Com a vitória sobre Alex “Poatan” Pereira no UFC 313, o russo Magomed Ankalaev finalmente virou o campeão da categoria dos meio-pesados. Dominante, metódico e dono de um estilo pouco plástico, mas eficiente, Ankalaev superou o brasileiro por decisão, encerrando a era relâmpago de Poatan e, ao mesmo tempo, levantando dúvidas sobre os próximos passos da divisão.
Desde então, a expectativa natural era de uma revanche imediata — uma prática comum no UFC, especialmente quando o lutador derrotado ainda é uma figura midiática como Poatan. No entanto, com o brasileiro supostamente recusando o convite para uma revanche no UFC 317, e com o card do evento já fechado, o foco parece estar se voltando para um novo nome.
O dilema envolvendo Poatan
Logo após o UFC 313, a impressão geral era de que uma revanche entre Ankalaev e Poatan era apenas questão de tempo. A luta foi competitiva, e embora Ankalaev tenha vencido com justiça, o duelo esteve longe de ser um atropelo. Poatan, mesmo derrotado, teve seus momentos e mostrou que, com ajustes, poderia oferecer um desafio real em um eventual segundo encontro.
Entretanto, o UFC tinha vontade de colocar os dois para lutar no UFC 317, fato que, segundo Ankalaev, foi rejeitado por Poatan. Em entrevistas, Poatan afirmou que não recebeu proposta oficial do UFC para a revanche e, ao que tudo indica, deve aguardar uma nova oportunidade mais à frente. Rumores ainda não confirmados também indicam que o lutador pode estar lidando com problemas físicos que justificariam um afastamento temporário.
Com isso, o UFC 317 foi definido com outras atrações principais, e Ankalaev, agora como campeão, deve retornar somente em algum card posterior, possivelmente no final de 2025. No entanto, a recusa de Poatan e recentes declarações parecem ter frustrado o UFC, que está preparando um novo nome na divisão.
Carlos Ulberg: o nome da vez?
Carlos Ulberg, lutador neozelandês da equipe City Kickboxing (a mesma de Israel Adesanya), vive a melhor fase da carreira. São oito vitórias consecutivas no UFC, sendo a última sobre ninguém menos que Jan Błachowicz, ex-campeão da divisão e um dos nomes mais duros do plantel.
Além da boa sequência, Ulberg impressiona pelo estilo agressivo, poder de nocaute e confiança crescente. Aos 33 anos, o peso-meio-pesado parece ter encontrado seu auge físico e técnico, combinando inteligência estratégica com força bruta. Sua vitória sobre Błachowicz o levou ao top 3 do ranking da categoria, tornando-o uma opção mais do que plausível para disputar o cinturão.
Outro fator que joga a favor de Ulberg é o momento da divisão. Com Jiri Prochazka aparentemente fora do radar imediato (inclusive supostamente descartado pelo próprio Ankalaev), e com Jamahal Hill vindo de derrotas, o neozelandês se posiciona como o desafiante com mais momentum na atualidade.
Quem merece a chance contra Ankalaev?
A discussão sobre Carlos Ulberg ser ou não o desafiante mais adequado passa por dois pontos principais: merecimento esportivo e apelo comercial.
No aspecto esportivo, os argumentos são fortes. Ulberg venceu adversários duros, mostrou evolução clara a cada luta e não perde desde sua estreia no UFC. Seu desempenho contra Błachowicz, um nome consolidado, foi técnico, maduro e sem deixar dúvidas. Embora seu nome ainda não carregue o peso midiático de Poatan ou Prochazka, o neozelandês representa algo que o UFC costuma valorizar: consistência e ascensão legítima.
No entanto, do ponto de vista do entretenimento, Ulberg ainda é um nome discreto fora dos bastidores do MMA. Lutas com Poatan ou Jiri, por exemplo, garantem muito mais atenção, pay-per-view e repercussão global. Isso pesa na hora da definição, e pode ser um obstáculo para sua nomeação imediata.
Outro fator que complica o quebra-cabeça é o próprio Magomed Ankalaev. O russo, que finalmente alcançou o cinturão após anos no top da categoria, não é o campeão mais carismático da organização. Seu estilo é eficiente, mas não empolgante. E embora seja extremamente técnico, luta de forma pragmática e segura, o que dificulta sua venda como atração principal.
Por isso, o UFC pode estar relutante em colocá-lo contra um desafiante com perfil parecido — menos midiático e pouco falante — como Ulberg. A organização gosta de contrastes. E uma revanche contra Poatan, com ares de rivalidade e o componente “Brasil x Rússia”, naturalmente gera mais interesse.
Uma possível revanche entre Ankalaev e Prochazka também foi especulada, mas parece fora dos planos imediatos. Prochazka, que foi nocauteado por Poatan na disputa de cinturão vago em 2023 e mais recentemente na disputa pelo cinturão linear no ano passado, segue como um nome popular e respeitado, mas o russo supostamente descartou enfrentá-lo, ao menos neste momento.
Assim, Jiri pode estar sendo reservado para outro confronto no futuro, talvez dependendo do resultado entre Ulberg e Ankalaev, caso esse duelo se concretize.
Esperar Poatan ou seguir em frente?
O UFC está diante de um dilema estratégico. Por um lado, tem um ex-campeão popular como Poatan, que vende, mas rejeitou a luta numa data importante para o UFC. Por outro, tem um desafiante legítimo como Carlos Ulberg, que tem menos apelo, mas muito mérito esportivo.
A decisão dependerá de múltiplos fatores: saúde de Poatan, planejamento de cards futuros e, claro, a necessidade do UFC de manter a divisão ativa e relevante. Caso Ulberg receba a chance, será um passo justo, coerente com sua trajetória. Mas, se Poatan se mostrar disponível até o final do ano, a revanche ainda pode ser a grande luta que a categoria precisa para consolidar seu novo campeão.
Até lá, o trono de Ankalaev está seguro. Mas os olhos estão bem abertos, e os nomes na fila estão prontos para desafiá-lo.
(Foto: Getty Images)