O Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) deu ganho de causa a Kylian Mbappé e determinou que o PSG efetue o pagamento de aproximadamente 61 milhões de euros (cerca de R$ 390 milhões) ao atacante do Real Madrid, referentes à sua transferência para o Santiago Bernabéu no segundo semestre de 2024. Após semanas de análise, o tribunal reconheceu os argumentos apresentados pelo capitão da seleção francesa. A decisão, contudo, ainda não é definitiva, já que o clube parisiense tem o direito de recorrer. Por maioria, os quatro árbitros responsáveis pelo caso se posicionaram a favor do jogador e decretaram a execução imediata da sentença.
No dia 16 de novembro, representantes legais de Mbappé e do PSG participaram de uma audiência em que o atleta pleiteou mais de 260 milhões de euros (R$ 1,6 bilhão) junto ao ex-clube. Em resposta, o time parisense apresentou uma contra-reivindicação de 440 milhões de euros (R$ 2,8 bilhões), alegando má-fé por parte do jogador. Esse pedido foi rejeitado pelo Conselho Prud’hommes, instância em que quatro magistrados analisaram uma disputa que já se arrastava há meses. Para fundamentar sua defesa, os advogados do astro do Real Madrid denunciaram supostas “táticas de intimidação” adotadas pelos franceses, que, segundo eles, justificaria a cobrança de valores superiores a 200 milhões de euros.
Apesar disso, em 9 de dezembro, um tribunal parisiense negou o recurso apresentado pelo capitão da seleção francesa, no qual ele solicitava o bloqueio de 55 milhões de euros pertencentes ao atual campeão europeu. Já nesta terça-feira, o Conselho Prud’hommes — responsável por julgar conflitos trabalhistas — decidiu de forma categórica em favor do segundo maior artilheiro da história da seleção da França. Os advogados do PSG sustentaram que Mbappé teria agido de maneira desleal, apresentando documentos nos quais o jogador reconheceria um acordo com Nasser Al-Khelaïfi para o perdão do mesmo montante.
Além disso, o clube parisiense solicitou uma indenização de 440 milhões de euros (aproximadamente R$ 2,8 bilhões), alegando que o atacante, natural de Bondy, ocultou sua intenção de não renovar contrato, causando prejuízos significativos às finanças do clube. Ainda assim, a decisão dos quatro juízes não encerra definitivamente o litígio. O PSG já confirmou que irá recorrer da decisão relacionada à saída de Mbappé rumo ao Real Madrid. A penalidade de 61 milhões de euros imposta ao clube representa, por ora, uma vitória parcial para o jogador, que pretende levar o caso até as últimas instâncias. O processo seguirá com o recurso apresentado pelo clube francês.
Ao deixarem o Conselho Prud’hommes, os advogados de Kylian Mbappé demonstraram satisfação com o resultado. “Durante mais de 18 meses, trabalhamos para restringir este conflito aos salários e bônus que eram devidos ao nosso cliente. Por isso, consideramos uma vitória. Não se trata de algo pessoal, mas de um princípio básico: quem trabalha, deve receber”, afirmaram. A defesa do atleta espera que o pagamento dos 61 milhões de euros seja efetuado pelo PSG o quanto antes.
O PSG confirmou que acata a decisão do Conselho Prud’hommes que o obriga a pagar 61 milhões de euros a Kylian Mbappé, embora tenha reiterado sua intenção de recorrer. Em nota oficial, o clube afirmou ter atuado sempre de boa-fé e desejou sucesso ao jogador do Real Madrid no restante de sua carreira. Paralelamente à disputa judicial, a equipe comandada por Luis Enrique concentra suas atenções na final da Copa Intercontinental, na qual enfrenta o Flamengo nesta quarta-feira (16), às 14h (horário de Brasília), no Estádio Ahmad bin Ali, em Al Rayyan, no Catar.

Como Mbappé conquistou uma vitória milionária contra o PSG na Justiça
A batalha judicial entre Kylian Mbappé e o PSG terminou com um resultado amplamente favorável ao atacante francês, que obteve o reconhecimento judicial de valores milionários não pagos ao término de seu contrato. A decisão é considerada um dos episódios mais relevantes envolvendo direitos trabalhistas no futebol europeu nos últimos anos.
