É nas adversidades que as grandes narrativas ganham forma. E o Atlético de Madrid viaja até San Mamés para encarar o Athletic Bilbao neste sábado (6) com uma lista significativa de ausências por conta de lesões. Para esse confronto, o técnico Diego Simeone não poderá contar com Álex Baena, José María Giménez e Johnny Cardoso, todos machucados durante a derrota por 3 a 1 para o Barcelona, no Camp Nou, em La Liga. Além deles, Marcos Llorente — que já estava fora — segue treinando separado do restante do elenco. Existe ainda a expectativa pelo retorno de Robin Le Normand, mas o zagueiro precisa passar por nova avaliação médica nas próximas horas.
Fisicamente desgastado e emocionalmente abalado pela queda diante do Barcelona, o Atlético de Madrid precisa reagir rapidamente, sem espaço para lamentações. Os desfalques complicam a vida de Simeone, mas também abrem espaço para novas soluções dentro do grupo. No Camp Nou, Thiago Almada foi o escolhido para substituir Baena. O andaluz vinha sendo o principal nome do time (ao lado de Nahuel Molina), mas teve de deixar o campo no segundo tempo — apenas três minutos antes do gol de Dani Olmo. O treinador argentino então recorreu a Almada, que até então pouco aparecera na partida.
Antes de entrar contra o Barcelona, o meia havia ficado de fora dos duelos com Getafe, Oviedo e Internazionale por decisões técnicas. Foram 270 minutos seguidos no banco, assistindo ao bom momento da equipe sem participar. Desde sua chegada, o rendimento do argentino tem oscilado e perdido força. Contratado aos 24 anos, o ex-Lyon e Botafogo desembarcou no Atlético de Madrid para agregar versatilidade e criatividade ao ataque, carregando ainda o desejo antigo de vestir a camisa 10, a mesma usada por seu amigo e ídolo Ángel Correa, atualmente jogador do Tigres, do México.
Após sua saída do Lyon, Almada assinou com o Atlético de Madrid justamente quando a camisa 10 estava sendo deixada para trás no verão europeu. Na pré-temporada, o argentino chamou atenção, consolidou-se como peça-chave e ganhou espaço atrás de Baena e Julián Álvarez, iniciando como titular nas três primeiras rodadas de La Liga. Entretanto, durante a primeira pausa internacional, acabou lesionando a panturrilha após grande atuação contra a Venezuela, partida na qual herdaria a camisa 10 de Messi.
A lesão o tirou o argentino do duelo seguinte, contra o Equador, e o afastou do Atlético de Madrid entre 30 de agosto e 18 de outubro de 2025, quando finalmente voltou marcando seu primeiro gol na Espanha, contra o Osasuna. Contudo, desde então, não voltou a iniciar uma partida. Nem sequer completou 30 minutos em campo até a visita ao Camp Nou. Ainda assim, Almada trouxe dinamismo ao ataque colchonero, embora tenha falhado na finalização. Na derrota para o Barça, protagonizou lance típico de Ángel Correa: driblou vários defensores, superou Joan García, mas chutou para fora.
Ambos compartilham o talento no drible, mas se diferenciam no entendimento do jogo. Almada costuma recuar e construir desde trás, enquanto Ángel Correa é mais agudo próximo do gol. O camisa 11 do Atlético de Madrid ainda teve a chance de se redimir ao protagonizar uma ótima tabela e uma arrancada brilhante antes de cruzar para Griezmann — tudo sinalizava um gol claro, mas o francês não conseguiu finalizar com precisão. Apesar disso, a meia hora do ex-Botafogo deixou uma sensação de ameaça ao adversário.
Durante o jogo, ele completou sete passes no terço final (de 19, com 90,5% de acerto), sendo superado apenas por Barrios, que teve dez em mais de uma hora em campo. Agora, a ausência de Baena obriga jogadores até então coadjuvantes a assumir protagonismo. Almada precisa funcionar como elo entre meio-campo e ataque, recuando pela esquerda e criando oportunidades. Cabe a Simeone decidir se o argentino começará como titular em San Mamés ou se aguardará no banco.
