Franco Colapinto Alpine
Automobilismo Fórmula 1

Após altos e baixos, Franco Colapinto vive ano decisivo na F1 em 2026

Franco Colapinto chega ao seu terceiro ano na Fórmula 1 em 2026, mas será a primeira vez que iniciará uma temporada como titular. O argentino recebe mais uma oportunidade da Alpine após um 2025 sem brilho e limitado pela fraca performance do A525, que o relegou ao fundo do pelotão durante todo o campeonato. 

Diante de um novo regulamento técnico, em que a Alpine aparenta ter um carro bem-nascido e competitivo para o meio do pelotão, não há mais espaço para desculpas. 2026 surge como o ano decisivo, o verdadeiro “vai ou racha” na trajetória de Colapinto.

Início bombástico precedeu a queda de performance

Franco Colapinto Williams

Foto: Simon Galloway/Motorsport Images

Apesar de a forma recente não ser das melhores, a estreia de Colapinto foi surpreendente, tanto pelas circunstâncias quanto pela performance imediata. Tudo começou na reta final de 2024, quando a Williams perdeu a paciência e dispensou Logan Sargeant após um ano e meio marcados por pouca velocidade e muitos incidentes. A decisão abriu espaço para o piloto nascido em Pilar, província de Buenos Aires, então com 21 anos e em meio à sua primeira temporada de Fórmula 2, assumir o segundo carro da equipe de forma imediata. 

A estreia veio com um sólido 12º lugar em Monza. Logo na prova seguinte, surgiram os primeiros pontos, com a oitava posição no GP do Azerbaijão. A sequência positiva continuou, e um competitivo 11º lugar em Singapura, após uma largada fenomenal, seguido de mais um ponto com o décimo posto em Austin, consolidaram Colapinto como uma promessa imediata do grid. O paddock parecia rendido ao novo prodígio, inclusive a Red Bull, que enfrentava dificuldades com Sergio Pérez no segundo carro. 

No entanto, a partir do GP de São Paulo, a trajetória que parecia dos sonhos começou a ganhar contornos mais difíceis. O argentino bateu no treino classificatório e se envolveu em um segundo incidente durante a corrida, provocando bandeira vermelha. Em Las Vegas, nova batida na classificação, estimada em 50G, destruiu o FW46 e colocou em risco sua participação na prova. Os mecânicos conseguiram reparar o carro a tempo, e o 12º lugar acabou sendo sua última corrida concluída pela Williams, já que, no Qatar e em Abu Dhabi, abandonaria as provas. Desta vez, sem responsabilidade direta nos incidentes. 

O impacto positivo, contudo, permaneceu e chamou a atenção da Alpine, que o contratou como piloto reserva para o ano seguinte. Mais uma vez, Colapinto assumiu a responsabilidade no meio da temporada — neste caso, ainda mais cedo, após apenas seis Grandes Prêmios —, substituindo Jack Doohan 

O desafio era maior: o carro da equipe francesa era, de longe, o pior do grid naquela temporada. Embora tenha conseguido ir ao Q2 ocasionalmente e equilibrar o confronto interno com Pierre Gasly, nenhum ponto foi somado pelo argentino, enquanto o francês acumulou 15 nas 18 corridas em que foram companheiros de equipe. Ao menos, a incidência de batidas caiu drasticamente, e Colapinto terminou todas as corridas, à exceção do GP da Grã-Bretanha, no qual teve um problema mecânico antes mesmo da largada.

Preparação completa pode ajudar Colapinto

Franco Colapinto Alpine
Foto: XPB Images

Começar a temporada como titular é mais do que um voto de confiança da equipe. Para Colapinto, representa, pela primeira vez, ter um programa de pré-temporada completo pela equipe. Sem a pressão de ter que performar imediatamente após entrar no carro, ele teve a oportunidade de se adaptar e se preparar adequadamente para 2026. 

Quando estreou pela Williams em 2024, sua experiência na F1 resumia-se ao teste de pós-temporada no ano anterior e a um único treino livre, realizado em Silverstone, no mesmo ano. Portanto, contava com pouquíssima experiência não só na categoria, mas também no carro que iria guiar. Mesmo sob condições desfavoráveis, conseguiu performar.

Nos testes do Bahrein, Colapinto foi o 11º mais rápido no cumulativo das duas semanas. Ele andou 2.455 quilômetros, distância que equivale a cerca de oito corridas. Não será um ano sem pressão por desempenho para ele, após sua equipe fechar a contratação do promissor Alexander Dunne como piloto de desenvolvimento. O irlandês é apontado como um dos favoritos ao título da Fórmula 2. 

2026 se desenha como um ano de recomeço para a Alpine, que agora usa motores fornecidos pela Mercedes, e é apontada como uma das potências do meio do grid, junto com Haas, Racing Bulls e Audi.

(Sam Bagnall/Sutton Images via Getty Images)