Anthony Gordon chegou ao Barcelona cercado de expectativa, mas é com a camisa da Inglaterra que o atacante tem mostrado ao mundo exatamente por que o clube catalão apostou tão alto em seu futebol. Na Copa do Mundo de 2026, o ponta vem deixando de ser apenas um jogador veloz para se transformar em uma peça fundamental no esquema de Thomas Tuchel, combinando intensidade, disciplina tática e poder de decisão.
Se muita gente ainda associa Gordon apenas às arrancadas em velocidade, o Mundial tem mostrado um atleta muito mais completo. Contra o México, nas oitavas de final, o inglês foi um verdadeiro “faz-tudo” em campo: participou ofensivamente, ajudou na marcação, correu praticamente sem parar durante os 90 minutos e ainda foi decisivo ao sofrer o pênalti que recolocou a Inglaterra em vantagem em um dos momentos mais delicados da partida.
Não é exagero dizer que Gordon está fazendo um papel muito parecido com aquele que Raphinha desempenhou em seus melhores momentos: um ponta capaz de desequilibrar, mas que também trabalha como poucos sem a bola.
De reserva a dono da ponta esquerda
A trajetória de Anthony Gordon nesta Copa do Mundo começou cercada por dúvidas.
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Thomas Tuchel alternou sua utilização entre titulares e reservas durante os primeiros compromissos da Inglaterra, buscando encontrar o melhor encaixe ofensivo da equipe.
Tudo mudou quando Gordon entrou diante da República Democrática do Congo. O atacante distribuiu duas assistências e aproveitou a oportunidade para ganhar moral com a comissão técnica. Mas foi diante do México que veio sua atuação mais completa.
Além de provocar o pênalti que ajudou os ingleses a retomarem o controle da partida, Gordon entregou exatamente aquilo que todo treinador adora: intensidade durante todo o jogo.
A partir daquele momento, Marcus Rashford perdeu espaço, e Gordon assumiu de vez a condição de titular pelo lado esquerdo do ataque inglês.
Muito mais do que velocidade
Quem olha apenas para os lances de ataque talvez não perceba o tamanho da contribuição de Gordon.
Os números contra o México ajudam a explicar por que Tuchel confia tanto nele.
O atacante percorreu 10,59 quilômetros durante a partida, realizou 40 sprints e participou diretamente de três sequências ofensivas que terminaram em finalizações.
Na parte defensiva, também impressionou.
Forçou quatro perdas de posse do adversário, participou de 38 ações de pressão e realizou cinco pressões diretas sobre os jogadores mexicanos.
É aquele tipo de atleta que faz o famoso “trabalho sujo”, mas com qualidade suficiente para também aparecer quando a bola chega ao ataque. Em outras palavras: o companheiro de time que todo treinador ama e que todo adversário detesta enfrentar.
A velocidade continua sendo uma de suas maiores armas
Claro que a explosão física continua sendo uma característica marcante do novo reforço do Barcelona. Anthony Gordon é atualmente o jogador mais rápido da seleção inglesa.
Na partida contra o México, atingiu impressionantes 35,8 km/h, marca que o coloca entre os dez atletas mais velozes de toda a Copa do Mundo.
Essa aceleração faz enorme diferença principalmente nas transições. Quando a Inglaterra recupera a posse, Gordon transforma qualquer espaço em uma oportunidade de ataque. E não é apenas correndo em linha reta.
Sua movimentação constante obriga os defensores a mudarem de posição o tempo inteiro, criando espaços para Harry Kane, Jude Bellingham e Morgan Rogers atacarem por dentro.
Movimentação faz a diferença
Talvez o principal destaque do Mundial de Gordon nem seja sua velocidade. O que mais chama atenção é sua inteligência sem a bola.
O inglês aparece entre os dez melhores jogadores da Copa em rupturas saindo do meio-campo em direção ao ataque, além de também figurar entre os líderes nas coberturas defensivas entre lateral e meio-campo.
São estatísticas que normalmente passam despercebidas pelo torcedor durante a transmissão, mas fazem enorme diferença para o funcionamento coletivo de uma equipe.
Gordon está constantemente oferecendo opção de passe, abrindo espaços para os companheiros e ajudando a proteger seu setor defensivo.
É o famoso jogador que parece estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
Até o técnico rival entrou na história
A intensidade de Gordon foi tanta contra o México que acabou rendendo uma cena curiosa.
Durante a partida, o técnico mexicano Javier Aguirre perdeu a paciência após uma jogada do inglês e gritou um sonoro “fuck you” na beira do campo.
A reação de Gordon?
Levou tudo na esportiva. Na zona mista, brincou com o episódio.
“Fiz o lateral deles correr o jogo inteiro. Então resolvi interpretar aquilo como um elogio.”
A resposta arrancou risadas e mostrou um jogador tranquilo, mesmo vivendo o melhor momento da carreira.
Mentalidade chama atenção
Além do desempenho físico e técnico, Gordon acredita que seu principal diferencial está na forma como reage às dificuldades.
O atacante explicou que não se abalou quando perdeu espaço no início da competição. Pelo contrário. Transformou a frustração em motivação.
“A razão pela qual normalmente consigo responder bem é minha mentalidade. Quando disseram que eu entraria contra a República Democrática do Congo, aproveitei. Depois veio o México e consegui sofrer o pênalti. Foi uma emoção enorme, mas precisamos esquecer isso rapidamente e pensar no próximo jogo.”
A declaração resume bem o perfil do jogador. Nada de acomodação. Mesmo vivendo grande fase, Gordon deixa claro que não considera o trabalho concluído.
Barcelona ganha um jogador completo
Se havia alguma dúvida sobre o investimento feito pelo Barcelona, a Copa do Mundo vem ajudando a respondê-la. Anthony Gordon entrega muito mais do que dribles e velocidade.
É um ponta moderno, capaz de pressionar alto, recompor defensivamente, atacar espaços e ainda decidir partidas.
Essas características explicam por que muitos enxergam nele um sucessor natural de Raphinha dentro do modelo de jogo que o Barcelona pretende construir.
A velocidade impressiona. A entrega conquista qualquer treinador. Mas talvez o maior diferencial seja justamente sua disposição para fazer tudo aquilo que normalmente não aparece nos melhores momentos das partidas.
Agora, diante da Noruega nas quartas de final, Gordon terá mais uma oportunidade para confirmar que sua excelente Copa do Mundo não é apenas uma boa fase passageira. Se repetir o nível das últimas atuações, a Inglaterra ganhará um trunfo importante na luta pelo título, enquanto o Barcelona poderá acompanhar de camarote a evolução de um reforço que promete dar muito trabalho aos adversários nos próximos anos.
Foto: Paul Childs
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