Futebol Premier League

Wirtz ainda não encaixou, e Liverpool precisa pensar em alternativas; confira quem pode ser

A vitória por 1 a 0 sobre o Bournemouth manteve o Liverpool invicto no início da temporada, mas não conseguiu esconder uma questão que começa a ganhar espaço em Anfield.

Florian Wirtz ainda está longe de justificar o investimento feito pelo clube. Contratado do Bayer Leverkusen por € 125 milhões no verão europeu de 2025, o alemão chegou com status de principal referência criativa para o futuro dos Reds, mas, mais de um ano depois, sua adaptação à Premier League continua incompleta. A atuação apagada diante do Bournemouth recolocou o debate em outro patamar e fez surgir uma pergunta que até pouco tempo parecia improvável: o Liverpool precisa encontrar uma maneira diferente de utilizar Wirtz ou começar a pensar em uma alternativa?

A discussão ganhou força depois das críticas de Jamie Carragher após a partida. O ex-zagueiro afirmou que Wirtz teve uma de suas piores atuações pelo Liverpool e questionou sua capacidade de influenciar o jogo. A crítica não se baseia apenas em uma partida: Wirtz terminou sua primeira temporada com cinco gols e três assistências na Premier League e, no começo de 2026/27, ainda não conseguiu assumir o protagonismo esperado. Nos quatro primeiros jogos do campeonato, somava apenas uma assistência, enquanto passou em branco nas demais estatísticas ofensivas mais importantes.

O problema de Wirtz é maior do que números

É tentador transformar a discussão em uma simples questão de gols e assistências, principalmente porque o valor da transferência criou uma expectativa enorme sobre o jogador. Mas o problema de Wirtz no Liverpool parece estar justamente naquilo que acontece antes do último passe ou da finalização.

O alemão chegou a Anfield como um meia capaz de receber entre linhas, conduzir, acelerar ataques e criar superioridades em zonas centrais. No Liverpool atual, entretanto, essas características ainda aparecem de maneira irregular. Wirtz frequentemente participa da circulação, mas tem dificuldade para transformar essa participação em ações que alterem o comportamento da defesa adversária.

A partida contra o Bournemouth foi particularmente complicada. O Liverpool venceu, mas teve dificuldades para construir ofensivamente e terminou com apenas seis finalizações no alvo. O gol de Alexander Isak salvou uma atuação pouco convincente, enquanto Wirtz voltou a ter uma participação discreta. Ainda assim, sua contribuição na construção do lance do gol mostra por que a situação não pode ser resumida à ideia de que o jogador simplesmente “não funciona”: existe talento e existem momentos de influência, mas falta regularidade.

Esse é justamente o dilema que Iraola terá de resolver. O treinador espanhol assumiu o Liverpool em uma temporada de grandes expectativas e ainda está tentando encontrar o equilíbrio entre os jogadores ofensivos que recebeu. A equipe permanece invicta, mas acumulou três empates em cinco rodadas da Premier League, um início que revela que o problema coletivo vai além de um único jogador.

Iraola precisa decidir como usar Wirtz

A chegada de Iraola poderia representar uma espécie de recomeço para Wirtz. Um novo treinador normalmente abre espaço para novas funções, novas movimentações e diferentes formas de ocupar o campo. Até agora, porém, isso não produziu a transformação esperada.

O mais importante para Iraola talvez seja descobrir se Wirtz precisa necessariamente ser o principal articulador do time ou se pode funcionar melhor em uma estrutura que diminua sua responsabilidade de criação. O Liverpool possui outros jogadores capazes de assumir esse papel, como Dominik Szoboszlai, Alexis Mac Allister e Ryan Gravenberch, além de uma linha ofensiva que ganhou novas peças com Alexander Isak e Bradley Barcola. A própria lista oficial do elenco mostra a quantidade de opções que o treinador possui para reorganizar o setor.

A crítica de Carragher, portanto, pode ser interpretada menos como um pedido para simplesmente abandonar Wirtz e mais como um alerta sobre a necessidade de modificar o funcionamento do meio-campo. O ex-jogador defendeu que Wirtz não deveria começar a próxima partida contra o Manchester City, argumentando que o Liverpool precisa encontrar uma configuração mais equilibrada.

