Pedro e Arrascaeta Flamengo
Futebol Brasileirão

Flamengo terá de sobreviver a uma reta final com pressão de todos os lados no Brasileirão

O Flamengo chegou à reta final na liderança, mas não terá caminho simples

O Flamengo chega às últimas 10 rodadas do Campeonato Brasileiro na posição que qualquer equipe gostaria de ocupar: na liderança. São 60 pontos, três a mais que o Palmeiras, segundo colocado. A vantagem existe, mas está longe de ser suficiente para transformar a reta final em uma caminhada tranquila.

O que torna o cenário ainda mais interessante é a variedade dos adversários que aparecem pelo caminho. Santos, Fluminense, Bahia, Atlético-MG, Vasco, Grêmio, Athletico-PR, Palmeiras, Coritiba e Chapecoense estão no roteiro do Flamengo até o fim do campeonato.

Não existe um único tipo de jogo nessa sequência.

Haverá clássico. Haverá confronto contra equipes que também brigam na parte de cima. Haverá adversários pressionados pela luta contra o rebaixamento. E haverá o jogo que pode concentrar toda a tensão da disputa pelo título: Palmeiras x Flamengo.

É por isso que o líder terá de lidar com uma pressão que virá de todos os lados.

Os clássicos vão testar a capacidade de jogar sob pressão

A primeira característica dessa reta final é a quantidade de partidas em que o contexto emocional pode pesar tanto quanto a parte técnica.

Fluminense e Vasco estarão no caminho do Flamengo.

O clássico contra o Fluminense acontece no Maracanã, pela 30ª rodada. Pouco mais de duas semanas depois, o Flamengo visita o Vasco. São partidas em que a classificação dos adversários pode até ser diferente, mas o peso do confronto não costuma respeitar tabela.

E isso pode se tornar ainda mais importante quando existe uma disputa pelo título em andamento.

O Flamengo não poderá entrar em campo pensando apenas no Palmeiras. Precisará resolver cada clássico como um problema independente.

Contra o Fluminense, haverá também o componente de enfrentar uma equipe que está na parte de cima da tabela. Contra o Vasco, a pressão poderá ser de outra natureza, especialmente se o rival ainda estiver envolvido na luta contra a parte inferior.

São jogos que exigem controle emocional.

O líder não pode transformar a necessidade de vencer em ansiedade. Também não pode permitir que a condição de favorito produza desconcentração.

Bahia, Athletico e Atlético-MG representam outro tipo de dificuldade

Se os clássicos trazem rivalidade, outros confrontos exigirão do Flamengo uma capacidade diferente: enfrentar equipes que também possuem objetivos importantes na temporada.

Bahia e Athletico aparecem nessa reta final como adversários que já demonstraram capacidade para disputar posições relevantes no campeonato. O Fluminense também está nesse grupo.

O Atlético-MG, por sua vez, está em uma situação diferente, mas possui elenco e contexto suficientes para transformar um jogo no Maracanã em uma partida de alto nível.

Esses confrontos mostram que a reta final não será formada apenas por jogos em que o Flamengo terá de controlar adversários fechados.

Em determinados momentos, Leonardo Jardim terá de preparar a equipe para disputar território, intensidade e posse contra times que também têm argumentos para jogar. É justamente aí que a liderança será colocada à prova.

Não basta ter mais qualidade. O Flamengo terá de transformar essa qualidade em pontos mesmo quando o adversário também tiver condições de competir.

Os jogos contra os ameaçados pelo Z-4 podem esconder as maiores armadilhas

Existe ainda um terceiro grupo que pode ser tão perigoso quanto os confrontos diretos.

Grêmio, Vasco e Chapecoense podem chegar à reta final pressionados pela necessidade de pontuar para escapar da parte inferior da tabela.

E esse tipo de jogo costuma apresentar uma dificuldade específica para quem está brigando pelo título. O adversário não precisa necessariamente jogar melhor. Precisa transformar cada lance em uma disputa.

Uma equipe ameaçada pelo rebaixamento pode aceitar passar longos períodos sem a bola, defender mais baixo, diminuir os espaços e esperar uma oportunidade para atacar. Para o Flamengo, isso significa ter paciência e, ao mesmo tempo, evitar que o domínio territorial vire acomodação.

