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Reformar ou manter? O dilema dos clubes da Premier League

A Premier League vive um momento em que o mercado de transferências colocou novamente em evidência uma questão que acompanha os grandes clubes: reformar profundamente o elenco ou preservar uma base consolidada? Na temporada 2026/27, os primeiros cinco jogos oferecem elementos importantes para esse debate. De acordo com análise publicada pela Opta Analyst em 29 de setembro, as equipes que fizeram menos alterações no time titular começaram a apresentar, em geral, desempenho superior às expectativas estabelecidas antes do início da competição.

O caso mais evidente é o Tottenham. Depois de duas temporadas consecutivas na Premier League terminando em 17º lugar e de uma campanha marcada por dificuldades, o clube decidiu acelerar a reconstrução sob o comando de Roberto De Zerbi. Mais de 300 milhões de libras foram investidos no mercado, com dez novos jogadores chegando e praticamente um time inteiro sendo remodelado. Nos cinco primeiros jogos, nove dos reforços de linha já haviam entrado em campo, mas o resultado inicial foi negativo: os Spurs permaneceram sem vitória e ocupavam a última posição da tabela.

A análise da Opta mostra que o problema não está necessariamente na contratação de muitos jogadores, mas na velocidade com que uma equipe precisa transformar peças novas em um coletivo funcional. Tottenham tornou-se apenas o 12º clube da história da Premier League, entre equipes que não haviam acabado de ser promovidas, a utilizar mais de 25 titulares diferentes nas cinco primeiras rodadas após uma grande reformulação. Entre os 11 casos anteriores, seis terminaram aquela temporada em 17º lugar ou abaixo, enquanto apenas um conseguiu ficar entre os nove primeiros.

O levantamento também aponta uma relação entre continuidade e desempenho inicial. Entre os oito clubes da Premier League que utilizaram dez ou menos vezes jogadores que não estavam no elenco na temporada anterior, cinco estavam em posição superior àquela projetada pelo supercomputador da Opta antes do campeonato. Na outra ponta, entre os oito times que deram pelo menos 13 oportunidades como titulares a novos jogadores, sete apareciam abaixo da colocação projetada inicialmente. A própria análise ressalta, porém, que são apenas cinco rodadas e que a correlação não representa uma regra absoluta.

O Arsenal aparece como um exemplo de construção gradual na Premier League. Mesmo depois de contratações importantes em mercados anteriores, o clube londrino preservou a espinha dorsal responsável pela conquista do título inglês de 2025/26. A estabilidade ajudou os jogadores a manterem relações construídas dentro do sistema de Mikel Arteta, enquanto os novos nomes puderam ser incorporados sem necessidade de reconstruir completamente a equipe. Em setembro, a Opta também destacou que os Gunners começaram a temporada com maior fluidez justamente pela combinação entre continuidade e ajustes pontuais.

A história recente do Liverpool oferece outro elemento para o debate. Os dois títulos mais recentes do clube na Premier League foram conquistados após períodos de pouca movimentação no mercado, enquanto a tentativa de defender a coroa na temporada passada veio acompanhada de uma reformulação maior. O resultado foi uma queda de rendimento, embora o contexto também envolvesse a necessidade de corrigir lacunas deixadas por um mercado anterior de pouca atividade. Portanto, não se trata simplesmente de gastar ou não gastar, mas de entender quando a mudança é necessária.

Ao mesmo tempo, a continuidade também pode se transformar em acomodação. Em 2018, o Tottenham tornou-se o primeiro clube da Premier League, desde a criação da janela de transferências, a não contratar nenhum jogador no verão. A decisão coincidiu com o início do fim de um dos períodos mais consistentes da equipe na era moderna. O exemplo mostra que preservar uma estrutura pode oferecer estabilidade, mas não garante evolução. Sem ajustes pontuais, a manutenção do elenco corre o risco de limitar soluções e interromper o crescimento.

Por isso, o dilema dos clubes ingleses não parece estar entre reformar ou simplesmente manter. A questão central é encontrar o equilíbrio entre renovação e entrosamento. Uma equipe que precisa corrigir problemas estruturais pode necessitar de mudanças profundas, enquanto um elenco competitivo pode se beneficiar mais de ajustes específicos. Com a temporada ainda no começo, a experiência de Tottenham, Arsenal, Liverpool e outros clubes reforça uma conclusão provisória: na Premier League, contratar pode mudar o potencial de uma equipe, mas o tempo necessário para transformar novos jogadores em um coletivo não pode ser ignorado.

Foto: Getty Images

Como a Premier League busca usar essas medidas em relação a base e contratações

Devido a pausa para a Data Fifa em setembro, a Premier League entra em uma nova temporada tentando equilibrar duas estratégias que passaram a caminhar cada vez mais próximas: investir em contratações para elevar o nível dos elencos e, ao mesmo tempo, criar espaço para jogadores formados ou desenvolvidos dentro do futebol inglês. As regras de inscrição para 2026/27 estabelecem que cada clube pode registrar no máximo 17 atletas que não atendam aos critérios de “Home Grown Player”, enquanto o restante de uma lista de até 25 jogadores precisa cumprir essa exigência. Atletas Sub-21 ficam fora desse limite e podem ser utilizados normalmente.

