O Brasil enfrenta a Argentina no clássico mais famoso do mundo entre seleções pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026 nesta terça-feira. Os confrontos dos últimos anos têm mostrado que os argentinos estão cada vez mais fortes, enquanto os brasileiros vivem um momento de incerteza desde a saída do técnico Tite.
Os números confirmam essa realidade. A última vitória brasileira ocorreu em 2019, em Belo Horizonte, e, desde então, a Argentina mudou de treinador e conquistou tudo o que poderia, incluindo a Copa do Mundo de 2022. A “Scaloneta” de Lionel Scaloni parece invencível, mas a ausência de alguns jogadores importantes pode tornar a equipe um pouco mais vulnerável contra o Brasil.
As principais baixas são Lionel Messi e Lautaro Martínez, além de Nico González, que cumprirá suspensão. As mudanças no meio de campo da Argentina podem abrir espaços para a velocidade do Brasil, mas como explorá-los?
Pressão alta mal feita pode ser transformada em oportunidades de transição
O Brasil não precisa se preocupar em ter a posse contra a Argentina, já que os adversários gostam de controlar o jogo com a bola e não hesitam em pressionar alto para recuperá-la rapidamente. No entanto, Enzo Fernández teve dificuldades nesse aspecto na derrota para o Uruguai e não parece totalmente adaptado à função que desempenhou. Esse pode ser um ponto a ser explorado pelos brasileiros.
Com Matheus Cunha pronto para ser titular no ataque, a Seleção ganha uma nova dinâmica de movimentação, já que o atacante desempenha quase um papel de meia ofensivo quando joga pelo Wolverhampton. Aliado à velocidade de jogadores como Vinícius Júnior e à chegada de Joelinton ao ataque — que gosta de pisar na área —, esse pode ser um caminho promissor para o Brasil em jogadas de transição.
Ainda assim, a Argentina pode se aproveitar da falta de entrosamento do meio de campo brasileiro para pressionar a saída de bola, caso o Brasil insista em construir o jogo desde a defesa.
Movimentação de Matheus Cunha contra zagueiros lentos
Diante da Argentina, Matheus Cunha deve ser titular no lugar de João Pedro. Embora ambos tenham características semelhantes e não atuem como centroavantes clássicos em seus clubes, podem cumprir um papel parecido, abrindo espaços para que Vini Jr., Raphinha e outros jogadores ataquem a área e criem oportunidades de gol.
Esse cenário pode ser ainda mais favorável devido à forma como a Argentina monta sua defesa. Por atuar com uma linha alta, Cristian Romero e Nicolás Otamendi frequentemente ficam expostos, especialmente quando a equipe não conta com um volante fixo à frente da zaga. Se Cunha conseguir vencer os duelos físicos e armar passes decisivos, poderá encontrar os jogadores mais velozes em boas condições para finalizar.
No fim, a construção ofensiva do Brasil contra a Argentina não pode depender exclusivamente da troca de passes e do controle da posse de bola. A equipe precisa controlar o meio de campo, mesmo com os desfalques de Gerson e Bruno Guimarães, e apostar no jogo de transição. Dessa forma, os brasileiros terão mais chances de explorar as fragilidades defensivas da Argentina e criar oportunidades de gol.
O que é preciso tomar cuidado?
Controlar o meio de campo e abrir mão da posse de bola não significa que o Brasil deva jogar retrancado. Pelo contrário: a marcação alta pode ser altamente eficiente quando exige poucos passes para chegar ao gol. Portanto, o Brasil precisa evitar recuar demais e ceder espaço à Argentina, pois o talento da seleção hermana pode ser fatal.
Além disso, a compactação será essencial. A Argentina conta com jogadores como Alexis Mac Allister e Thiago Almada, que sabem jogar muito bem entre as linhas e podem ser perigosos caso o Brasil não consiga reduzir os espaços. Scaloni é um técnico essencialmente posicional, e a estratégia para conter times que valorizam a posse de bola já é conhecida: manter as linhas compactas e fechar os espaços entre elas.
Para vencer uma das melhores seleções do mundo e começar a consolidar seu trabalho, Dorival Júnior precisa mostrar que tem o que é necessário para superar a Argentina fora de casa. Caso contrário, seu trabalho será ainda mais questionado.
(Foto: Daniel Ramalho/Getty Images)