A Alemanha finalmente voltou ao mata-mata da Copa do Mundo. Depois de duas eliminações consecutivas ainda na fase de grupos, a seleção garantiu vaga nos 16 avos de final e encerrou um jejum que durava desde o título conquistado em 2014, no Brasil. É cedo para colocar os alemães entre os grandes favoritos ao troféu, mas o sentimento é diferente daquele das últimas edições. O time ainda apresenta falhas importantes, principalmente na defesa, mas também mostra sinais claros de que voltou a ser uma seleção capaz de competir em alto nível.
A classificação veio com tranquilidade. A equipe de Julian Nagelsmann chegou à terceira rodada já garantida na liderança do Grupo E, o que fez com que a derrota por 2 a 1 para o Equador tivesse impacto praticamente nulo na campanha. O resultado serviu mais para expor pontos que ainda precisam ser corrigidos do que para gerar preocupação em relação à classificação.
O caminho até o mata-mata foi construído nas duas primeiras partidas. Logo na estreia, a Alemanha confirmou o favoritismo ao aplicar uma goleada por 7 a 1 sobre Curaçao, mostrando superioridade do começo ao fim. Contra a Costa do Marfim, os alemães saíram atrás, encontraram dificuldades durante boa parte da partida e precisaram buscar a virada. O gol da vitória saiu apenas nos minutos finais, reforçando uma característica que sempre acompanhou a seleção: a capacidade de continuar lutando até encontrar uma forma de vencer.
A maior diferença em relação às últimas Copas talvez seja justamente essa. Depois dos fracassos em 2018 e 2022, existia muita desconfiança sobre o futuro da seleção. Agora, mesmo sem apresentar um futebol perfeito, a Alemanha voltou a transmitir confiança e competitividade. É verdade que ainda existem aspectos para evoluir, mas o time parece novamente preparado para disputar jogos grandes.
A defesa continua sendo o principal motivo de preocupação para a Alemanha
Se existe um ponto que impede qualquer empolgação maior, ele está no sistema defensivo. A última vez que a Alemanha terminou uma partida de Copa do Mundo sem sofrer gols foi justamente na final de 2014, contra a Argentina. Desde então, a equipe sempre foi vazada no torneio, independentemente do adversário. Nesta edição, a história voltou a se repetir.
Na estreia, o time sofreu um gol inesperado marcado pelo Curaçao. Já contra a Costa do Marfim, apesar da vitória, a Alemanha passou momentos de bastante dificuldade e poderia até ter saído derrotada. O adversário criou boas oportunidades, explorou espaços e obrigou os alemães a correrem atrás do resultado. Na terceira rodada, diante do Equador, a classificação antecipada naturalmente reduziu o peso da partida. Ainda assim, a equipe voltou a sofrer defensivamente e acabou derrotada por 2 a 1. O resultado não alterou a liderança do grupo, mas serviu para mostrar que os problemas continuam presentes.
Como se isso não bastasse, na segunda rodada Nagelsmann ainda perdeu Nico Schlotterbeck para o restante da competição. O zagueiro sofreu uma lesão no tornozelo e desfalca justamente o setor que mais preocupa dentro do elenco alemão. Neste cenário, a ausência aumenta a responsabilidade dos demais defensores exatamente no momento em que a Copa entra em sua fase eliminatória.
Agora, o treinador precisará encontrar soluções rapidamente. E devemos lembrar que no mata-mata qualquer erro pode ser decisivo, principalmente diante de seleções com maior qualidade ofensiva.
Alemanha volta a ser uma seleção que inspira respeito
Apesar das preocupações defensivas, o saldo da campanha continua sendo positivo. O ataque mostrou força, o elenco oferece boas alternativas durante as partidas e o ambiente parece muito mais leve do que aquele visto nas duas últimas Copas do Mundo.
Apesar das dúvidas na defesa, a classificação muda o ambiente da seleção. Depois das eliminações ainda na fase de grupos em 2018 e 2022, a Alemanha finalmente volta a disputar o mata-mata da Copa do Mundo. Dentro do elenco existe a sensação de que a competição começa de verdade agora, justamente quando os confrontos passam a ser eliminatórios.
É claro que apenas a tradição não será suficiente para levar a equipe até a final. A Alemanha ainda precisará corrigir falhas, principalmente na defesa, e encontrar uma maneira de minimizar a ausência de Schlotterbeck. Caso continue oferecendo tantas oportunidades aos adversários, a caminhada pode terminar rapidamente.
Mesmo assim, o cenário é muito diferente daquele vivido nos últimos anos. Depois de tanto tempo convivendo com eliminações precoces, a Alemanha finalmente recuperou parte da confiança que parecia perdida.
Agora começa um torneio completamente diferente. A margem para erros desaparece e cada jogo ganha um peso muito maior. Neste cenário, a Alemanha sabe que ainda tem pontos importantes para evoluir, mas também sabe que possui qualidade suficiente para crescer durante a competição. E, quando uma seleção tão forte historicamente chega no mata-mata da Copa do Mundo, ela automaticamente entra muito forte na briga pelo título e pode crescer a cada nova fase.
Créditos da foto de capa: Getty Images Sport.