontrou um caminho recorrente pelos lados. Mainero e Saborido exploraram o corredor direito e colocaram Renê e Soteldo sob pressão, enquanto a bola aérea se tornou uma arma constante.

A diferença territorial apareceu nos números e, principalmente, nas oportunidades. O Platense cercava a área tricolor, acumulava finalizações e obrigava Fábio a trabalhar.

O goleiro foi importante antes mesmo de sofrer o primeiro gol, mas não conseguiu evitar o 1 a 0 aos 29 minutos. Martinelli errou um passe no meio-campo, Mainero aproveitou a sobra e finalizou. A bola desviou em Hércules e enganou Fábio.

O golpe seguinte veio no fim da etapa. Mainero recebeu pela direita e cruzou para Sepúlveda, que apareceu livre atrás da defesa e cabeceou para fazer 2 a 0.

Em apenas 45 minutos, o Fluminense havia perdido toda a vantagem construída no Maracanã.

Marcão corrige o meio e muda o cenário

A resposta do Fluminense veio depois do intervalo, mas não apenas pela queda de intensidade do Platense. Marcão também alterou o funcionamento da equipe.

Soteldo passou a atuar pela direita e Canobbio foi para a esquerda. Hércules ficou mais adiantado, enquanto Ganso recuou para ajudar Martinelli na saída de bola. O camisa 10, que havia participado pouco do primeiro tempo, passou a ter muito mais contato com o jogo.

A equipe começou a circular melhor e encontrou uma forma mais eficiente de escapar da pressão argentina. O Platense, por sua vez, já não conseguia repetir o ritmo da primeira etapa. O jogo ficou mais aberto, e isso favoreceu o Fluminense.

Aos 11 minutos, a combinação entre Hulk e Canobbio apareceu no momento certo. O camisa 7 recebeu no contra-ataque e acionou o uruguaio, que atacou o espaço, venceu Vázquez e finalizou de direita.

O gol fez o Fluminense recuperar a vantagem no agregado, agora de 3 a 2, e mudou completamente o comportamento das duas equipes.

Canobbio foi a principal arma tricolor

Se o Fluminense teve dificuldades para construir pelo centro, encontrou em Canobbio uma alternativa para atacar os espaços.

O uruguaio cresceu no segundo tempo e foi o jogador mais perigoso do Tricolor nas transições. Além do gol, apareceu novamente aos 33 minutos, quando tabelou com Renê e cruzou para Hulk nas costas da defesa. O atacante chegou finalizando de primeira, mas mandou por cima.

O problema foi que o Fluminense não conseguiu transformar essa vantagem territorial nas costas da defesa em um terceiro gol.

Os espaços estavam lá. O Platense precisava se lançar ao ataque e deixava sua última linha exposta. Aos 25 minutos, Canobbio recebeu dentro da área, aplicou uma caneta, mas insistiu em um segundo drible e perdeu a bola.

Pouco depois, Hércules também teve uma oportunidade em outro contra-ataque, mas tentou uma finalização colocada de fora da área e mandou por cima. O Fluminense tinha a ferramenta para definir o confronto, mas faltou precisão na tomada de decisão.

Aos 33 minutos, Lucho Acosta entrou no lugar de Ganso, que havia melhorado consideravelmente na segunda etapa. A mudança buscava dar mais mobilidade ao ataque nos minutos decisivos.

Fábio transforma a reta final em resistência

O problema foi que o Fluminense não matou o jogo. E o Platense voltou a pressionar.

A partir dos 34 minutos, Palermo também mexeu na equipe, colocando Gauto no lugar de Mainero. Pouco depois, Zapiola recebeu livre na entrada da área e soltou uma pancada. Thiago Silva se atirou na trajetória e bloqueou a finalização.

A sequência de escanteios colocou o Fluminense novamente em situação de emergência.

Aos 36 minutos, veio o principal momento da reta final. Vázquez subiu sozinho e cabeceou à queima-roupa, mas Fábio defendeu com os pés. A sobra ficou com Mendía, que bateu novamente, e o goleiro salvou mais uma vez.

A partir dali, o jogo deixou de ser sobre controlar o adversário e passou a ser sobre resistir.

O Platense chegou a acumular quatro escanteios consecutivos aos 44 minutos e manteve o Fluminense encurralado. O Tricolor ainda teve contra-ataques à disposição, mas não conseguiu aproveitá-los.

Hulk tentou carregar uma dessas jogadas na base da força e foi desarmado. Depois, Hércules recebeu na entrada da área em outra transição e mandou por cima.

Marcão fez uma troca tripla nos minutos finais, retirando Hulk, Hércules e Canobbio para colocar Castillo, Otávio e Arana. Era a confirmação de que o objetivo, naquele momento, era proteger a vantagem e sobreviver ao abafa argentino.

Gauto ainda recebeu cartão amarelo ao interromper um contra-ataque conduzido por Lucho Acosta, mas o Platense não conseguiu encontrar o gol que levaria a decisão para os pênaltis.

O resultado não apaga a classificação, mas deixa um alerta

O Fluminense perdeu o jogo, mas venceu a eliminatória. E as duas coisas precisam ser analisadas separadamente.

A atuação do primeiro tempo foi o principal alerta. O time perdeu o meio-campo, não conseguiu escapar da pressão e sofreu demais com cruzamentos e bolas paradas. Contra um adversário de maior capacidade técnica, uma desvantagem como essa pode custar muito mais caro.

Por outro lado, a reação depois do intervalo mostrou uma equipe capaz de corrigir problemas durante a partida. Ganso passou a participar mais, o meio-campo ganhou outra dinâmica e Canobbio encontrou os espaços para ser decisivo.

Quando precisou defender a classificação, o Fluminense também teve Fábio. As duas intervenções consecutivas sobre Vázquez e Mendía foram determinantes para impedir que o Platense transformasse a pressão em empate no agregado.

A classificação não foi construída em Vicente López. Ela começou no Maracanã, com a vitória por 2 a 0, e terminou na Argentina com uma equipe que soube sobreviver quando o jogo exigiu mais resistência do que futebol.

Agora, a exigência aumenta.

Palmeiras ou LDU será o próximo desafio

O adversário do Fluminense na semifinal sairá do confronto entre Palmeiras e LDU. As equipes fazem o jogo de volta nesta quarta-feira (16), às 19h, no Casa Blanca, em Quito. O Palmeiras venceu a partida de ida por 1 a 0 e leva essa vantagem para o duelo decisivo.

O Fluminense, portanto, já garantiu seu lugar entre os quatro melhores da Libertadores e agora aguarda a definição do próximo adversário.

Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC / Divulgação