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Arsenal 3 x 0 Manchester City: derrotq deixa alerta para Maresca? Confira

O Arsenal começou a temporada em grande estilo e deu um recado importante ao Manchester City. Em uma atuação dominante no Community Shield, os Gunners venceram por 3 a 0, em Cardiff, com gols de Riccardo Calafiori, Kai Havertz e Martin Odegaard. O resultado levantou uma questão que pode acompanhar a Premier League durante toda a temporada: será que o time de Mikel Arteta realmente está muito à frente do rival?

O técnico do Arsenal, Mikel Arteta, admitiu ter ficado “um pouco surpreso” com a atuação convincente de sua equipe. Em entrevista à TNT Sports, o treinador destacou que a maneira como seus jogadores se apresentaram foi extremamente impressionante. Do outro lado, o novo comandante do Manchester City, Enzo Maresca, não teve motivos para comemorar.

Maresca assumiu o cargo após a saída de Pep Guardiola e começou sua trajetória com uma derrota pesada. Apesar disso, o treinador tentou diminuir a importância do resultado e lembrou que a temporada está apenas começando. “É uma derrota que dói, mas é apenas o começo”, afirmou. A grande dúvida agora é se o placar representa uma tendência para o restante da temporada ou se foi apenas um jogo de pré-temporada em uma competição de menor importância.

Arsenal domina e abre vantagem cedo

A superioridade do Arsenal ficou evidente desde os primeiros segundos. O time abriu o placar com apenas 23 segundos de jogo e aumentou a vantagem aos 23 minutos, aproveitando uma defesa do Manchester City que ficou estática. Logo no início do segundo tempo, aos três minutos, os Gunners marcaram novamente e transformaram a partida em uma goleada por 3 a 0.

O ex-zagueiro do Arsenal Martin Keown classificou a diferença entre as equipes como “realmente impressionante”. Para ele, o Arsenal jogou sem o freio de mão puxado, enquanto o Manchester City parecia sem vida em campo. Keown ainda afirmou que a equipe de Arteta apresentou uma verdadeira declaração de intenções para a nova temporada.

A análise de Ally McCoist, ex-atacante da seleção da Escócia, seguiu a mesma linha. Segundo ele, o Manchester City recebeu uma espécie de “lição” do Arsenal. Apesar de reconhecer que ainda é muito cedo para tirar grandes conclusões, McCoist avaliou que a atuação dos Citizens é preocupante.

Os números também ajudam a explicar o tamanho da superioridade do Arsenal. Os Gunners terminaram a partida com 2,19 gols esperados (xG), contra apenas 0,77 do Manchester City. O indicador mede a probabilidade de uma finalização terminar em gol levando em consideração diferentes características das oportunidades criadas.

City preocupa, mas temporada está começando

Outro detalhe chama atenção: nenhum dos 2,19 de xG do Arsenal veio de bolas paradas. Isso significa que a equipe conseguiu criar suas principais oportunidades a partir de jogadas construídas durante a partida, aumentando ainda mais a impressão de domínio ofensivo.

A vitória também entrou para a história recente do confronto. Foi o maior triunfo do Arsenal sem sofrer gols contra o Manchester City desde agosto de 2014, quando os Gunners também venceram por 3 a 0 no Community Shield. Para o City, por outro lado, foi a derrota mais pesada sem marcar contra uma equipe inglesa desde o revés por 4 a 0 para o Tottenham, em novembro de 2024.

“Jogamos um futebol brilhante. Grande atuação e uma ótima maneira de começar a temporada”, afirmou Martin Odegaard, capitão do Arsenal. O norueguês também destacou que o time mostrou seu nível e está preparado para os desafios que terá pela frente.

A conquista foi especialmente comemorada pelo elenco e pelos torcedores do Arsenal, que levantaram seu segundo troféu em apenas quatro meses. Ainda assim, existe uma questão importante: quanto peso deve ser dado a uma atuação tão dominante em uma competição como o Community Shield?

A história mostra que o torneio não é necessariamente um indicativo do campeão da Premier League. Desde o início da era Premier League, em 1992-93, apenas oito dos 34 vencedores da Charity Shield ou Community Shield conseguiram terminar a temporada também como campeões ingleses.

O último a conseguir esse feito foi justamente o Manchester City, na temporada 2018-19. Antes disso, o Manchester United de Sir Alex Ferguson havia conquistado o título nacional em 2010-11 depois de vencer o Community Shield. O próprio Ferguson, dez vezes campeão do torneio, já descreveu a competição como uma espécie de “degrau” para a temporada que estava por começar.

Arsenal leva vantagem no mercado

Outro ponto que pode ajudar a explicar a diferença apresentada em Cardiff é o trabalho feito pelos dois clubes durante a janela de transferências. O Manchester City começou o mercado de maneira agressiva ao fechar rapidamente a contratação do meio-campista inglês Elliot Anderson por £116 milhões. Porém, até agora, o clube ainda não reforçou o elenco com outras contratações de primeiro nível na mesma proporção.

Além disso, Bernardo Silva e John Stones deixaram o clube sem custos de transferência, enquanto Manuel Akanji, Nathan Ake e James Trafford foram negociados por valores consideráveis. Para completar, Rodri está a caminho do Barcelona, com Enzo Fernández, do Chelsea, sendo apontado como uma possível alternativa.