Esse modelo cria uma relação direta entre planejamento de mercado e desenvolvimento das categorias de base. Para ser considerado formado localmente, o jogador precisa ter sido registrado por clubes afiliados à Football Association ou à Football Association of Wales durante pelo menos três temporadas completas, ou 36 meses, antes de completar 21 anos. Dessa maneira, a regulamentação não obriga os clubes a utilizarem exclusivamente jogadores de suas próprias academias, mas valoriza a formação realizada no futebol inglês e galês.

O cenário do mercado de 2026 reforça essa tendência. A janela de verão foi encerrada em 1º de setembro, depois de permanecer aberta desde 15 de junho, e os clubes da elite inglesa voltaram a movimentar valores elevados. A Premier League registrou mais de 3,4 bilhões de libras em investimentos durante o período, segundo levantamento publicado em setembro, enquanto uma parcela importante das principais negociações aconteceu dentro da própria competição.

A busca por jovens também ganhou espaço. Dados publicados em setembro apontaram que os clubes ingleses vêm aumentando a utilização de atletas mais novos, enquanto a participação dos jogadores com pelo menos 28 anos nas partidas caiu de 40% dos minutos em 2021/22 para 26,6% em 2025/26. Paralelamente, o mercado passou a concentrar investimentos em jovens talentos, incluindo jogadores ainda adolescentes.

Na prática, a Premier League cria um ambiente no qual contratar e formar não são necessariamente caminhos opostos. Um clube pode recorrer ao mercado para preencher posições específicas, enquanto mantém jogadores jovens em desenvolvimento e utiliza atletas Sub-21 com maior liberdade. A própria Opta Analyst destacou, em agosto, diferentes jovens que poderiam ganhar espaço nos elencos da temporada 2026/27.

O desafio está em transformar esse equilíbrio em planejamento esportivo sustentável. Grandes contratações podem acelerar uma reconstrução, mas a continuidade de uma base jovem permite desenvolver jogadores e preservar conhecimento do modelo de jogo. Em setembro, portanto, o cenário da Premier League mostra que o futuro dos clubes passa não apenas por quanto conseguem gastar, mas também pela capacidade de identificar, desenvolver e integrar talentos antes que novas oportunidades de mercado apareçam.

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Será que a Premier League vai mudar essas regras ou manter os elencos na segunda metade da temporada?

A Premier League chega à segunda metade da temporada 2026/27 com regras de elenco que, neste momento, não indicam uma mudança estrutural, mas permitem uma nova atualização das listas após a janela de inverno. Em setembro, a própria competição confirmou que cada clube precisa apresentar sua relação de jogadores depois da janela de verão e novamente após o mercado de janeiro. O limite continua sendo de 25 atletas, com no máximo 17 que não atendam aos critérios de “Home Grown Player”.

A primeira lista da temporada foi oficializada no início de setembro, logo após o encerramento do mercado de verão. A regulamentação também mantém os jogadores Sub-21 fora do limite de 25 atletas, desde que sejam elegíveis segundo os critérios estabelecidos pela competição. Para 2026/27, entram nessa categoria os jogadores nascidos a partir de 1º de janeiro de 2005. Isso cria uma margem para que os clubes utilizem jovens sem necessariamente abrir mão de uma vaga na lista principal.

A segunda metade da campanha, portanto, não significa que os elencos ficarão obrigatoriamente congelados. A janela de inverno de 2027 está oficialmente prevista para abrir em 1º de janeiro e terminar em 1º de fevereiro, às 23h GMT. Nesse período, os clubes poderão contratar, vender ou emprestar jogadores e, posteriormente, atualizar suas listas de inscritos conforme as regras da competição.

Esse mecanismo na Premier League permite que uma equipe corrija problemas identificados durante os primeiros meses da temporada. Lesões, falta de profundidade, baixo aproveitamento de determinados jogadores ou mudanças nas necessidades do treinador podem influenciar as decisões tomadas em janeiro. Ao mesmo tempo, a existência de limites para atletas não formados localmente impede que os clubes simplesmente ampliem indefinidamente o número de jogadores experientes ou estrangeiros. Assim, o mercado de inverno funciona como uma oportunidade de ajuste, mas dentro de parâmetros definidos pela própria competição.

A estratégia também preserva espaço para a base. Como os Sub-21 elegíveis podem atuar além do limite de 25 jogadores, os clubes ganham uma alternativa para promover talentos ao elenco principal durante a temporada, sem precisar recorrer a uma reformulação ampla. Esse mecanismo permite integrar jovens de maneira gradual, conforme as necessidades surgem ao longo da campanha. Dessa forma, a Premier League combina estabilidade regulatória com alguma flexibilidade para ajustes no elenco, mantendo aberta a possibilidade de renovar opções para a segunda metade da temporada.

Até setembro, portanto, não há indicação oficial de mudanças nas regras estruturais para a segunda metade da temporada 2026/27. O cenário previsto é de manutenção dos critérios atuais, com uma nova oportunidade de inscrição após a abertura do mercado de janeiro. A partir disso, o desafio ficará nas mãos dos clubes, que precisarão avaliar cuidadosamente seus respectivos elencos. A principal questão será decidir se a continuidade do grupo atual será suficiente para a reta final ou se mudanças pontuais serão necessárias para corrigir eventuais problemas.

(Foto: Getty Images)