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Futebol Copa do Mundo

Jurgen Klopp começa a transformar a Alemanha com juventude, testes e uma nova identidade

Jurgen Klopp iniciou uma nova etapa de sua carreira com uma missão diferente daquela que marcou seus principais trabalhos em clubes. Depois de construir uma trajetória de enorme destaque, especialmente no Liverpool, o treinador agora precisa recuperar a força de uma seleção alemã que passou por algumas temporadas abaixo das expectativas.

Desde que foi anunciado como técnico da Alemanha, Klopp deixou claro que pretende fazer mudanças profundas. O treinador não quer apenas encontrar os melhores jogadores disponíveis, mas também descobrir quais atletas podem se encaixar melhor na ideia de futebol que pretende implementar.

A primeira convocação já mostrou essa intenção. Klopp elaborou inicialmente uma lista com 57 jogadores que poderiam receber uma oportunidade. Em vez de escolher imediatamente um time considerado ideal, sua comissão técnica decidiu dividir os atletas em dois grupos bastante diferentes para os quatro compromissos da Data Fifa.

A estratégia mostra que o novo treinador pretende utilizar os primeiros jogos para observar jogadores, testar características diferentes e entender quais peças podem fazer parte da Alemanha nos próximos anos.

Klopp abre espaço para uma nova geração

Nathaniel Brown, Alemanha, Copa do Mundo 2026
Foto: Alexander Hassenstein/Getty Images

Uma das principais mudanças promovidas por Jurgen Klopp está na idade do elenco. Os dois grupos convocados para esta Data Fifa possuem média de idade entre 24 e 25 anos, indicando uma clara preferência por juventude, intensidade e jogadores que ainda podem crescer dentro da seleção.

A decisão também acontece depois das aposentadorias internacionais de nomes importantes como Manuel Neuer, Antonio Rudiger e Pascal Gross. A Alemanha começa, portanto, uma transição natural depois de um período em que jogadores experientes tiveram papel central.

Klopp parece disposto a acelerar essa renovação.

Um dos exemplos é Felix Keidel, de 23 anos, que atua pelo recém promovido Elversberg. Há pouco tempo, o jogador estava na segunda divisão alemã e praticamente não fazia parte das discussões sobre a seleção. Agora, recebeu uma oportunidade para mostrar que pode competir nesse nível.

Outros nomes como Mika Baur, Bambase Conte, Max Rosenfelder, Philipp Treu e Vitaly Janelt também aparecem nesse processo de avaliação.

Essa postura combina com uma característica que marcou a carreira de Klopp. O treinador frequentemente conseguiu extrair muito de jogadores que ainda não eram considerados grandes estrelas. Um dos maiores exemplos foi Lukasz Piszczek, que acabou se tornando um dos principais laterais direitos da Europa durante sua passagem pelo Borussia Dortmund.

Andy Robertson também representa esse modelo. O lateral chegou ao Liverpool sem o mesmo status de grandes estrelas do futebol europeu e acabou se tornando uma peça fundamental da equipe comandada por Klopp.

Na Alemanha, o treinador terá a oportunidade de repetir esse processo em uma escala ainda maior.

Um futebol mais simples e agressivo

Alemanha
Alexander Hassenstein/Getty Images) | Getty Images

Além de renovar o elenco, Jurgen Klopp pretende modificar algumas características do jogo da Alemanha.

Durante o trabalho de Julian Nagelsmann, a seleção apresentou sistemas táticos bastante elaborados. O treinador buscava soluções para esconder algumas deficiências do elenco e, em determinados momentos, isso deixou a equipe com uma estrutura bastante complexa.

Klopp tende a seguir outro caminho.

A ideia é simplificar alguns conceitos, principalmente na posse de bola, e aumentar a importância dos jogadores pelos lados do campo. Essa característica esteve presente em seus grandes times no Liverpool, principalmente através de Mohamed Salah, Sadio Mane e Trent Alexander Arnold.

A utilização dos lados do campo pode ser importante para uma Alemanha que ainda possui jogadores rápidos e talentosos em posições ofensivas.

Said El Mala, do Colônia, e Lennart Karl, de apenas 18 anos e ligado ao Bayern, estão entre os jovens que podem ganhar oportunidades. Derry Scherhant, do Freiburg, Karim Adeyemi, do Barcelona, e Kevin Schade, do Brentford, também oferecem velocidade para esse novo modelo.

A pressão sem a bola será outro ponto importante.

Klopp gosta que suas equipes pressionem o jogador que possui a bola, tentando criar superioridade numérica ao redor da jogada. Isso é diferente da marcação individual que aparece com frequência no futebol alemão.

Por isso, alguns jogadores precisarão se adaptar rapidamente.

O próprio Klopp resumiu sua ideia ao afirmar que não é tão importante quem joga, mas como o jogador atua. A declaração mostra que o treinador pretende avaliar comportamento, intensidade e capacidade de execução, e não apenas reputação.

A Alemanha precisa recuperar confiança dentro e fora do campo

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Foto: Alexander Hassenstein / AFP

A transformação planejada por Jurgen Klopp não envolve somente questões táticas. O treinador também parece preocupado com a relação entre a seleção e os torcedores.

A Alemanha viveu anos complicados em grandes competições. A equipe foi eliminada ainda na fase de grupos das Copas do Mundo de 2018 e 2022 e também não conseguiu apresentar a regularidade esperada em outros torneios recentes.

Por isso, recuperar a identificação com a seleção será uma parte importante do trabalho.

Klopp tem falado sobre a necessidade de criar uma atmosfera positiva ao redor da equipe. Sua declaração sobre o patriotismo e a utilização da bandeira alemã aconteceu em um momento de forte tensão política no país, mas o treinador apresentou o esporte como uma ferramenta capaz de criar um sentimento de comunidade.

A ideia é que a seleção volte a representar algo positivo para os torcedores.

O boné utilizado por Klopp com a frase “One of 83 million”, em referência aos cerca de 83 milhões de habitantes da Alemanha, reforçou essa mensagem. O treinador quer transmitir a sensação de que a seleção pertence a todos.

Agora, as palavras precisarão ser acompanhadas pelos resultados dentro de campo.

A primeira fase do trabalho será justamente essa. Klopp precisa descobrir quais jogadores conseguem executar suas ideias, quais jovens estão preparados para o nível internacional e quais atletas experientes ainda podem contribuir.

A escolha de testar dois grupos diferentes mostra que o treinador não pretende encontrar todas as respostas imediatamente. Ele terá que observar os jogadores em situações reais, comparar desempenhos e construir gradualmente uma equipe.

O potencial existe. A Alemanha continua tendo uma quantidade enorme de talentos, com jogadores como Jamal Musiala, Florian Wirtz, Kai Havertz e Joshua Kimmich, além de uma nova geração que começa a ganhar espaço.

O grande desafio de Jurgen Klopp será transformar esse talento em uma equipe equilibrada, intensa e identificada com seu estilo.

Mais do que simplesmente trocar jogadores, o treinador está tentando iniciar uma nova fase da seleção alemã. A juventude, a velocidade, a pressão e um futebol mais direto podem ser os primeiros elementos dessa mudança.

O trabalho ainda está no começo, mas a primeira convocação já deixou uma mensagem clara: Jurgen Klopp não chegou à Alemanha para apenas manter o que já existia. Ele pretende testar, mudar e construir uma nova identidade para a seleção.

(Foto de capa: Getty Images)

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Kaique