Alaba chegou ao Real Madrid após brilhar no Bayern de Munique como lateral-esquerdo. No fim da passagem pelos bávaros, porém, já vinha atuando como zagueiro, posição em que teve destaque também no clube merengue. A novidade agora é que, com Xabi Alonso no comando, o antigo companheiro de equipe do austríaco pode ter planos diferentes para aproveitar ao máximo seu futebol: uma nova função, desta vez no meio-campo.
Conhecido por sua técnica refinada, Alaba já exercia funções mais centrais quando jogava pela seleção da Áustria. Lá, atuava com mais responsabilidades do que nos clubes, muitas vezes como volante, fazendo bem a ligação entre defesa e meio.
Quando esteve ao lado de Xabi Alonso no Bayern de 2014, sob o comando de Pep Guardiola, o técnico espanhol buscava justamente jogadores versáteis, capazes de atuar em várias funções. Foi aí que Alaba se destacou de vez: virou aquele coringa que fechava espaços atrás e ajudava na construção com qualidade, o famoso “faz tudo” da bola.
Agora, com a bola rolando nos amistosos de pré-temporada, Xabi decidiu testá-lo novamente nessa função, como volante. Foi o que aconteceu diante do Leganés. Vale lembrar que o Real chegou a mirar Rodri, do Manchester City, para reforçar essa posição. Se Alaba der conta do recado, o plano pelo espanhol pode ser engavetado por mais tempo, e o veterano austríaco ganha sobrevida, mesmo com as recentes lesões que o atrapalharam.
Alaba pode encontrar espaços para ser importante

As lesões prejudicaram bastante a vida de Alaba e a do Real Madrid também. Sem ele e com Militão fora durante toda a temporada 2024/25, o time teve de se virar com opções escassas na zaga. Rudiger oscilou bastante, e Asencio até mostrou evolução, mas caiu muito de rendimento na reta final. Isso forçou o clube a ir ao mercado atrás de alternativas.
Com o retorno de Militão e a chegada de Huijsen, Xabi Alonso finalmente ganha mais tranquilidade para montar sua defesa, e pode se dar ao luxo de usar Alaba como peça mais “dispensável” no setor. Nesse cenário, o austríaco tem a chance de se reinventar no meio-campo e continuar sendo importante no maior campeão da Champions League.
Ainda que esteja longe do auge físico, ele pode viver algo parecido com o que vimos de Filipe Luís no Flamengo. Chegou como lateral, mas passou a ser quase um técnico dentro de campo, usando a inteligência e a experiência pra compensar o físico. Alaba pode ser esse cérebro no meio, rodeado de jovens talentos ainda em formação, diamantes brutos, como dizem por aí.
Dá até pra imaginar que essa movimentação seja, quem sabe, uma despedida à altura. Uma última missão para o austríaco provar seu valor, brigando por espaço como primeiro volante, posição que hoje tem Tchouaméni como principal nome.
O detalhe é que o francês também sofreu com improvisações, já tendo sido recuado para a zaga por Carlo Ancelotti, algo bem distante de sua preferência.
A diferença agora? Ele vai disputar posição com alguém improvisado… na posição dele.
Foto: Alexander Hassenstein/GettyImages