O Manchester United deixou o Craven Cottage com um empate por 1 a 1 contra o Fulham, mas o resultado não foi suficiente para esconder os problemas apresentados pela equipe. O gol de Matheus Cunha aos 89 minutos evitou uma nova derrota na Premier League, porém a atuação voltou a levantar dúvidas sobre o momento do time comandado por Michael Carrick.
O resultado ganhou ainda mais peso porque aconteceu poucos dias depois da eliminação diante do Brighton na Carabao Cup. Além disso, o United já havia perdido para o Manchester City na rodada anterior da Premier League. Com apenas cinco pontos conquistados em cinco partidas, a equipe igualou seu segundo pior início na competição desde a temporada 1992/93, repetindo a pontuação registrada em 2014/15.
Agora, o calendário oferece um período de três semanas sem partidas por causa da Data Fifa. Para Carrick, a pausa representa uma oportunidade importante para reorganizar a equipe, corrigir problemas de intensidade e encontrar maneiras de transformar boas sequências de jogo em resultados mais consistentes.
United demora para reagir e sofre com falta de intensidade

O principal problema apresentado pelo Manchester United diante do Fulham foi a maneira como a equipe iniciou o segundo tempo. O time perdeu intensidade, passou a circular menos a bola e teve dificuldades para pressionar o adversário.
A diferença física também chamou atenção. Aos 73 minutos, o Fulham havia percorrido aproximadamente 7 quilômetros a mais do que o United. O número ajuda a explicar uma das principais críticas feitas durante a partida: enquanto os jogadores do Fulham demonstravam maior intensidade na disputa pela bola, muitos atletas do United pareciam apenas acompanhar as jogadas.
Gary Neville, comentarista da Sky Sports e ex jogador do Manchester United, classificou os primeiros 15 minutos do segundo tempo como os “piores” que já havia visto de uma equipe do clube desde que começou a acompanhá lo, em 1980. A declaração mostra o tamanho da preocupação com aquele período específico da partida.
O problema é que o United mostrou capacidade para reagir depois de sofrer o gol. Nos minutos finais, a equipe aumentou a pressão e criou mais situações perigosas. Bernd Leno terminou a partida com cinco defesas, sendo três delas realizadas depois que o Fulham abriu o placar.
O gol de Cunha aos 89 minutos foi justamente consequência dessa mudança de postura. O brasileiro recebeu espaço para finalizar de longa distância e contou com um desvio em David Affengruber para vencer Leno.
O lance garantiu um ponto ao United, mas também deixou uma questão importante para Carrick: por que a equipe precisou sofrer para finalmente apresentar a intensidade demonstrada no fim da partida?
Lammens e Rashford mostram problemas diferentes

Senne Lammens também teve participação importante na partida. O goleiro fez quatro defesas somente no primeiro tempo e evitou gols de Joshua King e Sander Berge em um intervalo de poucos minutos.
Apesar disso, o gol do Fulham trouxe novamente uma discussão sobre a atuação do belga. Lammens defendeu o primeiro chute de Calvin Bassey, mas espalmou a bola para uma zona perigosa. Na sequência, o chute acabou desviando em Lisandro Martínez e terminou dentro do gol.
O goleiro poderia ter reagido de maneira diferente no lance, mas os números mostram que sua atuação geral não foi ruim. De acordo com os dados do FotMob, Lammens evitou 1,48 gol esperado do Fulham e terminou com a maior avaliação entre os jogadores das duas equipes.
Isso mostra como uma partida pode ser definida por detalhes. Um goleiro pode apresentar bons números durante quase todo o jogo e ainda assim participar de um lance que resulta diretamente em um gol adversário.
Na frente, a situação de Marcus Rashford também merece atenção. O atacante participou bastante das ações ofensivas. Em 77 minutos, teve 10 toques dentro da área adversária, o maior número da partida, além de seis finalizações. Também apresentou 89% de precisão nos passes e criou quatro oportunidades.
O problema está na efetividade dessas ações. Seu xG foi de apenas 0,34, enquanto o xA ficou em 0,14. Mais importante ainda, Rashford chegou à sexta aparição na temporada 2026/27, acumulando 435 minutos em todas as competições, sem marcar gols ou registrar assistências.
Isso não significa que sua participação tenha sido inútil. O atacante pode contribuir de outras maneiras, principalmente criando espaços, carregando a bola e participando da construção ofensiva. Porém, para um jogador com responsabilidade direta no ataque, a ausência de gols e assistências começa a ganhar importância quando se acumula uma sequência de partidas.
A Data Fifa vira oportunidade para Carrick

O empate deixou o Manchester United na 12ª posição da Premier League, com cinco pontos em cinco rodadas. A equipe agora terá três semanas até voltar a campo, quando enfrentará o Tottenham Hotspur em 10 de outubro.
Esse intervalo pode ser importante para Carrick trabalhar principalmente a consistência da equipe. O United já mostrou capacidade para produzir bons momentos, mas tem encontrado dificuldades para manter o nível durante os 90 minutos.
A sequência recente deixa isso evidente. Depois da derrota para o Manchester City, o time sofreu diante do Brighton na Carabao Cup e novamente teve problemas contra o Fulham. Ao mesmo tempo, conseguiu reagir nos minutos finais no Craven Cottage e evitar uma derrota que aumentaria ainda mais a pressão.
O desafio será transformar essa reação em padrão de jogo. Contra o Fulham, o United percorreu aproximadamente 7 quilômetros a menos até os 73 minutos, mas terminou pressionando o adversário. A diferença entre esses dois momentos resume boa parte das dificuldades atuais da equipe.
Com três semanas de preparação, Carrick terá tempo para trabalhar a intensidade, a pressão sem bola, a produção ofensiva e a eficiência dos principais jogadores. Rashford precisa transformar participação em números decisivos, enquanto Lammens terá de recuperar segurança depois de um erro que acabou sendo determinante.
O empate com o Fulham, portanto, não representa apenas dois pontos perdidos ou um ponto conquistado. Ele expõe uma equipe que ainda busca encontrar estabilidade e que terá a Data Fifa como período de preparação para tentar recuperar o nível apresentado na temporada passada.
(Foto de capa: Getty Images)



