A Juventus começou a Serie A com duas grandes vitórias contra o Como e o Hellas Verona, rapidamente se posicionando no topo da tabela e impressionando com seu futebol fluido. Sob o comando de Thiago Motta, vemos uma Juve muito diferente da época de Massimiliano Allegri. Em vez de uma equipe defensiva, agora temos um time mais ofensivo.
Desde a construção ofensiva até a parte defensiva, a Juventus está diferente, mas não apenas em comparação com Allegri, mas também em relação a tudo o que vemos no futebol atual. As táticas revolucionárias de Thiago Motta, antes ridicularizadas, hoje o transformam em um dos técnicos mais conceituados do futebol mundial.
Neste texto, vamos entender como Thiago Motta implementa seu estilo de jogo, desde os primórdios e influências de seu conceito “2-7-2” até a forma como a Juventus se porta em campo. O time é um “camaleão”, mas com uma ideia de jogo bem definida.
Thiago Motta e as táticas horizontais

Quem não está familiarizado com o estilo de jogo de Thiago Motta pode estranhar o conceito “2-7-2”. No entanto, ele é fácil de entender. Em vez de ver o futebol de forma vertical, como acontece desde os tempos da pirâmide, Thiago o vê de forma horizontal. Assim, ele tem os pontas e laterais isolados, enquanto os zagueiros, meio-campistas, centroavante e goleiro (sim, o goleiro) estão no centro.
Ao enxergar o futebol de forma horizontal, Thiago Motta cria vários conceitos táticos interessantes. O principal deles é o goleiro como parte integral da construção, não apenas na saída de bola, mas quase como um terceiro zagueiro em certos momentos. Pela liberdade que o novo treinador da Juventus dá aos zagueiros para avançar, eles agem como meias, deixando os laterais e o goleiro responsáveis pela construção no meio-campo.
Thiago Motta tem várias inspirações para seu estilo de jogo. Por ter estudado com nomes renomados, seu jogo emula várias ideias em um só conceito. A Juventus de Thiago busca manter a posse de bola e, assim como Fernando Diniz, segue um estilo “aposicional”. No entanto, diferente do ex-Fluminense, o time tem uma amplitude que lembra o Barcelona de Pep Guardiola.
O time de Thiago também se inspira em nomes como José Mourinho, especialmente no contra-ataque. Contudo, enquanto Mourinho adota um estilo com linhas mais baixas, a fase ofensiva do contragolpe conta com poucos jogadores. Esse não é o caso do novo treinador da Juventus, que coloca vários homens na área graças às suas linhas mais altas. Motta também adere ao “Gegenpressing” de Joachim Löw e ao jogo direto de Marcelo Bielsa.
O time de Thiago Motta em campo
A saída de bola de Thiago Motta se dá de várias formas, como já vimos na Juventus. Quando o goleiro participa da construção, ele tenta acionar passes incisivos no meio para os dois “zagueiros” ou busca os pontas pelos lados, criando amplitude e liberando espaço no meio-campo. Além dos meias, o atacante também participa da construção, como vimos com Joshua Zirkzee no ano passado.
Com Michele Di Gregorio no gol da Juventus, vemos diferentes formas de saída para o time. Além da construção com uma linha mais alta, também observamos a Juve trabalhando com uma linha mais baixa, atraindo a pressão do adversário para encontrar mais espaços no meio-campo.
Na fase ofensiva, o time de Thiago Motta utiliza seu sistema 2-7-2 para criar superioridade numérica no meio ou pelos lados do campo, com o centroavante identificando os espaços entre as linhas adversárias para manter a posse de bola. Além disso, o atacante também é responsável por dar amplitude ao time, liberando o ponta que inevitavelmente estará livre quando houver essa superioridade.
Defensivamente, Thiago foca em não perder o controle do meio-campo, geralmente defendendo em um tradicional 4-4-1-1 ou 4-4-2. Com isso, ele consegue recuperar rapidamente a posse de bola e levar seu time ao ataque de forma mais direta. Antes disso, ele aplica um “Gegenpressing” tradicional logo após perder a bola.
A Juventus de Thiago Motta
Existem algumas diferenças claras entre a Juventus de Thiago Motta e seu Bologna da temporada passada. Embora vejamos Dusan Vlahovic saindo da área para criar superioridade numérica no meio-campo e pelos lados, o treinador reconhece que é importante manter o sérvio mais próximo do gol. É aí que entra o principal nome dessa equipe: Kenan Yildiz, apelidado carinhosamente de “Turkish Del Piero”.
Yildiz atua como um “trequartista”, ocupando o espaço no meio-campo e atraindo os marcadores para que seus companheiros possam acionar Vlahovic na área. Na Juventus, Yildiz desempenha um papel semelhante ao que Zirkzee desempenhava no Bologna, mas isso não significa que Vlahovic não sai da área. Pelo contrário, ele trabalha muito mais como um construtor do que como um pivô sob o comando de Thiago Motta.
Outros nomes importantes para essa Juventus incluem Manuel Locatelli, que mostrou contra o Como que vai brigar por posição com Teun Koopmeiners e Douglas Luiz, aproveitando os espaços deixados por Yildiz. Além disso, Andrea Cambiaso atuou menos como ponta contra o Verona, também ocupando o espaço no meio-campo e liberando Nicolò Savona, que pode ser uma grande descoberta para a equipe.
Ainda é muito cedo para analisar completamente o impacto de Thiago Motta na Juventus, mas os primeiros sinais são muito promissores. A Velha Senhora, depois de muitos anos difíceis, pode finalmente voltar a ser um time competitivo tanto na Serie A quanto nas competições internacionais.