Rodri está no último ano de seu contrato com o Manchester City e um acordo de £65 milhões foi fechado para sua saída. O espanhol é uma das peças mais importantes do time, o que torna sua ausência um dos principais desafios para Maresca.

O treinador também ainda precisa integrar completamente os jogadores que retornaram recentemente da Copa do Mundo. Erling Haaland e Elliot Anderson fizeram suas primeiras aparições da pré-temporada contra o Arsenal, algo que Maresca certamente usará como argumento para mostrar que o City ainda pode evoluir bastante.

O Arsenal, por sua vez, parece ter chegado mais preparado. O clube negociou apenas jogadores considerados opções secundárias, como Leandro Trossard, Jakub Kiwior e Christian Norgaard, enquanto contratou Bruno Guimaraes e Christos Tzolis. Além disso, Piero Hincapie, que estava emprestado na última temporada, foi adquirido em definitivo.

Arsenal tem elenco mais forte?

Em Cardiff, Bruno Guimaraes mostrou rapidamente que pode se encaixar no meio-campo do Arsenal. O brasileiro atuou na base do setor e apresentou segurança em sua primeira grande oportunidade. Christos Tzolis também chamou atenção, participando diretamente de dois gols com duas assistências.

Mas talvez o principal sinal da força do elenco do Arsenal tenha vindo do banco de reservas. Arteta conseguiu colocar em campo jogadores como Bukayo Saka, Declan Rice e Viktor Gyokeres. A presença de nomes desse nível entre os suplentes mostra a quantidade de opções que o treinador terá ao longo da temporada.

Para Pat Nevin, ex-jogador do Chelsea, Elliot Anderson ainda não parece totalmente adaptado ao Manchester City. O ex-atleta também destacou que o clube terá um grande trabalho pela frente durante esse período de transição.

Nevin acredita que o Manchester City continuará brigando pelas primeiras posições da Premier League, mas vê uma diferença em relação ao Arsenal. Segundo ele, a equipe de Maresca não parece ter o mesmo controle apresentado nos últimos anos sob o comando de Guardiola.

Ainda assim, o cenário pode mudar. O próprio City mostrou em temporadas anteriores que possui capacidade para reagir e disputar títulos mesmo depois de momentos difíceis. Por isso, uma derrota no Community Shield, por mais expressivo que tenha sido o desempenho do Arsenal, não deve ser suficiente para descartar os Citizens da briga.

Quem pode desafiar o Arsenal?

Se o Manchester City realmente estiver em um momento de transição, surge outra pergunta: quem pode impedir o Arsenal de conquistar seu 15º título inglês? A resposta não é simples, principalmente porque os principais concorrentes dos Gunners também vivem períodos de mudanças.

Entre os chamados “Big Six”, o Arsenal é o único que inicia a nova temporada com o mesmo treinador que começou a campanha de 2025-26. Essa continuidade pode representar uma vantagem importante para Arteta.

Enquanto Maresca assumiu o Manchester City, Liverpool e Chelsea também começaram a temporada com novos comandantes. Andoni Iraola chegou ao Liverpool e Xabi Alonso assumiu o Chelsea. Manchester United e Tottenham também passaram por mudanças recentes, com Michael Carrick e Roberto de Zerbi tendo assumido seus respectivos cargos ainda durante a temporada passada.

Nesse cenário, a estabilidade do Arsenal pode pesar bastante. A equipe de Arteta tem um projeto consolidado e vem evoluindo temporada após temporada. Não se trata de um trabalho construído em poucos meses, mas de um processo que já dura anos.

A Opta, empresa especializada em análise de dados esportivos, coloca o Arsenal como favorito ao título da Premier League, atribuindo ao time de Arteta 38% de chances de levantar o troféu. Se conseguir confirmar esse favoritismo, o clube conquistará seu primeiro bicampeonato inglês desde 1934-35.

Arsenal pode construir uma nova era?

Para Pat Nevin, o momento atual do Arsenal é resultado de um processo muito mais longo do que os últimos seis meses. O ex-jogador considera que o clube vem construindo sua equipe há cerca de seis anos e consegue melhorar a cada temporada.

O grande desafio agora é transformar essa evolução em uma sequência de títulos. O Arsenal voltou a competir no topo da Premier League e parece ter um elenco capaz de disputar diferentes competições, mas ainda precisa confirmar essa força com troféus importantes.

A vitória sobre o Manchester City certamente aumenta a confiança dos Gunners. Ao mesmo tempo, o resultado também serve como alerta para Maresca, que terá a missão de reconstruir uma equipe acostumada a dominar o futebol inglês sob o comando de Guardiola.

Por isso, ainda é cedo para afirmar que o Arsenal está definitivamente muito à frente do Manchester City. O Community Shield não determina quem será campeão da Premier League. No entanto, a atuação em Cardiff mostrou que o time de Arteta está preparado para começar a temporada em alto nível e possui profundidade, entrosamento e confiança para brigar novamente pelo título.

Para o Manchester City, a derrota representa um começo preocupante, mas não necessariamente o retrato definitivo da temporada. Maresca ainda terá tempo para ajustar sua equipe, integrar novos jogadores e encontrar uma nova identidade. O que já ficou claro, porém, é que o Arsenal chega à nova temporada com motivos de sobra para acreditar que pode dar mais um passo rumo ao topo.

Foto: Getty Images