O UFC confirmou mais um duelo de peso pesado para movimentar o fim de 2025. No dia 1º de novembro, no UFC Apex, em Las Vegas, o croata Ante Delija encara o dominicano Waldo Cortes-Acosta em um confronto que promete mexer diretamente no ranking da categoria. A luta, que integra o card do UFC Fight Night 263, é considerada a mais dura da carreira de Delija dentro do octógono, tanto pelo nível do adversário quanto pelo peso do momento.
De pupilo de Cro Cop a nome consolidado
A trajetória de Delija carrega um peso simbólico para o MMA europeu. Conhecido como “pupilo de Mirko Cro Cop”, ídolo croata e um dos maiores pesos pesados da história, Delija aprendeu cedo a lidar com grandes expectativas. Não por acaso, sua transição para o UFC já veio com a marca de quem traz na bagagem não apenas experiência internacional, mas também o DNA de um país que respira artes marciais.
Antes de chegar ao maior palco do MMA, Delija construiu reputação sólida em organizações como KSW, Rizin e principalmente no PFL, onde sagrou-se campeão e mostrou consistência contra atletas de elite. Essa bagagem internacional o preparou para o desafio que é competir no UFC, onde o nível de exigência atinge o teto do esporte.
Delija estreou no UFC em setembro, no evento de Paris, diante de um adversário que lhe trazia más lembranças: Marcin Tybura. Dez anos antes, em 2015, os dois haviam se enfrentado no M-1 Challenge, e Delija saiu derrotado após sofrer uma grave lesão na perna no primeiro round.
O destino, porém, reservou uma revanche em grande estilo. Desta vez, no palco do UFC, Delija precisou de apenas um round para devolver a derrota e nocautear Tybura, mostrando não apenas evolução técnica, mas também resiliência mental para encarar fantasmas do passado. O triunfo colocou o croata diretamente no top 10 dos pesos pesados e pavimentou o caminho para um confronto de maior repercussão.
Waldo Cortes-Acosta: o maior desafio até aqui
Se a estreia já foi simbólica, o segundo compromisso promete ser ainda mais exigente. Do outro lado estará Waldo Cortes-Acosta, atual número 6 do ranking, conhecido pelo apelido de “Salsa Boy”. O dominicano vive um ano de grande atividade, com quatro lutas em 2025, e chega pressionado para se recuperar da derrota diante de Sergei Pavlovich, um dos nomes mais temidos da categoria.
Apesar do revés, Cortes-Acosta carrega vitórias importantes no currículo, incluindo triunfos sobre Serghei Spivac e o veterano Andrei Arlovski. Com um estilo agressivo e mãos pesadas, ele representa exatamente o tipo de desafio que testará a real capacidade de Delija em competir no topo do UFC.
O duelo não é apenas importante para as carreiras individuais, mas também para a própria dinâmica dos pesos pesados em 2026. Com Tom Aspinall no topo e nomes como Pavlovich, Cyril Gane e Jailton Malhadinho no radar, qualquer movimento dentro do top 10 pode redesenhar os próximos passos da categoria.
Para Delija, uma vitória significa colar de vez na elite, aproximando-se de possíveis lutas contra adversários do top 5 e, quem sabe, de uma disputa de cinturão no médio prazo. Já para Cortes-Acosta, é a chance de reafirmar seu lugar no topo após o tropeço mais recente.
Estilo de luta: força bruta com disciplina europeia
O que torna Delija interessante é a combinação entre a escola croata — marcada pelo striking pesado herdado de Cro Cop — e a experiência adquirida em ligas internacionais. Ele é um peso pesado de potência bruta, mas que não depende apenas disso. Mostra capacidade de absorver pressão, boa leitura de distância e, acima de tudo, disciplina tática.
Contra Tybura, Delija deixou claro que não precisa de muito tempo para achar o momento certo. Sua precisão e agressividade no ataque são armas que podem ser fatais em lutas de três rounds, onde o ritmo acelerado costuma favorecer quem consegue ser mais contundente.
Por outro lado, a defesa contra golpes pesados de Cortes-Acosta será posta à prova. O dominicano tem poder de nocaute e tende a avançar o tempo inteiro. Se Delija conseguir controlar a distância e administrar o ritmo, pode transformar o ímpeto do rival em oportunidade para contra-ataques.
Outro ponto a favor do croata é sua rotina de treinos. Delija faz parte de um camp de elite que inclui Aspinall, além de nomes como Martin Buday e Phil De Fries. Treinar diariamente com campeões e contenders de alto nível fornece a ele a preparação ideal para enfrentar um top 10 consolidado.
Essa vivência em sparrings duros, aliados à mentalidade formada ao lado de Cro Cop, faz com que Delija chegue ao UFC com menos deslumbre e mais objetividade. Ele sabe que cada vitória importa, principalmente em uma categoria que pode mudar drasticamente com uma sequência de triunfos.
(Foto: Zuffa LLC)