Uma das grandes surpresas da temporada é o Nottingham Forest, comandado pelo português Nuno Espírito Santo. Atualmente na terceira colocação da Premier League, o Forest vem realizando um feito incrível após passar duas temporadas lutando contra o rebaixamento. No último fim de semana, a equipe aplicou uma goleada histórica de 7 a 0 contra o competente Brighton.
A goleada refletiu bem o que o Forest tem feito ao longo da temporada. É uma equipe que joga em alta velocidade, com uma transição rápida da defesa para o ataque, mas, acima de tudo, conta com uma estrutura defensiva sólida, que neutralizou o estilo fluido dos Seagulls. Além de ser taticamente disciplinado, o time de Robin Hood conta com jogadores que se encaixam perfeitamente nessa proposta de jogo.
No entanto, o Forest foge bastante dos padrões modernos de pressão na linha de ataque e posse de bola, e seus números evidenciam isso. Mesmo assim, a equipe consegue dominar seus adversários sem precisar da posse, lembrando o famoso “Catenaccio”, estilo de jogo defensivo que fez sucesso com treinadores como Helenio Herrera e Nereo Rocco.
Embora o Catenaccio tradicional seja considerado ultrapassado, o Forest pratica uma versão moderna do estilo, impedindo os adversários de entrar na área com facilidade e explorando contra-ataques letais. Vamos destrinchar os números e a estrutura da sensação da Premier League.
Os números do Nottingham Forest
Na atual temporada, o Nottingham Forest tem os piores números nos principais quesitos de posse de bola. A equipe troca poucos passes e aposta fortemente nas bolas longas. Isso fica evidente pela quantidade de passes tentados: 8.921, a pior marca de toda a Premier League.
Além disso, o Forest tem a menor média de posse de bola da liga, com apenas 40% de posse por jogo. Essa estatística também explica outro dado interessante: o time lidera a Premier League em passes longos tentados pelo goleiro, com 81% das jogadas iniciando com um lançamento direto para o ataque.
Outro aspecto que chama atenção é a pressão na saída de bola adversária. O Forest ocupa a última colocação da Premier League em intensidade de pressão, mas é o segundo colocado em interceptações e ações defensivas no meio de campo. Isso evidencia um padrão claro: o time de Nuno Espírito Santo não pressiona alto, mas ocupa os espaços e corta as linhas de passe para acionar seus jogadores em velocidade.
A forte estrutura defensiva do Forest
O Forest inicia seus jogos em um 4-2-3-1 e, ao contrário de muitas equipes modernas que mudam de esquema entre as fases ofensiva e defensiva, mantém essa formação enquanto se defende. Jogando em um bloco médio, o time permite que os defensores adversários fiquem com a bola, mas foca em cortar as linhas de passe.
Enquanto Chris Wood faz marcação individual em um dos zagueiros adversários, os meias ofensivos e pontas pressionam os volantes e laterais, e os volantes marcam qualquer jogador que tente aparecer entre as linhas. No entanto, contra o Brighton, essa estrutura sofreu uma leve modificação devido à ausência de Callum Hudson-Odoi.
Nuno optou por um esquema com três zagueiros, escalando Morato, Milenkovic e Murillo, liberando Neco Williams e Ola Aina para atuarem como alas. Essa mudança permitiu a Morgan Gibbs-White maior liberdade para organizar as jogadas ofensivas, enquanto Anthony Elanga flutuava no ataque ao lado de Wood.
Defensivamente, a estrutura seguiu com o mesmo princípio: fechar os espaços e forçar os adversários a cruzar ou arriscar chutes de longa distância, que, estatisticamente, têm baixa taxa de conversão.
Os contra-ataques letais
Como qualquer equipe defensiva bem estruturada, o Nottingham Forest aposta nos contra-ataques em alta velocidade, mas a forma como faz isso é bastante eficiente. Embora seja um time defensivo, ele sempre mantém jogadores prontos para partir em velocidade.
Quando o adversário quebra a primeira linha de marcação, os jogadores ofensivos do Forest não recuam imediatamente, pois os volantes costumam ter vantagem numérica no meio de campo. Isso garante que, ao recuperar a bola, o Forest tenha jogadores em boa posição para puxar o contra-ataque.
Quando está compactado em sua linha de cinco defensores, o time ainda mantém pelo menos três jogadores prontos para sair em velocidade. Com Hudson-Odoi saudável, ele ou Elanga costumam ficar mais adiantados. Contra o Brighton, a estratégia foi diferente: com três zagueiros, Gibbs-White avançou mais para explorar a velocidade de Elanga, enquanto os alas aceleravam assim que a equipe recuperava a posse.
Apesar de priorizar o contra-ataque, o Forest também mostrou que sabe construir jogadas desde a defesa. A saída de bola começa com Sels, que geralmente lança para Wood, permitindo que o atacante desvie para os pontas ou acione o meio de campo. Mesmo quando Wood não vence a disputa aérea, a equipe se posiciona para vencer a segunda bola e iniciar a jogada ofensiva.
A movimentação dos meias também é essencial para esse sucesso. Anderson e Gibbs-White buscam receber a bola entre a defesa e o meio de campo adversário, procurando um passe que rompa as linhas e encontre um jogador livre. Esse atleta, então, pode acionar os laterais pelos lados ou buscar Wood, que está sempre bem posicionado dentro da área.
A disciplina tática e o compromisso dos jogadores com o estilo de Nuno Espírito Santo fazem do Forest um adversário difícil de enfrentar. Mesmo que a briga pelo título ainda pareça um sonho distante, a classificação para a Champions League já é uma possibilidade real.
Se mantiver esse desempenho, o Nottingham Forest pode surpreender ainda mais na temporada e consolidar sua identidade como um time extremamente competitivo na Premier League.
(Foto: Getty Images)