Canobbio Flumiense
Futebol Libertadores

Com Marcão, Canobbio reencontra boas atuações e se torna peça importante no Fluminense

Canobbio voltou a ser o jogador que o Fluminense esperava

Agustín Canobbio não precisava apenas voltar a fazer gols. Precisava voltar a se sentir importante. Por um período, o uruguaio carregou o peso de ter sido a contratação mais cara da história do Fluminense em valores absolutos, até a chegada de Rodrigo Castillo no início de 2026. O investimento elevado aumentou naturalmente a expectativa, mas o atacante passou por uma fase em que parecia cada vez mais distante da versão que havia convencido o clube a apostar nele.

Faltavam gols, confiança e, principalmente, a sensação de que suas características estavam sendo aproveitadas. Com Marcão, esse cenário mudou.

Canobbio recuperou a agressividade, passou a participar mais das ações ofensivas e voltou a aparecer justamente nos jogos em que o Fluminense mais precisava de jogadores capazes de assumir responsabilidade.

O gol marcado na derrota por 2 a 1 para o Platense, na Argentina, é o retrato mais recente dessa transformação. O resultado não foi o esperado, mas o Fluminense avançou à semifinal da Libertadores pelo placar agregado de 3 a 2.

Mais do que marcar, Canobbio apareceu quando o time precisava de uma resposta.

A recuperação foi construída aos poucos

Seria simplista atribuir toda a mudança ao trabalho de Marcão. O treinador encontrou um jogador que já tinha qualidade, mas precisava recuperar confiança e sequência. E Canobbio começou a responder.

O fim do jejum de gols aconteceu no empate por 3 a 3 com o Athletico-PR, justamente seu ex-clube. Depois, apareceu em uma partida de peso na vitória por 3 a 2 sobre o Palmeiras, quando deu a assistência para Hulk marcar.

Agora, veio o gol diante do Platense.

São momentos diferentes, mas que constroem a mesma narrativa: Canobbio voltou a ser decisivo.

Isso ganha ainda mais importância porque o Fluminense não pode depender de uma única referência ofensiva. Marcão tem conseguido distribuir responsabilidades, e o uruguaio passou a ser uma das peças capazes de alterar o rumo de uma partida.

Fluminense Platense
Canobbio classificou Flu na Libertadores com gol diante do Platense (Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC / Divulgação)

Os números de mata-mata mostram por que ele ganhou espaço

Há um dado que ajuda a dimensionar essa importância. Canobbio chegou a 12 participações em gols em partidas de mata-mata pelo Fluminense: nove gols e três assistências.

É uma marca que ajuda a explicar a relação do uruguaio com jogos de maior peso.

Não se trata apenas da quantidade. O contexto também importa. Canobbio tem aparecido em confrontos eliminatórios e partidas nas quais o Fluminense precisa de uma jogada capaz de mudar o cenário.

Por isso, a ideia de “homem das copas” começa a ganhar sustentação.

Canobbio parece crescer quando a partida ganha outro nível de tensão. E um Fluminense que chegou à semifinal da Libertadores vai precisar justamente de jogadores capazes de lidar com esse ambiente.

Marcão encontrou uma arma que combina com o Fluminense

Uma das características do Fluminense de Marcão tem sido recuperar jogadores e encontrar novas formas de utilizar o elenco. Canobbio é um dos melhores exemplos.

O uruguaio oferece algo difícil de substituir: intensidade. Ataca espaços, pressiona a saída adversária, acelera as jogadas e consegue aparecer na área. Quando está confiante, acrescenta ainda mais capacidade de decisão.

É um perfil que combina com uma equipe que precisa competir em diferentes contextos.

Contra o Platense, o Fluminense sofreu, precisou resistir e teve de lidar com momentos em que a classificação esteve ameaçada. Nesse tipo de partida, jogadores capazes de transformar uma oportunidade em gol ganham ainda mais valor.

Canobbio foi exatamente esse jogador.

A redenção ganhou ainda mais peso pelo que aconteceu antes

Existe também um componente emocional nessa história. Canobbio havia sido expulso no jogo de volta das oitavas de final contra o Independiente Rivadavia. O episódio poderia ter pesado sobre sua sequência na competição.

A resposta veio dentro de campo. O atacante encerrou o jejum, participou de uma vitória importante sobre o Palmeiras e agora marcou na partida que confirmou a classificação do Fluminense para a semifinal da Libertadores.

Depois do jogo na Argentina, ainda demonstrou liderança ao dedicar a conquista à memória de Paulo Angioni, diretor de futebol recentemente falecido.

É uma sequência que mostra como o futebol pode mudar rapidamente a percepção sobre um jogador.

Há pouco tempo, Canobbio era lembrado principalmente pelo alto investimento e pela cobrança que naturalmente o acompanhava. Agora, chega à reta decisiva da temporada como uma peça que o Fluminense pode procurar quando precisa de resposta.

O Fluminense ganhou uma peça para os jogos que importam

A classificação para a semifinal da Libertadores muda também a perspectiva sobre Canobbio. O Fluminense terá pela frente Palmeiras ou LDU, e os jogos dessa fase exigirão jogadores capazes de lidar com pressão, intensidade e momentos de decisão.

Canobbio já mostrou que pode cumprir esse papel.

Isso não significa que tenha resolvido todos os problemas do ataque ou que esteja acima dos demais jogadores do setor. Significa algo mais importante: Marcão recuperou uma alternativa que o Fluminense precisava ter.

O uruguaio deixou de ser apenas um jogador caro do elenco. Virou uma peça útil, decisiva e cada vez mais integrada à identidade do time. E talvez essa seja a verdadeira redenção de Canobbio.

Não apenas voltar a marcar gols, mas fazer o Fluminense voltar a enxergá-lo como solução quando a partida exige coragem, intensidade e decisão. Nos mata-matas, pelo menos, os números já contam essa história: nove gols, três assistências e 12 participações em gols.

Agora, Canobbio terá a chance de escrever os próximos capítulos.

Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC / Divulgação