O Barcelona começou a temporada 2026/27 em um ritmo que poucos clubes conseguem acompanhar. Com seis vitórias em seis partidas de La Liga e 28 gols marcados, a equipe de Hansi Flick assumiu a liderança do campeonato e mostrou novamente sua força ofensiva. Na UEFA Champions League, o início também foi positivo, com uma goleada por 5 a 1 sobre o Feyenoord.
Por isso, qualquer problema físico envolvendo um jogador importante naturalmente gera preocupação. Quando Joan García deixou o campo no intervalo da goleada por 7 a 2 sobre o Racing Santander, o Barcelona ganhou um motivo para ficar alerta. O goleiro espanhol é uma peça importante no modelo de jogo de Flick, principalmente porque a equipe atua de maneira agressiva e deixa espaços que precisam ser protegidos por um jogador capaz de reagir rapidamente às finalizações.
A boa notícia para o clube é que o problema não deve ser tão grave quanto inicialmente poderia parecer. García sofreu um edema ósseo no joelho direito e a previsão é de aproximadamente três semanas de afastamento. Com a Data Fifa chegando, o impacto da ausência tende a ser limitado.
Joan García é importante para o sistema de Hansi Flick

A importância de García não está apenas relacionada à capacidade de fazer defesas. O Barcelona joga de maneira muito agressiva, mantém a linha defensiva adiantada e tenta recuperar a bola rapidamente. Esse estilo exige que o goleiro esteja preparado para lidar com situações de perigo em pouco espaço de tempo.
Quando o Barcelona perde a bola, os adversários podem encontrar espaços nas costas da defesa. Por isso, o goleiro precisa ter bom posicionamento, capacidade de leitura e segurança para atuar fora da pequena área quando necessário.
García mostrou essas características na temporada passada. Em 2025/26, terminou La Liga com 77,9% de defesas e 10,2 gols evitados. Os números ajudam a explicar por que o Barcelona considera o espanhol uma peça importante.
A estatística de gols evitados é especialmente relevante porque tenta medir quantos gols um goleiro impediu em comparação com a qualidade das finalizações que enfrentou. Os 10,2 gols evitados indicam que García teve um impacto significativo além do número bruto de defesas.
Nesta temporada, porém, seus números estão um pouco abaixo. García passou de 2,5 para 2,0 defesas por 90 minutos. Isso não significa necessariamente uma queda de desempenho. Uma das explicações possíveis é justamente o domínio que o Barcelona vem exercendo sobre seus adversários.
Se uma equipe controla mais a posse, cria mais chances e passa menos tempo sendo pressionada, seu goleiro naturalmente terá menos trabalho. O Barcelona marcou 28 gols nas seis primeiras partidas de La Liga, uma média de aproximadamente 4,7 gols por jogo. Esse nível de domínio ajuda a entender por que García não precisou realizar tantas defesas.
Mesmo assim, a presença de um goleiro confiável continua sendo fundamental para o estilo de Flick. Uma equipe que joga tão adiantada pode sofrer poucas chances durante uma partida, mas as oportunidades concedidas tendem a ser perigosas quando aparecem.
Szczesny ou Livakovic? Flick tem uma decisão importante

A lesão de García abre espaço para uma disputa interessante no gol. O Barcelona conta atualmente com Szczesny e Dominik Livakovic como alternativas.
Szczesny possui a vantagem da experiência e já conhece completamente os métodos de Flick. O polonês esteve no clube anteriormente e entende como o Barcelona trabalha desde a saída de bola até a organização defensiva. Essa familiaridade pesa na decisão do treinador.
Livakovic, por outro lado, chegou ao clube nesta temporada depois de defender o Fenerbahçe. O Barcelona pagou 2,3 milhões de dólares pela contratação do goleiro croata, que também é titular da seleção da Croácia.
O problema é que Livakovic ainda está se adaptando ao modelo de jogo do Barcelona. Para um goleiro, essa adaptação pode ser especialmente importante. Não basta saber defender finalizações. É necessário entender quando sair da área, como participar da construção das jogadas e como se posicionar quando a defesa está muito avançada.
Flick deixou claro que considera Szczesny mais preparado neste momento. O treinador também afirmou que Livakovic está pronto para jogar, mas ainda está conhecendo a filosofia da equipe.
Existe ainda um detalhe que pode pesar contra Szczesny: seu erro contra o Racing. Depois de substituir García, o polonês cometeu uma falha que contribuiu para o segundo gol do adversário. Mesmo assim, o erro não parece ter mudado completamente a avaliação de Flick.
O próximo compromisso contra o Sevilla será importante justamente porque representa um teste mais complicado para o Barcelona. O adversário começou bem a temporada e jogará diante de sua torcida. Além disso, o Barcelona terá de lidar com a ausência de seu goleiro titular.
Apesar disso, o momento do calendário joga a favor do clube. García deve perder apenas o confronto contra o Sevilla antes da pausa para os jogos internacionais. O Barcelona só volta a campo em 10 de outubro, contra o Getafe, o que oferece tempo para o goleiro se recuperar.
A situação também poderia ser muito pior caso a lesão estivesse localizada no joelho esquerdo. García passou por uma cirurgia nessa região há aproximadamente um ano e ficou fora de nove partidas. O problema atual está no joelho direito, reduzindo a preocupação com uma possível reincidência.
Por isso, embora a ausência de Joan García seja um problema para Flick, não representa uma ameaça imediata à excelente arrancada do Barcelona. A equipe tem alternativas no elenco, conta com uma pausa internacional logo depois e deve recuperar seu goleiro titular em poucas semanas.
O desafio será manter o mesmo nível de desempenho enquanto ele estiver fora. Com 28 gols em seis jogos de La Liga e uma vitória por 5 a 1 na estreia da UEFA Champions League, o Barcelona construiu uma margem importante para atravessar esse pequeno período de dificuldade sem comprometer seu início de temporada.
(Foto de capa: Getty Images)



