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Futebol Copa do Mundo

Confira impressões de Argentina x Suíça: atuação deixa lições para o duelo contra a Inglaterra

A Argentina está entre as quatro melhores seleções da Copa do Mundo, mas a classificação sobre a Suíça deixou mais perguntas do que respostas para Scaloni. A vitória por 3 a 1 na prorrogação garantiu a vaga na semifinal, porém evidenciou problemas que já haviam aparecido em outras partidas do torneio. Ao mesmo tempo, também mostrou pontos positivos, principalmente na capacidade do treinador argentino de mudar o rumo do confronto com as substituições.

Do outro lado, a Suíça deixa a competição de cabeça erguida. A equipe fez um dos jogos mais competitivos das quartas de final, conseguiu igualar as ações diante de uma das favoritas ao título e só perdeu força depois da expulsão de Embolo, que mudou completamente o cenário da partida.

A Argentina volta a desligar durante a partida

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Foto: FIFA

Existe um ponto que preocupa a Argentina que voltou a aparecer contra a Suiça. Depois de abrir o placar logo aos 10 minutos, com Alexis Mac Allister aproveitando assistência de Lionel Messi em cobrança de escanteio, a Argentina praticamente deixou de atacar.

Em vez de aproveitar a vantagem para controlar o jogo, aumentar a intensidade e buscar o segundo gol, a equipe reduziu o ritmo e permitiu que a Suíça crescesse. O adversário passou a controlar a posse de bola, terminou o primeiro tempo com mais tempo de bola e conseguiu impedir que os argentinos criassem novas oportunidades.

Esse comportamento não é novidade na campanha argentina. Contra Cabo Verde, a equipe também diminuiu a intensidade depois de abrir o placar e permitiu que o adversário voltasse para a partida. Na ocasião, o empate levou o confronto para a prorrogação. Contra a Suíça, o roteiro voltou a se repetir.

Na segunda etapa, a diferença ficou ainda mais evidente. Até os 20 minutos, a Suíça havia finalizado cinco vezes, enquanto a Argentina ainda não havia conseguido sequer chutar ao gol. O empate no gol de Ndoye foi consequência natural da postura adotada pelos suíços, que pressionavam alto, ocupavam melhor os espaços e mostravam maior intensidade física.

Esse tipo de apagão pode custar muito caro na semifinal. A Inglaterra chega como o adversário mais qualificado enfrentado pela Argentina no mata-mata até aqui e dificilmente desperdiçará tantos momentos de domínio quanto fizeram Cabo Verde e Suíça.

A Suíça sai eliminada, mas valoriza ainda mais a classificação argentina

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Foto: FIFA

Apesar da eliminação, a atuação suíça merece reconhecimento. A equipe surpreendeu desde os primeiros minutos ao não aceitar uma postura apenas defensiva diante da atual campeã mundial.

A estratégia foi pressionar a saída de bola argentina, adiantar as linhas de marcação e impedir que Messi e companhia tivessem conforto na construção das jogadas. Mesmo depois de sofrer o primeiro gol, a Suíça manteve sua proposta e passou a controlar boa parte das ações ofensivas.

Durante boa parte do confronto, a equipe conseguiu limitar a criação argentina e foi recompensada com o empate no segundo tempo. O gol de Ndoye refletiu o momento vivido na partida. Mais do que isso, havia a sensação de que a virada poderia acontecer, já que a Argentina encontrava enormes dificuldades para responder ofensivamente.

O grande ponto de virada aconteceu apenas dois minutos depois do empate. Embolo tentou cavar uma falta, mas o VAR identificou a simulação. Como já havia recebido cartão amarelo anteriormente, acabou sendo expulso.

A partir daquele momento, o jogo mudou completamente. A Suíça foi obrigada a abandonar a postura agressiva e passou a defender praticamente durante todo o restante do confronto. Mesmo assim, resistiu à pressão argentina até a prorrogação, mostrando organização defensiva e espírito competitivo.

Embora a eliminação seja dolorosa, a campanha suíça termina valorizada por uma atuação que esteve muito próxima de eliminar uma das principais favoritas ao título.

Messi mantém regularidade, mas Argentina precisa de mais protagonistas

Messi - Argentina
Créditos da foto: Getty Images.

Se existe uma certeza na campanha argentina, ela atende pelo nome de Lionel Messi.

O camisa 10 voltou a ser o principal articulador da equipe, deu assistência para o primeiro gol e participou diretamente da maioria das jogadas ofensivas. Mais uma vez, foi o jogador mais constante da seleção durante os 120 minutos.

Enquanto Messi mantém um alto nível em todas as partidas da competição, outros nomes importantes ainda alternam boas e más atuações.

Mac Allister, por exemplo, não vinha realizando uma Copa do Mundo de destaque, mas apareceu no momento certo para abrir o placar diante da Suíça. Enzo Fernández também vive uma campanha irregular. Foi decisivo contra o Egito, mas teve dificuldades para repetir o desempenho nas quartas de final.

Julián Álvarez e Lautaro Martínez, dois dos principais atacantes argentinos, só conseguiram ser realmente decisivos contra a Suíça. Álvarez marcou um golaço na prorrogação, enquanto Lautaro fechou o placar aproveitando o rebote de Kobel.

A semifinal contra a Inglaterra exigirá uma atuação coletiva mais consistente. Se a Argentina continuar dependendo apenas da genialidade de Messi, encontrará muito mais dificuldades diante de um adversário que oferece maior qualidade técnica e organização tática.

Scaloni muda o jogo com as substituições

Lionel Scaloni Argentina
(Foto: Divulgação)

Se a atuação coletiva da Argentina deixou dúvidas durante o tempo regulamentar, Lionel Scaloni merece elogios pela maneira como conduziu a equipe na prorrogação.

O treinador percebeu que precisava aumentar ainda mais a pressão ofensiva e promoveu alterações que mudaram completamente o panorama da partida.

Thiago Almada entrou muito bem e passou a oferecer mais mobilidade entre as linhas da defesa suíça. Além de participar da construção das jogadas, apareceu diversas vezes como opção para finalizar e ajudou a aumentar o volume ofensivo argentino.

Outra substituição decisiva foi a entrada de Flaco López. O atacante trouxe presença física na área e participou diretamente do gol da classificação ao encontrar Julián Álvarez na entrada da área com um passe preciso. O camisa 9 dominou e acertou um belo chute no ângulo para recolocar a Argentina em vantagem.

Outro mérito de Scaloni foi manter Julián Álvarez em campo mesmo após as entradas de Flaco López e Lautaro Martínez. Em vez de retirar o centroavante para reforçar o ataque com outras peças, o treinador insistiu na permanência do camisa 9, que respondeu marcando justamente o gol mais importante da partida.

Lautaro Martínez também correspondeu quando foi acionado. Nos minutos finais da prorrogação, aproveitou o rebote de Kobel após finalização de Thiago Almada para marcar o terceiro gol e confirmar a classificação.

As alterações mostram que, mesmo em uma noite de dificuldades coletivas, Scaloni conseguiu encontrar soluções durante o jogo. A leitura da partida foi determinante para transformar um confronto que caminhava para os pênaltis em uma vitória por 3 a 1.

A Argentina segue viva na busca pelo bicampeonato mundial, mas a atuação diante da Suíça deixou um alerta importante. Contra a Inglaterra, será necessário manter intensidade durante toda a partida, reduzir os momentos de apagão e encontrar mais protagonistas ao lado de Messi. Caso contrário, a vaga na final poderá escapar diante do adversário mais forte enfrentado pela seleção argentina até aqui.

(Foto de capa: FIFA)

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Kaique