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Brasileirão Futebol

Torcida do Corinthians planeja “vaquinha” para pagar dívida da Neo Química Arena

Membros da torcida organizada Gaviões da Fiel, do Corinthians, estão desenvolvendo uma campanha de arrecadação de recursos para quitar ou amortizar parte do financiamento feito pelo Corinthians com a Caixa Econômica Federal para a construção da Neo Química Arena, inaugurada em 2014. A dívida do clube com o banco ultrapassa R$ 710 milhões, e atualmente, o Corinthians ainda está pagando os juros desse financiamento.

A dívida da arena é um componente significativo na situação financeira do Timão, que tem um passivo total de mais de R$ 2,1 bilhões, conforme o último balanço do clube em março. A quitação da dívida do estádio permitiria um alívio nas contas do clube, possibilitando maiores investimentos no futebol e facilitando o pagamento do restante da dívida.

Plano da Torcida

A Gaviões da Fiel pretende promover uma “vaquinha” entre os torcedores para ajudar a pagar a dívida do estádio. Com uma base de 35 milhões de torcedores, a torcida acredita que é possível arrecadar uma quantia significativa. A ideia é criar uma chave PIX para que as doações sejam creditadas diretamente no valor devido pelo Corinthians à Caixa Econômica Federal. A torcida está buscando a parceria do banco para dar credibilidade à campanha, garantindo que o dinheiro vá diretamente para o pagamento da dívida, sem intermediários.

Uma alternativa considerada é a criação de uma conta “escrow” (conta de garantia), que liberaria os fundos arrecadados apenas quando um valor mínimo acordado fosse atingido. Isso garantiria que o dinheiro só fosse utilizado para o pagamento da arena conforme o combinado.

Torcida do Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr/ Ag Corinthians)
Torcida do Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr/ Ag Corinthians)

Aprovação do Corinthians

Os Gaviões da Fiel apresentaram o projeto à diretoria corinthiana, mas ainda não solicitaram autorização formal para seguir adiante. O clube não se pronunciou oficialmente, pois se trata de uma iniciativa independente dos torcedores. Outras propostas para o pagamento do financiamento com a Caixa estão sendo debatidas internamente, e o clube deve retomar as negociações com a estatal após a nomeação de um novo diretor financeiro.

Posição da Caixa Econômica Federal

A Caixa Econômica Federal confirmou o encontro com representantes dos Gaviões da Fiel para ouvir a proposta dos torcedores. No entanto, devido ao sigilo bancário, não foram revelados detalhes sobre a estruturação da dívida.

Em 2013, o Corinthians fechou um financiamento de R$ 400 milhões para a construção da Neo Química Arena, via BNDES e intermediado pela Caixa. A dívida atual é de R$ 717,8 milhões, conforme o último balanço de março. O aumento se deve aos juros e pequenas inadimplências. Em março, o clube não conseguiu pagar a parcela completa do financiamento, repassando apenas R$ 17 milhões dos R$ 20 milhões devidos.

A expectativa é que o clube paulista pague cerca de R$ 80 milhões em juros este ano, com o “principal” sendo amortizado a partir de 2025. Desde o início dos pagamentos, o clube já repassou mais de R$ 200 milhões em juros para a Caixa.

Proposta Recente

Em novembro de 2023, o Corinthians propôs pagar R$ 531 milhões para quitar a dívida, usando R$ 356 milhões do acordo de naming rights com a Hypera Pharma e R$ 175 milhões de precatórios. A proposta foi recusada pela Caixa, que afirmou que os recursos dos naming rights pertencem ao Arena Fundo de Investimento Imobiliário e não podem ser usados para esse fim.

A renegociação corre paralelamente à intenção do Corinthians de vender 49% da Neo Química Arena, oferecendo cotas do fundo imobiliário a investidores.

A campanha da torcida organizada, se bem-sucedida, poderá ser uma alternativa significativa para ajudar o clube a resolver suas dificuldades financeiras e focar novamente nos investimentos no futebol.

(Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)