Raphinha vive o melhor momento de sua carreira no Barcelona. Transformado em centroavante por Hansi Flick, o brasileiro começou a temporada 2026/27 em ritmo histórico e já igualou um recorde de 78 anos do clube.
A adaptação impressiona ainda mais porque o próprio jogador admitiu que tinha dúvidas quando recebeu a proposta para abandonar a ponta e atuar como camisa 9. A responsabilidade era grande, principalmente porque ele passaria a ocupar uma posição que havia pertencido a Robert Lewandowski.
O Barcelona entrou na temporada sem conseguir contratar um centroavante de elite. Julián Álvarez era um dos principais alvos para substituir Lewandowski e Ferran Torres, mas a negociação não avançou. Flick precisou então encontrar uma solução dentro do próprio elenco — e encontrou em Raphinha.
Raphinha virou camisa 9 quase por acaso
Segundo o brasileiro, a mudança começou ainda durante a pré-temporada, em um amistoso contra o Basel.
Raphinha contou que praticamente não havia treinado como centroavante antes da partida. Durante o jogo, porém, Flick avisou que ele começaria pelo meio e depois seria deslocado novamente para a ponta.
O brasileiro aceitou sem problemas.
Pouco antes do início de La Liga, a ideia ganhou ainda mais força. Nos treinamentos, Raphinha passou a formar o trio ofensivo com Anthony Gordon pela esquerda e Lamine Yamal pela direita.
Flick chegou a perguntar se o brasileiro estava confortável ou se preferia retornar à ponta e deixar Gordon como referência central.
Raphinha decidiu continuar.
A resposta dentro de campo foi imediata. Logo na estreia de La Liga contra o Elche, marcou duas vezes. Depois disso, acumulou outras três partidas com dois gols e ainda anotou dois hat-tricks.
O que começou como uma experiência rapidamente se transformou em uma das grandes histórias do início da temporada europeia.
Brasileiro iguala recorde histórico do Barcelona
Raphinha chegou a 14 gols nos primeiros oito jogos da temporada somando todas as competições.
Com isso, igualou a melhor marca da história do Barcelona nesse período.
O recorde pertencia a César Rodríguez, que também marcou 14 vezes nos oito primeiros jogos da temporada 1948/49.
Nenhum jogador do clube havia conseguido repetir o feito em 78 anos.
Mariano Martín fez 12 gols em 1943/44, enquanto César Rodríguez voltou a atingir essa quantidade em 1950/51. Lionel Messi também marcou 12 vezes no começo da temporada 2017/18.
Ou seja, nem mesmo o melhor início de Messi conseguiu alcançar os números atuais de Raphinha.
O rendimento em La Liga também chama atenção. O brasileiro marcou 12 gols nas primeiras sete rodadas, o segundo melhor início deste século no Campeonato Espanhol.
Apenas Cristiano Ronaldo fez mais, com 13 gols nas sete primeiras partidas da temporada 2014/15. Messi, por sua vez, chegou a 11 no mesmo período em 2017/18.
Raphinha admite que sentiu pressão para substituir Lewandowski
Apesar dos números impressionantes, Raphinha revelou que não encarou a mudança com total confiança desde o primeiro momento.
O brasileiro sabia que jogar como centroavante aumentaria a cobrança por gols.
Para ele, quem ocupa a posição de camisa 9 inevitavelmente passa a ser julgado principalmente pela quantidade de vezes que balança as redes.
E havia ainda outro detalhe importante: substituir Robert Lewandowski.
O polonês deixou uma enorme referência na posição, e Raphinha sabia que qualquer dificuldade seria rapidamente comparada ao rendimento do antigo centroavante.
Mesmo assim, o atacante decidiu confiar em Flick.
A relação entre os dois já vinha sendo fundamental desde a chegada do treinador ao Barcelona. Raphinha destacou que o alemão foi responsável por mudar sua mentalidade dentro do clube e também a maneira como enxergava a própria capacidade.
A confiança voltou a dar resultado.
Flick celebra decisão e elogia novo capitão
Hansi Flick não esconde a satisfação com a escolha.
Depois de uma das grandes atuações de Raphinha contra o Sevilla, o treinador destacou não apenas a qualidade ofensiva do brasileiro, mas também sua importância sem a bola.
A intensidade na pressão é justamente uma das razões pelas quais Raphinha funciona tão bem na posição.
Ele não atua como um centroavante fixo. Movimenta-se bastante, abre espaços para os pontas, participa da construção e ainda lidera a pressão quando o Barcelona perde a posse.
Esse perfil permite que Lamine Yamal e os outros atacantes também encontrem espaços em diferentes zonas.
Flick revelou ainda que a decisão de utilizar Raphinha como 9 foi discutida pela comissão técnica e posteriormente apresentada aos jogadores.
Depois de 14 gols em oito partidas, dificilmente existe motivo para voltar atrás.
O alemão também classificou a escolha de Raphinha como capitão como uma das melhores decisões tomadas pelo clube, destacando seu comportamento dentro e fora de campo.
A fase positiva pode ganhar mais um capítulo importante em breve.
Raphinha está perto de renovar seu contrato com o Barcelona, reforçando ainda mais sua importância no projeto do clube.
Mesmo tendo ficado fora da lista de indicados à Bola de Ouro de 2026, o brasileiro começa a nova temporada apresentando números de jogador capaz de disputar o prêmio no futuro.
A mudança para o centro do ataque inicialmente gerou dúvidas até no próprio Raphinha. Oito partidas depois, elas praticamente desapareceram.
Com 14 gols, um recorde histórico igualado e protagonismo absoluto no Barcelona, o brasileiro transformou uma solução improvisada de Flick em uma das maiores armas do time.
Foto: Reprodução/ X @FCBarcelona