Isso coloca Iraola diante de uma decisão delicada. Sacar Wirtz pode reduzir a pressão imediata e permitir que o Liverpool teste uma estrutura diferente, mas também significaria afastar temporariamente um jogador contratado por uma cifra gigantesca e que ainda está sob contrato de longo prazo. A questão não é simplesmente escolher entre Wirtz e outro jogador: é descobrir qual versão do Liverpool consegue extrair o máximo de cada peça.

Josh King representa outro perfil

É nesse contexto que Josh King aparece como um nome interessante. O jovem meia do Fulham não possui o currículo de Wirtz, tampouco chega perto de seu valor de mercado ou experiência internacional. A comparação, portanto, não deve ser feita como se os dois jogadores estivessem no mesmo estágio de carreira.

King tem apenas 19 anos e está construindo sua primeira sequência relevante na Premier League. Ainda assim, o início da temporada chama atenção. Ele marcou duas vezes nas primeiras cinco rodadas e acumulou sete finalizações no alvo, além de aparecer constantemente em zonas avançadas. Contra o próprio Liverpool, em setembro, foi um dos jogadores mais ativos do Fulham ofensivamente, com quatro finalizações e duas no alvo.

A diferença de perfil também é importante. King oferece energia, agressividade para atacar espaços e disposição para chegar à área. Não se trata necessariamente de um substituto direto de Wirtz, mas de um jogador que poderia proporcionar uma dinâmica diferente a um meio-campo que ainda procura equilíbrio.

O desenvolvimento também não começou agora. King participou de 32 dos 38 jogos do Fulham na Premier League na temporada passada e chegou a ser convidado para treinar com a seleção principal da Inglaterra antes da Copa do Mundo de 2026. Thomas Tuchel voltou a destacá-lo recentemente, explicando que o jovem continua no radar da seleção, embora tenha ficado fora da convocação principal para a atual Data Fifa.

No entanto, a sugestão de vender Wirtz e investir em King é uma possibilidade de mercado, mas não necessariamente precisa ser a primeira resposta do Liverpool.

O alemão ainda tem 23 anos e está inserido em um elenco que passou por mudanças importantes. A temporada 2026/27 também está apenas começando. Uma sequência ruim não elimina automaticamente tudo o que Wirtz produziu no futebol alemão, onde se tornou uma das principais referências ofensivas de sua geração.

Por outro lado, o Liverpool não pode continuar tratando o período de adaptação como uma justificativa permanente. O jogador já acumula mais de um ano no futebol inglês, e a cobrança naturalmente aumenta conforme a distância entre expectativa e produção permanece grande.

A grande questão para Iraola será encontrar uma maneira de fazer Wirtz participar mais do jogo sem transformar toda a estrutura ofensiva em uma dependência do alemão. Se isso acontecer, o Liverpool pode recuperar um ativo esportivo de enorme valor sem precisar recorrer imediatamente ao mercado.

Se não acontecer, nomes como Josh King passam a ganhar relevância justamente por oferecerem algo diferente. O jovem do Fulham ainda precisa provar que consegue sustentar esse nível por uma temporada inteira, enquanto Wirtz precisa mostrar que consegue transformar seu talento em impacto consistente na Premier League.

Por enquanto, portanto, a discussão não deveria ser simplesmente sobre quem é melhor. Ela revela dois caminhos possíveis para o Liverpool: insistir na adaptação de um investimento recorde ou buscar, no mercado, um jogador com características capazes de modificar a dinâmica do time.

O próximo período será importante para essa definição. Depois do Bournemouth, Liverpool terá uma sequência pesada pela frente, com Manchester City, Arsenal, Brentford e Brighton no calendário da Premier League. Será nesse ambiente, contra adversários de alto nível e com a pressão aumentando, que Iraola terá de descobrir se Wirtz será parte central da solução ou se o Liverpool precisará começar a procurar uma nova peça para ocupar esse espaço.

(Foto: Getty Images)