(por Layo Lucena) Como explicar o escancarado declínio de uma das grandes equipes da Inglaterra, o Arsenal FC. Um time que teve seu auge e a sua queda em um espaço de 20 anos. De uma temporada invicta (2002-2003) ao questionamento da força do atual elenco, levantando uma dúvida na participação do time no Big-Six do campeonato inglês. Na minha opinião, a recessão da equipe londrina começou após a grande final da Champions League de 2005-2006. Decisão essa disputada entre Arsenal e Barcelona. O time catalão, com Ronaldinho Gaúcho, Samuel Eto’o, Carles Puyol, Deco e um jovem Lionel Messi, contra Thierry Henry, Robin Van Persie, Robert Pirès e outros grandes jogadores. Apesar de todas essas estrelas, foi um defensor que definiu. Belletti foi o herói do título do Barcelona. Depois desse jogo, o Arsenal nunca mais foi o mesmo.Nos anos seguintes, os Gunners perderam jogadores importantes, tanto por negociações com outras equipes quanto por lesões, ou até para a aposentadoria. Henry, considerado o “Rei de Arsenal”, foi para o Barcelona, sendo a mudança mais notável dessa época. Depois da saída de grandes jogadores do time, o Arsenal tentou se manter grande, mas uma sequência de resultados decepcionantes minou a fé da torcida com o time. Fato esse que mexeu com grandes nomes do elenco, como Robin Van Persie e Cesc Fábregas, que decidiram mudar de ares em busca de novas oportunidades em outras equipes. As negociações renderam um certo lucro significativo, porém, a forma como ele foi investido, foi questionável. Investimento em jogadores franceses, por preferência de Arsène Wenger, que simplesmente não vingaram, outros reforços que atuavam uma, duas, três vezes ao ano por conviverem com lesões, como foi o caso de Santi Cazorla. Nomes desse período que chamaram a atenção: Andrey Arshavin, Marouane Chamakh, Emmanuel Adebayor, Lukas Podolski, Mesut Ozil, Olivier Giroud e Theo Walcott. Grandes atletas que não vingaram no Arsenal. Baixa produtividade, lesões, falta de motivação nas partidas e poucas oportunidades, tudo isso corroborou em uma fase cheia de ambição, mas que acabou em decepção. Durante esse período, o time ficou nove anos sem conquistas, até levantar um troféu em 2013-2014.Walcott, por sinal, era um dos grandes talentos do Arsenal, mas não chegou nem perto das expectativas criadas nele. Aos 16 na seleção da Inglaterra, o baixinho e veloz camisa 14 nunca se tornou a estrela que todos esperavam. Walcott não foi o único. Aaron Ramsey e Jack Wilshere também foram exemplos de jogadores que começaram muito bem pela base do Arsenal, mas, por conta de inúmeras lesões e problemas extra campo, nunca assumiram o papel de protagonistas do elenco. Até então, o Arsenal ainda era presença garantida na Champions League, e sempre na frente do Tottenham na tabela de classificação do inglês. No entanto, contra outros do Big-Six, formado por Liverpool, Chelsea, Manchester United, Manchester City e Tottenham, o time de Londres ia mal, um “vício” negativo que não parece ter fim. O desempenho em copas, na Champions, Europa League e outros torneios também caiu. Com isso, a era Wenger chegou ao fim, com durabilidade, mas com um número de títulos pequeno. A partir desse momento, só ladeira abaixo. Antes de continuar a trajetória do time, tenho que ressaltar que a era Wenger, apesar do baixo número de títulos importantes, foi relevante, tanto para o futebol mundial quanto para a identidade futebolística do Arsenal. A posse de bola, o excesso de passes até o “golpe mortal”, os rápidos e mortíferos contra-ataques, dentre outros quesitos que Wenger colocou no DNA esportivo da equipe. Claro, ele errou como gerente geral em alguns momentos, mas, na beira do gramado, foi fundamental para a evolução do modo de jogo do campeonato inglês, que saiu da mesmice de jogar a bola na área, e, até ouso dizer, do futebol mundial. Dito isso, começaremos a estação Unai Emery. O ex-Sevilla e Paris Saint-Germain fez sucesso pelas conquistas múltiplas da Europa League e títulos na França, porém não funcionou nos Gunners. Nesse momento, muitas equipes da Inglaterra evoluíram. Everton, o próprio Tottenham e Leicester assumiram novo patamar na Premier League, enquanto o Arsenal sofreu em assimilar o estilo de Emery. O treinador ainda teve uma chance de vencer um campeonato prestigiado, mas foi goleado pelo Chelsea na final da Europa League em 2018. O vexame marcou a sua rápida passagem no comando do elenco (2018-2019). Após a queda de Emery, um ex-atleta assumiu a posição de técnico: Mikel Arteta. Arsenal na atualidadeArteta, que foi por muitas temporadas o auxiliar e o número de dois de Pep Guardiola, começou bem, “salvou” a temporada após a saída de Emery. Depois de evitar o pior em 2019-2020, Arteta tem a temporada de 2020-2021 completa para mostrar resultados. Até esse momento, o Arsenal continua em baixa, tanto no futebol quanto na tabela, mas o futuro parece interessante. Com Arteta no comando, os Gunners voltaram com a mentalidade de “jovens talentos” que, até agora, aproveitam muito bem as oportunidades. Bukayo Saka, Emile Smith Rowe, o brasileiro Gabriel Martinelli, Kieran Tierney e Martin Odegaard (Real Madrid), dentre outros, são destaques na equipe que vive um mau momento. Jovens somados a experiência de David Luiz, Willian, Alexandre Lacazette, Héctor Bellerín e Pierre-Emerick Aubameyang tentam emplacar em 2021, colocando todas as esperanças na Europa League. Os Gunners sofreram com contratações, departamento médico recheado e talentos tomados por lesões, tudo isso para recuperar o antigo prestígio perdido no passado. Um tempo de Henry, Fábregas dominando o meio campo, Sol Campbell no comando da zaga e Jens Lehmann no gol. O Arsenal atual é recheado de talentos e jogadores importantes, lembrando uma época há muito tempo esquecida. A nostalgia em ver esse elenco jogar, em alguns jogos, traz a esperança de um novo Arsenal vencedor, forte e temido, algo que a torcida já não acompanhava há mais de uma década. No entanto, essa ressurreição não acontecerá em 2021, nem em 2022, quem sabe em cinco anos. Só o tempo dirá.
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