Alex Poatan x Magomed Ankalaev UFC 313
Lutas UFC

Alex Poatan precisa mudar estratégia para recuperar o cinturão? Confira a análise

O mundo do MMA aguarda ansiosamente o UFC 320, marcado para 4 de outubro, quando Alex “Poatan” Pereira terá a chance de recuperar o cinturão dos meio-pesados em revanche contra Magomed Ankalaev. O brasileiro, que construiu sua reputação no UFC com nocautes devastadores e um estilo agressivo, viu seu ímpeto ser neutralizado em março, no UFC 313, quando perdeu o título após cinco rounds dominados pelo russo.

Apesar de ter frustrado todas as 12 tentativas de queda de Ankalaev, Poatan não conseguiu impor seu jogo em pé, característica que sempre foi sua arma mais letal. Essa passividade levantou questionamentos, inclusive de Dan Hardy, ex-lutador e hoje analista de MMA, que destacou a hesitação do brasileiro como um dos fatores decisivos na derrota.

O peso do respeito

Na visão de Hardy, Poatan demonstrou “respeito demais” pelo adversário. O brasileiro pareceu paralisado diante da ameaça constante do wrestling de Ankalaev, mesmo que este raramente tenha sido efetivo ao longo da luta. Essa hesitação quebrou o ritmo característico de Pereira, que costuma intimidar adversários pela pressão física e psicológica que exerce.

Hardy lembra que Poatan é mais perigoso justamente quando dita a distância: foi assim que destruiu Sean Strickland, avançando para dentro do alcance rival, e também quando pressionou Jamahal Hill, que não conseguiu suportar o peso da envergadura do campeão. Contra Ankalaev, entretanto, Pereira ficou num limbo tático, sem avançar com confiança nem recuar de forma estratégica.

A vitória de Ankalaev não veio apenas da precisão de seus golpes, mas de uma presença estratégica que confundiu o brasileiro. Embora tenha um wrestling de elite, o russo raramente o utiliza como principal arma, preferindo confiar em seu boxe técnico. No entanto, apenas o “fantasma” da queda foi suficiente para prender Pereira, que parecia lutar com mais preocupação em não ser derrubado do que em soltar seu arsenal ofensivo.

Essa dinâmica transformou a luta em um duelo mental em que Ankalaev teve total controle. Ele não precisou dominar no chão para vencer — bastou plantar a dúvida.

O que Poatan precisa mudar na revanche

Para Hardy, a chave da revanche está no reposicionamento de Pereira dentro do octógono. O brasileiro precisa assumir uma postura mais agressiva e ocupar o espaço de Ankalaev, forçando o russo a lutar em condições desconfortáveis.

Uma das sugestões do analista é que Pereira utilize mais o clinch, aproveitando sua experiência no muay thai. O “Thai clinch”, clássico no kickboxing, pode ser uma ferramenta não apenas para golpear com joelhadas, mas também para neutralizar tentativas de queda e manter a luta em pé, onde o brasileiro tem vantagem clara.

Outro ponto crucial é a defesa de quedas em movimento ofensivo. Na primeira luta, Poatan defendeu bem, mas sempre reagindo, em posição recuada. Avançando sobre Ankalaev, ele pode obrigar o russo a arriscar entradas mais previsíveis e expostas, criando brechas para contra-golpes.

Além disso, a revanche contra Ankalaev não é apenas mais uma disputa de cinturão — ela representa um ponto decisivo na carreira de Poatan. Aos 37 anos, ele já construiu um legado relâmpago dentro do UFC, conquistando títulos em duas categorias em menos de três anos. Porém, para manter essa aura de fenômeno, ele precisará mostrar capacidade de adaptação diante de um adversário que já o neutralizou uma vez.

Se repetir a postura hesitante, corre o risco de entregar novamente o controle tático a Ankalaev. Mas se conseguir impor sua pressão, aproximar-se com inteligência e confiar em seu poder de nocaute, poderá virar a chave e reconquistar o cinturão.

Um duelo de narrativas

Enquanto Ankalaev busca consolidar-se como campeão dominante em uma categoria historicamente instável, Pereira encara o desafio de provar que sua ascensão meteórica não foi apenas um episódio passageiro. O UFC 320 será, portanto, mais do que uma revanche: será o confronto entre a frieza estratégica de um russo metódico e a agressividade instintiva de um dos maiores strikers que já passaram pelo octógono.

No fim das contas, a luta não será decidida apenas pela técnica, mas pela mentalidade. Se Poatan conseguir se libertar do respeito excessivo e recuperar a confiança que sempre foi sua marca registrada, poderá transformar Las Vegas em mais um palco de consagração. Caso contrário, Ankalaev terá mostrado, de novo, que às vezes o jogo mental vale tanto quanto o físico no MMA.