O risco está justamente aí. Quando o líder enfrenta um adversário que precisa desesperadamente de pontos, a expectativa de vitória pode pesar mais sobre quem está no topo.

O Flamengo terá de lidar com partidas nas quais qualquer tropeço será imediatamente comparado ao resultado do Palmeiras.

A liderança também cria uma pressão que não existia antes

Esse talvez seja o aspecto mais importante da análise. O Flamengo não está apenas perseguindo um título. Está tentando defender uma liderança.

A diferença para o Palmeiras é de três pontos. A partir de agora, cada rodada ganha uma leitura diferente: uma vitória pode ampliar a vantagem; um empate pode permitir a aproximação; uma derrota pode mudar completamente o cenário.

É uma pressão que aumenta conforme o campeonato se aproxima do fim. E existe uma particularidade importante: o Flamengo ainda precisa enfrentar o Palmeiras.

O confronto direto está marcado para a 36ª rodada, na casa do rival. Existe, portanto, a possibilidade de o campeonato chegar a esse jogo ainda aberto, fazendo com que a partida tenha um peso muito maior do que os três pontos de uma rodada comum.

Até lá, o Flamengo terá de fazer algo que parece simples, mas será decisivo: continuar chegando vivo.

O jogo contra o Palmeiras pode ser consequência de tudo o que vier antes

É tentador tratar Palmeiras x Flamengo como a partida que definirá o campeão. Mas o problema está justamente em chegar até lá.

Antes do confronto direto, o Flamengo terá de enfrentar Santos, Fluminense, Bahia, Atlético-MG, Vasco, Grêmio e Athletico-PR, entre outros. O Palmeiras também terá sua própria sequência de jogos e precisará administrar seus compromissos.

Por isso, o duelo da 36ª rodada será consequência do que acontecer nas semanas anteriores.

Se o Flamengo conseguir preservar ou ampliar a vantagem, chegará ao confronto com outra margem de segurança. Se permitir que o Palmeiras se aproxime, o jogo ganhará ainda mais peso.

A liderança atual, portanto, não pode ser encarada como um colchão. É uma vantagem que precisa ser administrada.

Leonardo Jardim terá de encontrar respostas diferentes para problemas diferentes

Essa talvez seja a principal característica da reta final do Flamengo.

Não haverá uma fórmula única.

Em determinados jogos, a equipe precisará propor. Em outros, talvez precise ser mais paciente. Haverá clássicos em que o aspecto emocional terá peso maior. Haverá confrontos contra equipes da parte de cima em que a intensidade será fundamental. E haverá partidas contra adversários ameaçados pelo rebaixamento nas quais o Flamengo terá de conviver com a obrigação de controlar o jogo.

A capacidade de adaptação de Leonardo Jardim será colocada à prova.

O Flamengo já demonstrou durante a temporada que consegue vencer de maneiras diferentes. Agora, precisará transformar esse repertório em regularidade justamente no período em que cada ponto começa a valer mais.

Porque não será suficiente jogar bem em seis ou sete desses dez jogos.

A disputa pelo título pode ser decidida justamente nos momentos em que o líder não conseguir apresentar sua melhor versão.

O Flamengo não precisa vencer todos os jogos, mas precisa sobreviver a todos eles

A reta final do Brasileirão coloca o Flamengo em uma posição privilegiada, mas também desconfortável.

O time tem três pontos de vantagem sobre o Palmeiras e chega às últimas 10 rodadas dependendo dos próprios resultados para continuar defendendo a liderança. Ao mesmo tempo, terá pela frente uma sequência que mistura praticamente todos os tipos de pressão possíveis.

Clássicos. Concorrentes. Adversários ameaçados pelo rebaixamento. E, no fim do caminho, o Palmeiras.

O Flamengo não precisa transformar cada partida em uma atuação memorável. Precisa saber atravessar os diferentes cenários que aparecerão pela frente sem permitir que um tropeço mude completamente o rumo da campanha.

Em uma reta final tão heterogênea, o campeão não será necessariamente quem encontrar o futebol mais bonito em todos os jogos. Será quem conseguir manter a estabilidade quando o campeonato começar a exigir respostas diferentes a cada rodada.

O Flamengo chega na frente. Agora terá de sobreviver à pressão de todos os lados para continuar assim quando chegar a hora de levantar a taça.

Foto: Gilvan Souza/Flamengo/Divulgação