Carlo Ancelotti Seleção brasileira
Copa do Mundo Futebol Seleção Brasileira

Análise tática: como o Brasil se comportou no novo esquema 4-3-3 de Ancelotti

A seleção brasileira entrou com um esquema diferente para o amistoso contra o Egito, último compromisso antes da estreia contra o Marrocos pela Copa do Mundo. Para o jogo em Cleveland, Carlo Ancelotti optou por um 4-3-3, com Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá no meio-campo. Diferentemente da vitória sobre o Panamá, no Maracanã, o técnico italiano escolheu uma formação com três meias, abandonando o 4-2-4 que vinha sendo utilizado.

O esquema possuía uma variação e podia se transformar em um 4-2-3-1, com Paquetá atuando mais próximo dos pontas Vinicius Júnior e Raphinha. Mudanças interessantes no último teste antes do início da Copa do Mundo, ainda em busca do time ideal.

Mudança para três meias deixa a seleção brasileira mais criativa e em vantagem numérica

Logo nos primeiros minutos, foi possível observar uma forma de jogar mais posicional, com Casemiro transitando entre a defesa e o meio-campo e Paquetá flutuando pelo setor central e se aproximando dos pontas. Bruno Guimarães também tinha liberdade para avançar, enquanto Casemiro permanecia mais fixo na região central, atuando como um verdadeiro “cão de guarda”.

Bruno Guimarães também auxiliava na saída de bola, recuando até a linha defensiva para participar da construção. E foi justamente ele quem abriu o placar. O camisa 8 recuperou a bola no meio-campo, avançou e finalizou para marcar o primeiro gol do Brasil.

Em outros setores da equipe, era interessante observar Douglas Santos e Wesley bastante adiantados pelos lados do campo, enquanto Roger Ibañez avançava até a região do círculo central para colaborar na construção ofensiva.

Voltando ao meio-campo, era possível notar alguns espaços quando o Brasil estava sem a posse de bola. Porém, quando tinha a bola, os meias se aproximavam constantemente. O Egito chegou ao empate após uma falha individual de Marquinhos, aproveitada por Mostafa Ziko.

Quando tentava pressionar a saída de bola egípcia, Vinicius Júnior, Raphinha e Igor Thiago lideravam a marcação, acompanhados pelos laterais, que avançavam bastante. Roger Ibañez também subia frequentemente e, quando o Brasil atacava, atuava praticamente como um volante, próximo de Casemiro.

Na prática, o 4-3-3 se transformava em um 3-2-5, com Casemiro se comportando quase como um terceiro zagueiro e Wesley e Douglas Santos funcionando como alas. Com a entrada de Danilo no lugar de Wesley, após o lateral sentir um problema físico, os dois laterais passaram a atuar de maneira mais conservadora, já que Danilo possui características mais defensivas, quase como um zagueiro.

As principais oportunidades do Brasil surgiam quando o meio-campo se compactava e a troca de passes fluía com mais qualidade. A Seleção também conseguia recuperar rapidamente a posse de bola ainda no campo de ataque, graças à pressão pós-perda, e foi justamente dessa forma que nasceu o gol brasileiro.

A pressão pós-perda pode ser um caminho interessante para enfrentar seleções que atuam de maneira mais reativa. Encurtar o campo, manter as linhas próximas e sufocar o portador da bola pode ajudar o Brasil a criar chances mais rapidamente contra equipes que se fecham defensivamente.

Quando os três meias se aproximavam, surgiam as melhores oportunidades da Seleção, principalmente pelos pés de Bruno Guimarães, que encontrava passes importantes. Em uma delas, o meia do Newcastle serviu Igor Thiago, que desperdiçou a chance. Em outra, lançou Vinicius Júnior, que entrou livre na área e tocou de calcanhar para Igor Thiago, que novamente não conseguiu concluir em gol.

Os dois meias com mais liberdade ofensiva conseguiam criar boas oportunidades, e as principais jogadas do Brasil passavam por Paquetá e Bruno Guimarães. A Seleção demorou um pouco para conseguir alargar a defesa egípcia e aproveitar a superioridade numérica no meio-campo e no ataque.

Mas, quando conseguiu atuar de forma mais compacta e organizada, criou boas chances e poderia ter ido para o intervalo em vantagem.

(Foto: Rafael Araújo/CBF)