Estamos chegando na Semana 3 da temporada regular da NFL de 2026, e a situação do Los Angeles Chargers é preocupante. Foram duas derrotas em dois jogos, e os Chargers conseguiram ser dominados pelos Cardinals e acharam formas de perder para os Raiders. Por sinal, essa é a parte fácil do calendário da equipe — tudo vai ficar pior nas próximas semanas.
Por um lado o Arizona Cardinals se mostra mais competitivo do que o esperado neste início da temporada, o que não tira a surpresa do resultado na Semana 1. E o Las Vegas Raiders apresenta um desempenho defensivo surpreendente, enquanto Kirk Cousins lidera o ataque de forma sistemática. Por outro, o Los Angeles Chargers não só perdeu esses jogos, mas se mostrou uma equipe desorganizada em todos os setores.
As expectativas estão altas ao redor do Los Angeles Chargers para está temporada. A chegada de Mike McDaniel (ex-Miami Dolphins) como coordenador ofensivo prometia desbloquear o talento ofensivo dos Chargers, enquanto a defesa tentaria se recuperar após perder Jesse Minter para o Baltimore Ravens.
Era esperado certa regressão defensiva para os Chargers, mas, em duas partidas, o que vimos foi algo tenebroso nos dois lados da bola.

Problemas no Los Angeles Chargers
Após duas partidas na nova temporada da NFL, o Los Angeles Chargers está empatado na segunda colocação em números de turnovers, com cinco (atrás apenas do Atlanta Falcons, que não tem quarterback, literalmente). Seus sete fumbles (seis deles no jogo contra os Raiders) são a maior marca na NFL atualmente. Suas 13 penalidades ofensivas são a segunda maior marca da liga. Ou seja, tudo está um verdadeiro caos nos Chargers.
Jogadores se batendo em campo, enquanto outros são atingidos pela bola no momento do snap. Justin Herbert tentava resolver tudo em uma jogada só, no melhor estilo Baker Mayfield. O jogo corrido é desorganizado e Omarion Hampton não segura a bola ou está com os olhos no lugar errado durante a jogada. O grupo de recebedores não consegue fazer jogadas e a linha ofensiva não protege Herbert ou cria espaço para o jogo corrido. E a defesa parece pior do que o esperado com a saída de Minter.
Os problemas do Los Angeles Chargers podem ser vistos em campo com muita clareza nos dois jogos da temporada até aqui, o que escancara uma situação complicada fora de campo.
Além de Mike McDaniel, houve outras mudanças na comissão técnica, que se mostra desarmoniosa sob o comando de Jim Harbaugh. O treinador de linha ofensiva (normalmente responsável por mais de cinco atletas por jogada) não é conhecido por fazer um bom trabalho na NFL, o mesmo pode ser dito para o responsável pelo jogo corrido. O assistente técnico que comanda o grupo de tight ends é amigo de faculdade de McDaniel e não tem experiência na NFL. E o técnico de recebedores não fez um trabalho positivo por onde passou pela liga. É a receita para o desastre, algo bem semelhante ao vivido pelos Raiders na temporada passada (terminaram com a pior campanha da NFL).
Enquanto times como os Cowboys e os Eagles, que têm muitas dúvidas ao seu redor, mas que mostraram certa evolução semana a semana, os Chargers conseguiram regredir em pouco tempo. Novamente, Cardinals e Raiders eram consideradas as partidas mais fáceis para os Cardinals neste início de temporada.
O Los Angeles Chargers vai enfrentar, em sequência, os Bills (Semana 3), os Seahawks em Seattle (Semana 4), os Broncos (Semana 5), os Chiefs (Semana 6), os Rams em Los Angeles (Semana 8), os Texans (Semana 9) e os Ravens em Baltimore (Semana 10). Não é impossível afirmar que os Chargers podem perder todos esses jogos. Ou seja, o Los Angeles Chargers pode ter campanha com zero vitórias e nove derrotas nos próximos meses.

E Justin Herbert?
Estamos chegando ao ponto de considerar que Tua Tagovailoa se saiu melhor no esquema ofensivo de McDaniel do que Justin Herbert. Essa é a atual situação do quarterback na temporada. Vamos lembrar que Tua foi o líder da NFL em passes em determinado momento da passagem de McDaniel nos Dolphins.
De 2022 a 2023, quando Tagovailoa estava no auge sob o comando de McDaniel no Miami Dolphins , 57% dos passes de Tagovailoa foram concluídos em 2,5 segundos ou menos, de longe a maior porcentagem da NFL. Herbert, por outro lado, está atualmente com 33%, empatado com Josh Allen na 24ª posição da liga. E esse é um problema sério.
Em sua melhor forma, Herbert jogou estilisticamente muito mais próximo de Allen do que de Tagovailoa. A maior vantagem de Herbert sobre Tagovailoa — a força do seu braço — só pode ser explorada se os fundamentos do ataque funcionarem. Apesar de todas as suas falhas, Tagovailoa mostrou-se preciso e no tempo certo no jogo rápido.
Atualmente, Herbert tem uma taxa de 12,5% de passes imprecisos a 15 jardas ou menos de distância, a quinta maior taxa da NFL nesta temporada até domingo. No ano passado, era de 6,3%. Seja lá o que o projeto pretendido — maximizar as habilidades físicas de Herbert e o esquema tático de McDaniel — não está funcionando.
Isso confirma as preocupações de juntar dois fatores ofensivos diferentes. Herbert é um quarterback conhecido pela força de seu braço, especialmente quando estava no pocket. Mas o ataque de McDaniel é baseado na velocidade e movimentação pré-snap. Os dois estilos parecem não estar encaixados neste momento da temporada.
Diferente de outros times da NFL, o Los Angeles Chargers não vai ter respiro para identificar o que está acontecendo de errado nos dois lados da bola. Eles vão ter que achar respostas ao enfrentar grandes equipes nas próximas semanas. Talvez a folga na Semana 7 seja o momento em que o Los Angeles Chargers achará fôlego para sobreviver a temporada. Até o momento o Los Angeles Chargers é a grande decepção da NFL, e a tendência é piorar com o passar das semanas.
(Foto principal: AP Photo/Katie Chin)



