Tenis

Nick Kyrgios – a polêmica carreira de um louco habilidoso

(por João Vitor Nascimento)Nick Kyrgios, o polêmico australiano (com nome de grego), chegará neste domingo, em sua primeira final de Grand Slam em simples. Sua partida contra Novak Djokovic, será o maior desafio da carreira do tenista de 27 anos, que coleciona momentos controversos, traumas pessoais pesados, e uma bela história de superação e sobrevivência.  O piso preferido de Kyrgios, é a grama. Ele nunca escondeu isso, e faz questão de declarar, sempre que pode.  Neste piso, Kyrgios, venceu o torneio júnior de Wimbledon em 2013 (fazendo a dobradinha, sendo campeão em simples e em duplas), e também, lá fez sua estreia em Grand Slams adultos, no ano seguinte.  E que estreia! Nick foi a sensação do campeonato, derrotando nomes importantes do tênis, como Richard Gasquet (então, número 13 do ranking mundial), e o lendário Rafael Nadal (na época, número 1 do mundo), pelo caminho, onde chegou até às quartas de final.  Kyrgios, também teve uma campanha de destaque no Aberto da Austrália de 2015 (em quadra dura), onde também chegou às quartas.  Outro ótimo resultado de Nick em piso sintético, é o vice campeonato no Masters 1000 de Cincinnati, em 2017, onde foi derrotado na final, pelo búlgaro Grigor Dimitrov. Em sua melhor posição, no ranking da ATP, Kyrgios já chegou a ser o 13º do mundo.  Nick, ainda carrega uma marca importante: Faz parte do seletíssimo grupo de atletas (junto com Hewitt e Hrbatý) que conseguiram bater Rafael Nadal, Roger Federer e Novak Djokovic (que curiosamente, será seu rival no domingo), na primeira vez que enfrentou cada um deles.  “King Kyrgios”, como gosta de ser chamado, é um cara singular, no circuito. Ele já teve seus problemas dentro e fora de quadra, e se tornou mais conhecido pelo público, por conta disso.  O talento do australiano é indiscutível. Sabe jogar muito bem, em todas as superfícies que atua (raramente, joga no saibro, pois segundo o próprio: “Embora meu estilo de jogo se adeque muito bem ao saibro, eu escorrego demais lá, e isso me deixa furioso”). Porém, sua personalidade extremamente midiática, e seu comportamento em quadra, o trazem vários problemas.  Por decisão própria, Nick não tem mais um treinador. Prefere viajar para os torneios com seus amigos e noiva. Ele diz: “Todos os treinadores que tive, tentaram me domar… Não gosto muito disso”. Já teve como treinador, Joshua Eagle, Sébastien Grosjean, Todd Larkham, entre outros.  Kyrgios é conhecido por ser extremamente volátil, dentro de quadra. Seus episódios de destempero, já o causaram várias punições e multas. Costuma perder a paciência, quando erra muitos golpes (costuma destruir muitas raquetes, por causa disso), ou quando discorda das marcações da arbitragem. Já brigou com vários juízes, oponentes, e até mesmo com torcedores… É só lembrar do dia em que entrou em uma feia discussão com um torcedor, em Miami em 2019, no meio de um jogo contra Dusan Lajovic, porque o mesmo não gostou, quando Kyrgios fez seu famoso saque por baixo, pra cima de Lajovic. Os dois ficaram trocando ofensas por um bom tempo, e só Deus sabe o que aconteceria, se o indivíduo não tivesse sido expulso do local.  Por mais que se possa eufemizar, a verdade é que Kyrgios é uma persona non grata, para muita gente, devido ao seu estilo falastrão. Não mede palavras para dizer o que pensa, para a imprensa, e para qualquer um que esteja em seu caminho. Já se auto proclamou “o melhor jogador de grama do mundo”, já declarou que não gosta tanto assim, de tênis, preferindo muito mais, jogar basquete; E no começo desta semana, disse: “Por mais que não gostem de mim, principalmente esse cara (referindo-se à Stefanos Tsitsipas), todos tem que reconhecer que eu sou muito importante para o tênis. Muita gente paga ingresso por minha causa… Eu loto estádios”. Além de ser acusado de ser antidesportivo (muito, graças ao saque por baixo), de não se esforçar e perder jogos de propósito (não indo atrás das jogadas dos adversários), de xingar oponentes em quadra (como fez com Stanislas Wawrinka, em 2015), entre outras ocorrências.  Mas, diante de tanto sucesso e polêmicas, Kyrgios escondeu um segredo por muito tempo. Após o torneio de Wimbledon em 2019, entrou em uma grave crise depressiva, chegando a parar de treinar, ganhar peso, e tentar suicídio. Nick, relata que só saía de sua cama, para comer.  Após, muito tempo de recuperação, Nick Kyrgios, retornou às quadras, no início do ano, em Brisbane. E tomou uma decisão, que lhe traria uma das maiores alegrias, da carreira.  Decidiu se aliar ao seu melhor amigo, Thanasi Kokkinakis (curiosamente, também é um australiano com nome grego), para jogar a chave de duplas masculinas do Aberto da Austrália.  Os dois explicaram a formação da dupla, por fatores além da amizade de anos. Kokkinakis, também já passou por problemas emocionais, e queria estar próximo do amigo, para lhe dar apoio.  Resultado: Kyrgios e Kokkinakis foram campeões do Australian Open, juntos, em casa, na frente de uma arena completamente lotada. Essa conquista foi muito importante para a saúde mental de Kyrgios, que afirma não sentir mais, o que sentia antes.  Por mais “bad boy” que seja, Kyrgios também tem seu lado filantrópico. Como um grande defensor do estilo de vida Vegano, Nick doou parte do seu prize money do ano, para a ajuda ao combate aos incêndios florestais na Austrália, em 2020. Além de advogar pela causa do tratamento médico, à problemas psicológicos.  Após pular a temporada de saibro, Kyrgios entrou com tudo, no Torneio de Wimbledon. Mesmo estando “frio” de competição, o australiano mostrou o porquê de adorar jogar na grama. É uma superfície que favorece o estilo provocativo e veloz, de Nick. Deero  Querendo ou não, Nick Kyrgios é um personagem emblemático para o tênis