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Como o Santos pode lidar com os desfalques para enfrentar o Flamengo?

O Santos chega para enfrentar o Flamengo em uma situação que, há algumas semanas, parecia difícil de imaginar. O time de Cuca venceu cinco partidas consecutivas no Campeonato Brasileiro, recuperou espaço na disputa por uma vaga na Libertadores e transformou a reta final da temporada em um momento de expectativa positiva para o torcedor. Agora, porém, terá pela frente justamente o líder do campeonato e precisará fazer isso com mudanças importantes na escalação.

A vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo trouxe três pontos, confiança e mais uma grande atuação de Gabigol, mas também deixou uma consequência pesada para o confronto de quinta-feira, na Vila Belmiro. Arthur sofreu uma lesão no músculo posterior da coxa direita e está fora da partida contra o Flamengo. O volante vinha ganhando espaço no time e havia sido titular pela segunda vez desde sua chegada ao clube.

Além dele, Everton Cebolinha também não poderá enfrentar o Flamengo. A ausência do atacante tem uma particularidade: não será causada por lesão ou suspensão, mas por uma cláusula do acordo que permitiu sua saída do clube carioca. Cebolinha vinha sendo titular desde que chegou ao Santos e acabou de participar diretamente da vitória sobre o São Paulo, dando a assistência para o segundo gol de Gabigol.

O desafio de Cuca, portanto, é encontrar soluções sem desmontar uma equipe que finalmente encontrou estabilidade. E talvez a principal resposta esteja justamente na possibilidade de ganhar de volta um jogador que estava fazendo falta.

Arthur deixa um problema maior no meio-campo

A lesão de Arthur é especialmente relevante porque o Santos vinha começando a encontrar uma estrutura de meio-campo mais equilibrada. O volante chegou ao clube no fim de agosto, depois de rescindir com a Juventus, e ainda estava construindo sua adaptação. Mesmo assim, sua presença começava a oferecer uma alternativa importante para Cuca.

Contra o São Paulo, Arthur precisou deixar o campo logo no início do segundo tempo depois de sentir a parte posterior da coxa direita. Os exames confirmaram a lesão, embora o Santos ainda não tenha informado o grau do problema ou o período previsto de recuperação.

A questão é que substituir Arthur não significa apenas colocar outro volante na mesma posição. Cuca terá de decidir qual característica pretende preservar.

Uma possibilidade é utilizar Gabriel Menino, que entrou justamente no lugar de Arthur no clássico. Outra alternativa é modificar a estrutura do meio-campo e dar mais responsabilidade a jogadores como João Schmidt, Christian Oliva ou Gustavo Henrique, dependendo da formação escolhida.

O retorno de Gabriel Bontempo, no entanto, pode ser a solução mais importante. O jovem estava servindo à Seleção Brasileira e deve se reapresentar ao Santos antes do duelo contra o Flamengo. Sua volta permite a Cuca recuperar uma peça que já conhece o funcionamento da equipe e que pode ajudar a preencher o espaço deixado pela ausência de Arthur.

O problema é que Flamengo não é São Paulo. Contra o rival paulista, o Santos conseguiu sobreviver a momentos de pressão e contou novamente com uma atuação decisiva de Gabigol. Diante do líder do Brasileirão, porém, perder o controle do meio-campo pode ser muito mais perigoso.

O Flamengo possui qualidade suficiente para transformar qualquer desorganização em posse prolongada, pressão e oportunidades de gol. Por isso, a prioridade de Cuca precisa ser impedir que a ausência de Arthur produza um buraco justamente na região em que o Santos terá de competir durante os 90 minutos.

Cebolinha deixa uma ausência que pode ser compensada pela volta de Neymar

O caso de Cebolinha é diferente. O atacante havia começado a construir uma sequência justamente quando não poderia continuar. Estreou contra o Cruzeiro, participou da jogada do gol de Rollheiser, ficou fora contra o Remo por suspensão e voltou contra o São Paulo para dar assistência a Gabigol. Agora, justamente quando começava a ganhar ritmo e confiança, ficará impedido de enfrentar seu antigo clube por uma cláusula contratual.

Isso obriga Cuca a modificar o lado do ataque, mas também cria uma possibilidade interessante. Neymar está em fase final de recuperação da lesão na coxa direita e já realiza trabalhos de transição no gramado. A expectativa é que possa ser relacionado contra o Flamengo, embora a tendência seja de que comece no banco e tenha seus minutos controlados.

É uma diferença enorme. O Santos não conseguirá substituir Cebolinha simplesmente reproduzindo suas características. O atacante vinha oferecendo velocidade, capacidade de condução e profundidade pelos lados do campo. Neymar, por outro lado, muda a natureza do ataque.

Com ele, o Santos pode ter menos necessidade de buscar a jogada individual pelo corredor e mais possibilidade de construir por dentro. Neymar pode receber entre as linhas, aproximar-se de Gabigol e Rollheiser e transformar a posse em uma sequência de passes capaz de tirar o Flamengo de sua estrutura defensiva.

Isso significa que a ausência de Cebolinha pode ser compensada não por um jogador equivalente, mas por uma mudança de comportamento.

Gabigol pode continuar sendo a referência mesmo contra o líder

Se existe uma certeza ofensiva neste momento, ela atende pelo nome de Gabigol. O centroavante marcou os dois gols da virada sobre o São Paulo e chegou a uma sequência que transformou completamente a percepção sobre sua temporada. Depois de passar por um período de questionamentos, o atacante voltou a ser decisivo justamente quando o Santos mais precisava.

A questão agora será descobrir como utilizá-lo contra uma equipe que provavelmente oferecerá menos espaços. O Flamengo deve controlar mais a posse e pressionar o Santos durante longos períodos. Isso pode obrigar Gabigol a participar mais da construção, sair da área e buscar espaços entre os zagueiros e os volantes.

Ao mesmo tempo, o Santos não pode perder sua principal arma: a capacidade de atacar rapidamente quando recupera a bola. É aí que jogadores como Rollheiser e Rony podem assumir uma importância ainda maior. Se Neymar estiver disponível, o camisa 10 poderá ser o responsável pela primeira decisão da transição, enquanto os jogadores pelos lados terão de atacar os espaços deixados pela defesa flamenguista.

O Santos não precisa necessariamente ter mais posse. Precisa saber o que fazer com ela.

O Santos não pode deixar os desfalques mudarem sua identidade

A maior preocupação de Cuca talvez não seja encontrar os onze jogadores para começar a partida, mas impedir que as ausências façam o Santos abandonar aquilo que o levou até a quinta vitória consecutiva.

A equipe chegou a esse momento porque conseguiu melhorar coletivamente. Não dependeu apenas de uma estrela. Jogadores que estavam sendo questionados cresceram, os reforços começaram a se encaixar e Gabigol recuperou protagonismo. A sequência recente mostra justamente que o Santos conseguiu encontrar soluções internas.

Agora será necessário fazer isso novamente. Arthur está fora, mas Bontempo retorna. Cebolinha está impedido de enfrentar o Flamengo, mas Neymar pode reaparecer. Luan Peres volta à defesa. Rollheiser deve estar disponível depois de se recuperar do quadro de virose que o tirou do clássico, enquanto Gabigol não apresenta lesão apesar do desgaste físico.

Existe, portanto, uma espécie de equilíbrio entre perdas e ganhos. O Santos não chega inteiro. Mas também não chega desmontado. E essa diferença pode ser fundamental.

(Foto; Raul Baretta/Santos)