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Arsenal de Arteta: atacam como os “Invencíveis” e defendem como os campeões de 98!

Para os entendedores de futebol, não há quem não conheça a história do Arsenal nesses últimos anos, um time que simplesmente chega ao topo, com uma postura interessantíssimas, mas vê a gasolina acabar no meio do caminho. A questão é que, desta vez, parece ser diferente. A equipe de Mikel Arteta está jogando um futebol que lembra duas das fases mais lendárias do clube: o poder ofensivo dos Invencíveis de 2004 e a solidez defensiva do Arsenal campeão de 1997-98.

E no caso, ninguém melhor do que Martin Keown, zagueiro histórico de Arsène Wenger, tricampeão inglês e parte daquela retaguarda que transformava a vida dos atacantes adversários num inferno, para falar sobre o assunto. Em entrevista à BBC, o ex-defensor não poupou elogios e, pela primeira vez em muito tempo, há motivo de sobra para tanta empolgação.

Um Arsenal que voltou a ter DNA de campeão

Keown resumiu bem: “O Arsenal de hoje me lembra os times com que conquistei a Premier League. Essa base forte, essa vontade de defender, tinha sumido e agora voltou.”

Os números explicam o entusiasmo dos ex-jogadores e dos torcedores dos Gunners. O Arsenal só perdeu um jogo até o momento, e sofreu menos gols do que qualquer outro time da Premier League. São oito vitórias consecutivas sem ser vazado, um feito que iguala um recorde de 122 anos do clube.

Mais do que os números dos comandados de Arteta, é necessário falar sobre a vontade dos profissionais. O Arsenal atual é fascinado por se defender. Há muito mais disposição, em cada desarme, em cada interceptação, em cada bola dividida. O técnico espanhol com o passar do tempo, tem deixado o seu time com ainda mais a sua cara, visando o fortalecimento da defesa, ideia que ecoa diretamente dos tempos de Wenger, quando o equilíbrio era a marca registrada.

A herança Wenger e o espírito “Invencível”

Nos tempos de Keown, Tony Adams e companhia, o Arsenal venceu tudo depois de ter fortalecido o seu sistema defensivo primeiro, e em seguida, pensado nos próximos passos. E o ex-zagueiro vê a mesma realidade, se repetindo nos últimos anos, tendo um ótimo resultado nos dias atuais.

“Eles atacam como os Invincibles e defendem como o grupo de 97-98. Há uma paixão por defender que estava perdida. O clube ficou anos sem essa alma, mas Arteta devolveu isso”, disse Keown.

Não é bizarro considerar essa comparação viável. O Arsenal de Arteta sofreu apenas três gols em toda a Premier League até agora, enfrentando 19 chutes a menos do que qualquer outro time. É simplesmente absurdo como os Gunners andam se defendendo. Atrás eles são absurdamente sólidos, se encontram como uma das principais equipes na atualidade inclusive, e esse ponto importantíssimo nesta conversa.

Declan Rice, por exemplo, virou o coração da equipe e, nas palavras de Keown, é “o Bryan Robson moderno”: liderança, intensidade e técnica num pacote só. Gabriel Magalhães, firme e vocal, comanda a zaga como um verdadeiro capitão. E novos nomes como Gyökeres, Zubimendi e Calafiori se encaixaram com naturalidade, adicionando caráter e personalidade a um elenco já maduro.

A cultura que voltou a pulsar

Keown, que viveu as glórias e as dores de ser segundo colocado, destacou outro ponto crucial: o poder da frustração. “Esse grupo já bateu na trave três vezes seguidas. E isso cria algo dentro do vestiário. É uma energia que te move, uma raiva boa. Você chega num ponto em que pensa: ‘Nunca mais vamos ser os segundos’.”

Essa mentalidade é o que separa um time bom de um campeão. E o Arsenal parece ter absorvido isso. Além da vontade de finalmente vencer e conquistar, ainda se trata de um elenco competitivo, onde existem múltiplas disputas por posição, seja na lateral-direita, na esquerda, no meio campo, no ataque, e isso acaba colocando na mesa, o melhor possível dos profissionais.

Arteta transformou o elenco em um grupo obcecado por melhorar. O ex-zagueiro resumiu de forma quase poética:

“Você tem que viver isso, respirar isso, comer isso. É um emblema que você carrega. E o Arsenal está nesse ponto de ebulição outra vez.”

Defesa sólida, mas ainda falta o troféu

O Arsenal de 2025 joga bonito, é organizado e dominante, mas Keown faz um alerta: “Você não quer ser o melhor time estatisticamente e ainda assim não ganhar nada.”

Ele lembra 1999, quando o Arsenal sofreu apenas 17 gols, o segundo melhor desempenho defensivo da história da Premier League e, mesmo assim, não foi campeão. “Ser sólido é importante, mas o que faz de você campeão é o que faz com a bola. E esse é o próximo passo para o time de Arteta.”

Em termos táticos, o Arsenal atual tem semelhanças claras com a transição feita por Wenger há mais de 20 anos: laterais que viram meias, meias que se movimentam entrelinhas e zagueiros que participam da construção. Assim como Lauren e Ashley Cole faziam nos anos 2000, hoje Timber e Calafiori atacam com liberdade, mas com equilíbrio defensivo digno da velha escola.

Um time pronto para brigar até o fim

Keown encerra com uma metáfora curiosa, mas certeira: “O campeonato é como um cabo de guerra. Quando você ganha e o rival perde, o cabo vem pro seu lado. Agora o Arsenal está puxando com força, e todos estão sentindo isso.”

E é verdade. O Arsenal de Arteta manda um recado claro à Premier League: está de volta à luta pelo título, com futebol, atitude e identidade. O processo dos Gunners foi doído para o torcedor, porque a reta final sempre foi caótica, quando os adversários cresciam e o time londrino tropeçava. Só que com o passar do tempo, a realidade fica mais interessante, porque a equipe tem se fortalecido muito, e os troféus devem ser iminentes.

Foto: Getty Images