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Arsenal vive momento mais dominante da europa?

O Arsenal pode até ouvir Mikel Arteta repetir que o Bayern é “o melhor time da Europa”, mas depois do que os ingleses fizeram em Londres, fica difícil não enxergar uma mudança de cenário. A vitória não foi só convincente — foi daquelas que fazem um clube se olhar no espelho e pensar: “ok, dá pra ir longe”.

O time vive uma temporada praticamente impecável. São 16 vitórias, dois empates e uma única derrota somando todas as competições. Um nível de consistência que não é exatamente comum na Premier League e muito menos na Champions League, onde os detalhes costumam engolir times que vacilam. Só que o Arsenal não tem vacilado.

E o mais impressionante: os Gunners venceram suas cinco primeiras partidas da Champions pela primeira vez desde 2005-06, a temporada em que chegaram à única final continental. De quebra, acabaram com um jejum de cinco jogos sem vencer o Bayern e ainda mantiveram o único 100% da Champions até agora.

O Arsenal não oscila como antes

Ex-jogador Matt Upson resumiu bem: o Arsenal atual é “7/10 o tempo todo”, com momentos em que vira “9/10”. Ou seja, mesmo nos dias em que o time não está voando, nunca cai para aquele nível perigoso que já foi a marca de temporadas passadas. Antes existia aquele alto e baixo constante — um jogo brilhante seguido de uma queda brusca. Agora, não.

Existe confiança, existe controle emocional e existe uma base tática que faz o time funcionar mesmo sem estar no seu melhor. Isso ficou evidente contra o Bayern, que até então não tinha perdido na temporada e vinha de três derrotas em 52 jogos de fase de grupos de Champions. O Arsenal não só competiu, como dominou.

Arteta sabe disso, mas também sabe que não dá pra entrar em euforia. Ele elogiou a atuação individual e coletiva, chamou o Bayern de “melhor da Europa” e já tratou de baixar a poeira: jantar, descanso e preparação para o Chelsea. O discurso é de pés no chão — e isso tem total relação com o momento maduro que o time vive.

Rice e a sensação de que algo mudou

Declan Rice, eleito o melhor da partida, falou o óbvio que parecia impossível até pouco tempo: enfrentar o Bayern, hoje, era o maior teste tático da temporada. E o Arsenal passou com nota alta. No segundo tempo, os ingleses foram agressivos, encararam o Bayern homem a homem e mostraram personalidade de time pronto pra coisa grande.

Rice também destacou algo que salta aos olhos: existem muitos líderes no elenco. Um time que, diferentemente da última temporada, não parece se abalar com pressão. O foco é jogo a jogo, a fome é constante e a sensação é de que o Arsenal finalmente entendeu o que precisa para disputar títulos de verdade.

Há ainda um caminho longo pela frente, claro. Champions League não perdoa deslizes e o nível só aumenta na fase mata-mata. Mas o que o Arsenal vem apresentando não é uma sequência aleatória de jogos bons — é padrão, é repetição, é solidez.

Arsenal Rice
Foto: Reuters

Arsenal forte até com desfalques

Outro ponto que reforça essa sensação de força: mesmo sem Gyokeres, Gabriel Jesus e Kai Havertz, Arteta conseguiu respostas imediatas do banco. Noni Madueke marcou seu primeiro gol pelo clube, Martinelli saiu do banco e deixou sua marca pela quarta vez consecutiva na Champions. Isso mostra que não é só o time titular que entrega — o elenco inteiro está alinhado.

E isso não acontece por acaso. Arteta ganhou oito reforços na última janela e, aos poucos, foi encaixando tudo, mesmo enfrentando sequência de lesões. Agora, com Odegaard de volta e Gyokeres e Havertz cada vez mais próximos do retorno, a sensação é de que o Arsenal pode ficar ainda mais completo.

Madueke resumiu bem o clima interno: “não gosto que me digam que eu não posso fazer algo”. É o tipo de personalidade que o Arsenal não tinha em abundância há uns anos e agora começa a aparecer em várias peças do elenco.

O banco empurra a disputa por posições

Matt Upson destacou outra mudança importante: todo mundo quer brigar pela titularidade sem criar problemas no vestiário. Jogadores entram, entregam, pressionam os titulares e elevam o nível geral. Arteta conseguiu formar um grupo que compete internamente sem perder o foco coletivo — algo extremamente difícil num clube grande.

E isso é um dos maiores motivos pelos quais o Arsenal está tão alto. O time não depende de uma única estrela, de um único criador ou de um único momento de brilho. É uma engrenagem funcionando com naturalidade, onde quem entra corresponde e mantém o padrão.

O objetivo está claro: disputar a Premier League até o fim e ir o mais longe possível na Champions. Não tem euforia, mas tem convicção. E sinceramente? Com a bola que estão jogando, não dá pra descartar a ideia de que o Arsenal pode, sim, ser o time mais consistente da Europa neste momento.

Se é o mais forte, só o tempo vai dizer. Mas que está jogando como candidato sério, isso ninguém questiona mais.