O processo teve início nos meses finais da passagem de Mbappé pelo PSG, quando o jogador passou a cobrar salários, bônus contratuais e prêmios de fidelidade que, segundo sua defesa, foram indevidamente retidos pelo clube. O PSG argumentava que tais valores estavam vinculados a acordos internos e compromissos verbais firmados durante tratativas de renovação, alegações que não foram comprovadas no processo.
Ao examinar o caso, a Justiça francesa entendeu que os direitos trabalhistas do atleta se sobrepunham a qualquer entendimento informal, ressaltando a ausência de cláusulas contratuais que autorizassem a retenção dos pagamentos. Dessa forma, os magistrados reconheceram que Mbappé cumpriu todas as suas obrigações profissionais até o fim do vínculo, fazendo jus à integralidade dos valores previstos.
Outro aspecto determinante foi o entendimento de que a saída do jogador ao término do contrato — culminando na assinatura com o Real Madrid sem custos de transferência — não configurou quebra contratual, mas sim o exercício de um direito legal. Assim, as tentativas do PSG de obter indenizações foram rejeitadas, enquanto a maior parte das reivindicações do atleta foi acolhida.
A sentença determinou que o PSG quite dezenas de milhões de euros com o atacante, incluindo salários em atraso, bônus de assinatura e premiações esportivas. Embora ainda exista a possibilidade de recurso, a decisão inicial já é vista como uma vitória expressiva, tanto financeira quanto simbólica, para Mbappé.
Especialistas apontam que o caso estabelece um precedente importante no futebol europeu, reforçando a obrigatoriedade do cumprimento rigoroso dos contratos e limitando o peso de acordos informais entre clubes e atletas. Para Mbappé, o triunfo consolida não apenas uma vitória nos tribunais, mas também sua influência como um dos principais nomes de sua geração dentro e fora de campo.

PSG ou Mbappé: quem tende a sair vencedor nos próximos desdobramentos da disputa judicial
A vitória inicial de Kylian Mbappé sobre o PSG não encerra, necessariamente, um dos confrontos mais ruidosos do futebol europeu recente. Apesar do revés financeiro e institucional sofrido pelo clube francês, o caso ainda deve render novos capítulos, com possíveis impactos jurídicos e extracampo.
Do lado do jogador, a posição é considerada juridicamente consistente. A sentença reconheceu direitos trabalhistas claros — salários e bônus previstos em contrato — e reforçou que acordos verbais não prevalecem sobre documentos formais. Além disso, o cumprimento integral do contrato até o último dia enfraquece qualquer acusação de quebra contratual.
O PSG, por sua vez, aposta no recurso como tentativa de reduzir o impacto financeiro da condenação ou, ao menos, prolongar o processo. Internamente, o clube sustenta que houve má-fé durante as negociações de renovação e que a saída gratuita de Mbappé provocou prejuízos esportivos e comerciais. Ainda assim, especialistas avaliam que reverter o mérito da decisão será um desafio, especialmente diante da jurisprudência trabalhista francesa.
Nos bastidores, o clube também busca preservar sua imagem institucional, temendo que o caso abra precedentes desfavoráveis em futuras negociações com atletas de elite. Uma derrota definitiva poderia enfraquecer a posição dos clubes e ampliar o poder de negociação dos jogadores ao fim dos contratos.
Já Mbappé, atualmente no Real Madrid, acompanha o desenrolar do processo com serenidade. A decisão reforça sua narrativa de que agiu dentro da legalidade e fortalece sua imagem como atleta que defende seus direitos, mesmo diante de um dos clubes mais poderosos financeiramente do mundo. Caso o entendimento seja mantido em instâncias superiores, o francês sairá vencedor não apenas no aspecto financeiro, mas também simbólico.
Assim, embora o PSG ainda tenha margem para recorrer e tentar minimizar os danos, o cenário atual aponta clara vantagem para Mbappé. Os próximos capítulos devem se desenrolar mais nos tribunais do que nos gramados, mas tudo indica que, ao fim da disputa, o atacante francês seguirá levando a melhor — consolidando um dos embates jurídicos mais marcantes da história recente do futebol.
(Foto: Getty Images)