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As maiores polêmicas que marcaram a história da Bola de Ouro

A Bola de Ouro se tornou uma das maiores referências individuais do futebol mundial. Criado originalmente em 1956 pela revista France Football, o prêmio nasceu com uma proposta bem mais limitada do que possui atualmente. Durante os primeiros anos, apenas jogadores europeus que atuavam em clubes europeus podiam concorrer. Com o passar das décadas, as regras mudaram, o futebol se tornou cada vez mais global e a premiação ganhou uma importância enorme.

Ao mesmo tempo em que a Bola de Ouro cresceu, também aumentaram as discussões sobre os critérios utilizados para escolher seus vencedores. Grandes temporadas ficaram sem reconhecimento, jogadores importantes terminaram atrás de concorrentes que geraram questionamentos e algumas decisões continuam sendo debatidas décadas depois.

A própria natureza da premiação ajuda a explicar parte dessas controvérsias. Não existe uma fórmula matemática que determine automaticamente quem deve vencer. O resultado depende da avaliação dos jornalistas responsáveis pela votação, o que abre espaço para diferentes interpretações sobre o peso de títulos, gols, desempenho individual, importância em grandes jogos e conquistas pela seleção.

Grandes temporadas que terminaram sem a Bola de Ouro

Real Madrid

Algumas das discussões mais conhecidas envolvem jogadores que tiveram temporadas extraordinárias, mas terminaram sem o principal prêmio individual.

Ferenc Puskás é um dos maiores exemplos históricos. Na temporada 1959/60, o atacante do Real Madrid marcou impressionantes 47 gols em 36 partidas e ainda balançou as redes quatro vezes na final da Copa dos Campeões da Europa. Mesmo com números extraordinários, terminou atrás de Luis Suárez na votação daquele ano.

Décadas depois, Thierry Henry viveu uma situação semelhante. Na temporada 2002/03, o atacante do Arsenal marcou 24 gols e deu 20 assistências na Premier League, tornando-se o primeiro jogador da competição a atingir pelo menos 20 gols e 20 assistências em uma mesma temporada. Mesmo assim, terminou atrás de Pavel Nedved, que conquistou a Serie A com a Juventus e chegou à final da Champions League.

Outro caso bastante lembrado aconteceu em 2010. Wesley Sneijder foi uma das principais peças da Inter de Milão que conquistou a tríplice coroa, incluindo o título da Champions League. Além disso, foi fundamental para a Holanda chegar à final da Copa do Mundo. Mesmo com esse conjunto de resultados, terminou em quarto lugar na votação.

Diego Milito, companheiro de Sneijder na Inter, também ficou fora da lista final de indicados, apesar de ter sido decisivo na temporada. O argentino marcou os dois gols da final da Champions League contra o Bayern e terminou aquela campanha europeia como um dos grandes protagonistas da equipe italiana.

Mais recentemente, Erling Haaland também entrou nessa discussão. Em sua primeira temporada pelo Manchester City, o norueguês marcou 52 gols em 53 partidas e ajudou o clube a conquistar a Premier League, a FA Cup e a Champions League. Mesmo com números extraordinários e uma temporada histórica do clube, Lionel Messi levou o prêmio após ser decisivo na conquista da Copa do Mundo de 2022 pela Argentina.

Esses casos mostram como o contexto coletivo e os grandes torneios podem ter enorme influência na votação. A temporada de um jogador não é analisada apenas pelos números individuais, e isso frequentemente provoca debates quando dois candidatos apresentam argumentos muito diferentes.

O peso das regras, das seleções e das decisões controversas

Lionel Messi
Foto: Getty Images

A própria história da Bola de Ouro também possui mudanças de regras que alteraram quem poderia concorrer.

Durante décadas, jogadores como Pelé, Diego Maradona, Romário e Mario Kempes não puderam disputar o prêmio porque não eram europeus. A regra só mudou em 1995, permitindo que jogadores de qualquer nacionalidade concorressem desde que atuassem por um clube europeu.

Essa mudança ajuda a entender por que a lista histórica de vencedores não representa necessariamente todos os maiores jogadores que atuaram durante os primeiros anos do prêmio.

Outro ponto importante é o peso das competições internacionais. Cristiano Ronaldo, por exemplo, conquistou a Bola de Ouro de 2013 depois de marcar 55 gols em 55 jogos pelo Real Madrid. Naquele período, uma alteração no prazo de votação permitiu que os jornalistas considerassem também os playoffs da Copa do Mundo de 2014. Ronaldo marcou quatro gols contra a Suécia naquela disputa, aumentando ainda mais sua campanha.

A influência das seleções ficou ainda mais evidente em outras edições. Lionel Messi recebeu forte apoio após conquistas importantes pela Argentina, enquanto Robert Lewandowski viveu uma situação particularmente dolorosa em 2020.

Naquele ano, a France Football decidiu cancelar a premiação por causa das dificuldades provocadas pela pandemia. Lewandowski vinha de uma temporada extraordinária com o Bayern, marcando 55 gols em 47 jogos e ajudando o clube a conquistar a tríplice coroa.

No ano seguinte, o polonês continuou apresentando números impressionantes. Na Bundesliga 2020/21, marcou 41 gols em 29 partidas e quebrou o recorde de gols de Gerd Muller em uma temporada da competição. Mesmo assim, Lionel Messi venceu a Bola de Ouro de 2021 após conquistar a Copa América com a Argentina.

A discussão também chegou ao Real Madrid recentemente. Vinicius Jr. foi protagonista nas conquistas do clube espanhol, incluindo La Liga e Champions League, mas terminou atrás de Rodri na votação da Bola de Ouro de 2024. A reação do Real Madrid foi forte e o clube decidiu não comparecer à cerimônia.

Esses episódios mostram por que a Bola de Ouro continua sendo tão discutida. O prêmio não representa apenas uma comparação estatística entre jogadores. Títulos, desempenho individual, importância para a equipe, partidas decisivas e competições internacionais entram na avaliação.

No fim, a grande dificuldade está justamente em transformar diferentes tipos de desempenho em uma única escolha. Um atacante pode apresentar números extraordinários, enquanto um meio-campista pode ser fundamental para uma equipe campeã. Outro jogador pode ter uma temporada histórica pelo clube e ainda perder espaço por causa de uma grande campanha com a seleção.

É essa combinação de critérios que faz a Bola de Ouro permanecer no centro dos debates do futebol. As controvérsias não diminuíram a importância do prêmio. Pelo contrário, ajudaram a transformar cada edição em um dos momentos mais discutidos do calendário esportivo mundial.

(Foto de capa: AFP)

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Kaique