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Real Madrid precisa controlar melhor os jogos para evitar sustos na temporada

O Real Madrid começou a temporada 2026/27 com resultados positivos, mas também apresentou um problema que vem se repetindo em diferentes partidas: a dificuldade para controlar jogos nos quais abre vantagem. A equipe comandada por José Mourinho tem conseguido criar oportunidades, marcar gols e conquistar vitórias importantes, porém nem sempre consegue manter o domínio até o apito final.

O duelo contra o Elche foi o exemplo mais recente dessa situação. O Real Madrid abriu 2 a 0 ainda no primeiro tempo, com um gol contra após cobrança de falta de Arda Guler e outro de Kylian Mbappé, que aproveitou cruzamento de Yan Diomande. A partida parecia resolvida, principalmente porque o adversário estava próximo da parte inferior da tabela da La Liga.

No segundo tempo, entretanto, o cenário mudou completamente. O Elche diminuiu com Abiel Osorio aos 71 minutos e empatou pouco depois, com Fer Niño. O Real Madrid deixou de controlar o ritmo, permitiu que o adversário ganhasse confiança e precisou contar com Carlos Espí, que saiu do banco de reservas para marcar nos acréscimos e garantir a vitória.

A reação do Elche não foi um caso isolado. Nas primeiras semanas da temporada, o time espanhol já havia apresentado dificuldades semelhantes em outros confrontos. Por isso, Mourinho classificou o problema como “óbvio” e apontou a falta de capacidade para definir as partidas quando surgem oportunidades claras.

Real Madrid cria chances, mas não mata os jogos

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Foto: Antonio Villalba (Elche)

O principal ponto levantado por Mourinho é que o Real Madrid tem produzido chances suficientes para resolver as partidas com antecedência. Segundo o treinador, a equipe costuma criar três, quatro ou até cinco oportunidades quando já está em vantagem, mas não consegue transformar esse volume em mais gols.

Essa dificuldade faz com que partidas aparentemente tranquilas permaneçam abertas. Quando o adversário consegue marcar, a confiança muda de lado e o Real Madrid passa a enfrentar um cenário mais complicado do que o esperado.

Os números da temporada ajudam a entender que o problema não está necessariamente na criação ofensiva. O Real Madrid apresenta o maior índice de gols esperados da La Liga, com 17,73 xG. A métrica calcula a qualidade das chances criadas e indica quantos gols uma equipe poderia marcar considerando as finalizações que produziu.

Além disso, o Madrid é o time que mais acertou a trave na competição, com nove bolas no poste. Esse dado mostra que a equipe consegue chegar ao ataque e finalizar com frequência, embora nem sempre tenha a precisão ou a sorte necessárias para ampliar a vantagem.

Kylian Mbappé também continua sendo uma referência importante. O francês começou a temporada com sete gols em seis partidas, demonstrando que o setor ofensivo possui um jogador capaz de decidir jogos. A derrota para o Real Betis foi apontada como uma das poucas atuações abaixo do esperado do atacante.

Por isso, a análise indica que o Real Madrid não enfrenta uma crise de produção ofensiva. A equipe cria, finaliza e conta com jogadores de qualidade. O problema aparece principalmente depois que o time consegue abrir vantagem, quando precisa controlar melhor a partida e impedir que o adversário volte a competir.

O confronto contra o Espanyol, na estreia, já havia sido dramático. Depois, o Real Madrid teve vitórias mais confortáveis contra Real Sociedad e Málaga, mas sofreu uma derrota inesperada diante do Betis, mesmo acumulando 3,46 xG.

Na estreia da UEFA Champions League contra a Inter de Milão, o Madrid também abriu 2 a 0 no primeiro tempo, mas permitiu que os italianos voltassem ao jogo após o intervalo. A vitória por 2 a 1 foi importante, mas a atuação provocou vaias e assobios no Santiago Bernabéu.

Contra o Rayo Vallecano, o time venceu por 4 a 1, mas também sofreu com uma queda de rendimento no segundo tempo. O adversário conseguiu ganhar espaço antes de Mbappé marcar nos minutos finais e afastar definitivamente o risco de uma reação.

Posse de bola e meio-campo são pontos de atenção

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Foto: Getty Images

A dificuldade para controlar os jogos também pode estar relacionada à posse de bola e ao funcionamento do meio-campo. O Real Madrid ocupa apenas a terceira posição da La Liga nesse quesito, com média de 54,6%.

Barcelona e Villarreal aparecem à frente, com 68,5% e 61% de posse, respectivamente. Os números não significam que ter mais a bola garante uma vitória, mas mostram que o Real Madrid ainda não domina o ritmo das partidas como se esperaria de uma equipe com seu elenco e investimento.

Nos confrontos contra Elche e Inter de Milão, essa diferença ficou ainda mais evidente. O Madrid teve apenas 44% de posse diante do Elche e 36% contra a Inter.

Em ambos os casos, a equipe abriu vantagem, mas perdeu o controle em determinados momentos e permitiu que os adversários atacassem com mais frequência.

Mourinho também vem alternando jogadores na defesa e no meio-campo. Essa rotação pode ser necessária para encontrar a melhor formação, mas também dificulta a criação de entrosamento. Os atletas ainda precisam entender melhor suas funções e se adaptar às ideias do treinador.

O ponto mais delicado está na ausência de um meio-campista capaz de controlar o ritmo da partida desde uma posição mais recuada. Essa necessidade continua sendo discutida pelo terceiro ano consecutivo. Sem um jogador com esse perfil, o Real Madrid pode ter mais dificuldade para desacelerar o jogo quando está vencendo ou para manter a posse diante de uma pressão adversária.

O time possui qualidade para atacar rapidamente, mas nem sempre consegue alternar velocidade e controle. Em alguns momentos, continua buscando o gol quando seria mais importante administrar a vantagem, trocar passes e fazer o adversário correr atrás da bola.

A proximidade do clássico de Madrid aumenta a pressão sobre a equipe. O duelo terá um ambiente mais intenso e poderá mostrar se o Real Madrid consegue corrigir esse comportamento contra um adversário de maior exigência.

A solução não depende apenas de marcar mais gols. O Madrid precisa aproveitar melhor as chances que cria, reduzir os espaços concedidos e controlar o ritmo depois de abrir vantagem. Caso consiga melhorar esses aspectos, poderá transformar vitórias nervosas em resultados mais seguros.

O início da temporada ainda oferece tempo para ajustes, mas os jogos contra Espanyol, Inter de Milão, Rayo Vallecano e Elche mostram que o problema já aparece com frequência. Para Mourinho, o desafio será fazer com que o Real Madrid continue sendo uma equipe agressiva no ataque sem perder o controle das partidas.

(Foto de capa: Antonio Villalba (Elche)

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Kaique