Por fim, Thiago Almada também tenta se livrar do rótulo de “reserva de impacto”, rótulo esse que desgastou Correa ao longo dos anos. Apesar dos dois gols e uma assistência saindo do banco, o meia quer provar que pode contribuir desde o início. O argentino vem demonstrando isso com sua seleção e, em momentos de pressão, seu valor precisa emergir. Depois de se destacar com as camisas de Botafogo e Lyon, agora busca firmar sua posição como titular no Atlético de Madrid nesta temporada sob o comando de Simeone.

Almada vê sua maior chance no Atlético de Madrid em um momento frágil
O meia argentino Thiago Almada — recém-chegado ao Atlético de Madrid — vive a maior oportunidade desde que assinou com o clube colchonero: provar seu valor justamente quando a equipe enfrenta uma sequência de desfalques e instabilidade.
Chegada promissora, mas adaptação acidentada
Contratado após um ciclo de destaque no Botafogo e no Lyon, Almada chegou ao Atlético cercado de expectativa. A negociação milionária tinha um objetivo claro: reforçar a criatividade e a profundidade do setor ofensivo.
O início foi animador. Titular nas primeiras rodadas da La Liga, parecia ambientado. Contudo, uma lesão no sóleo, somada a escolhas técnicas de Simeone, tirou o ritmo do jogador, deixando-o fora por quase dois meses e reduzindo drasticamente seu tempo de jogo.
O cenário que pode reacender sua importância
No recente duelo contra o Barcelona, Almada entrou no lugar de Baena e mostrou qualidades valiosas: movimentação constante, construção de jogadas e precisão nos passes no campo ofensivo.
Agora, com Baena, Giménez e Johnny Cardoso lesionados, o setor ofensivo do meio-campo do Atlético de Madrid sofre baixas importantes — e isso abre espaço para Almada disputar minutos mais relevantes e, finalmente, reconquistar a titularidade.
Mais do que recuperação: uma virada de trajetória
Aos 24 anos, cercado por pressão e expectativa, Almada vive o momento decisivo para justificar o investimento feito pelo clube. Como destacou o veículo espanhol citado pela matéria original, “é nos momentos difíceis que as histórias são forjadas” — e este pode ser o ponto de virada do argentino. Se corresponder, deixará de ser apenas um recurso de emergência e poderá se consolidar como peça central nos planos de Simeone.

Thiago Almada: a luta por afirmação no Atlético de Madrid e o sonho da Copa do Mundo de 2026
Desde que chegou ao Atlético de Madrid, Thiago Almada tenta consolidar sua posição e manter vivo o sonho de retornar com força à Argentina, visando a disputa da Copa do Mundo de 2026, que será realizada no Canadá. nos Estados Unidos e no México. Depois de passagens marcantes por Botafogo e Lyon, o meia de 24 anos espera transformar talento, mobilidade e visão de jogo em protagonismo no estilo de intensidade que caracteriza os colchoneros.
Os primeiros meses em Madri foram positivos, mas a lesão precoce comprometeu o ritmo do jogador. Mesmo assim, suas recentes aparições reacenderam esperança na comissão técnica de Diego Simeone: ainda que de forma irregular, Almada tem mostrado lampejos importantes de criatividade e dinâmica ofensiva. Com o elenco sofrendo com desgaste e desfalques, surgem enfim oportunidades para conquistar espaço fixo entre os titulares.
Para Almada, firmar-se no Atlético de Madrid representa muito mais do que estabilidade no clube: é sua melhor chance de continuar no radar da seleção e disputar uma vaga no Mundial de 2026. Aos 24 anos, vivendo o momento mais significativo de sua trajetória recente, o argentino sabe que esta temporada poderá definir o rumo de sua carreira — e seu futuro no cenário internacional.
(Foto: Getty Images)