Arsenal, Arteta
Futebol Premier League

Arsenal tem quatro mudanças para fazer após lesões, e Arteta precisa encontrar novas soluções

Arsenal precisa responder depois de uma derrota que expôs suas fragilidades

O Arsenal iniciou a temporada com a confiança de quem pretendia confirmar seu lugar entre os principais candidatos ao título inglês. As primeiras rodadas reforçaram essa expectativa, mas a derrota contundente para o Brighton mudou o ambiente ao redor da equipe de Mikel Arteta. Além de interromper a sequência positiva, o resultado levantou dúvidas sobre a capacidade dos Gunners de manter o nível competitivo diante dos adversários mais exigentes.

A pausa para os compromissos internacionais na Data Fifa ofereceu tempo para o treinador analisar os problemas apresentados naquela partida, mas também trouxe novas preocupações. Lesões e questões físicas atingiram jogadores importantes, obrigando Arteta a reconsiderar a escalação para o confronto com o Leeds, no Emirates Stadium.

O desafio não se resume a substituir jogadores indisponíveis. O Arsenal precisa recuperar a consistência defensiva, encontrar alternativas para o setor ofensivo e evitar que a necessidade de mudanças comprometa o funcionamento coletivo. A profundidade do elenco será colocada à prova justamente quando a equipe precisa demonstrar que a derrota para o Brighton foi um tropeço, e não o início de uma queda de rendimento.

Gyökeres ganha espaço, mas o ataque precisa encontrar equilíbrio

A ausência de Kai Havertz é uma das perdas mais relevantes para Arteta. O alemão sofreu uma lesão muscular na coxa durante o período com a seleção e deve ficar afastado por algumas semanas. Embora a evolução após os exames tenha sido considerada positiva, o atacante não deve estar disponível para o duelo com o Leeds.

Nesse cenário, Viktor Gyökeres aparece como a alternativa mais natural para ocupar a referência ofensiva. O sueco teve participação limitada no Arsenal antes da pausa, acumulando apenas 207 minutos em todas as competições, mas aproveitou os compromissos internacionais para recuperar ritmo e confiança. Foram quatro gols em quatro partidas pela seleção, desempenho que aumenta a expectativa sobre sua participação no retorno da Premier League.

O desafio será transportar essa produção para o contexto inglês. O Leeds tem apresentado uma defesa competitiva e sofreu apenas três gols nas primeiras cinco rodadas. Para Gyökeres, isso significa enfrentar uma linha defensiva que tende a exigir movimentação constante, força nos duelos e precisão nas poucas oportunidades concedidas.

Arteta também precisará encontrar a melhor maneira de aproximar os jogadores de criação do centroavante. Se Gyökeres ficar isolado entre os zagueiros, o Arsenal poderá repetir dificuldades de partidas anteriores. A ausência de Havertz exige uma mudança de peças, mas a resposta precisa envolver o comportamento de todo o ataque.

Lado esquerdo vira preocupação com a ausência de Tzolis

Christos Tzolis também sofreu uma lesão na coxa enquanto defendia a seleção grega e deve ficar fora por algumas semanas. A expectativa é de que o jogador possa retornar antes do fim de outubro, mas sua ausência reduz as alternativas de Arteta para o lado esquerdo do ataque.

A situação é particularmente delicada porque o Arsenal já não conta com Gabriel Martinelli, que deixou o clube para atuar na Arábia Saudita. Com menos opções específicas para o setor, o treinador terá de adaptar jogadores ou mudar a distribuição das funções ofensivas.

Eberechi Eze foi utilizado pela esquerda desde sua chegada, mas ainda não conseguiu apresentar o impacto esperado nessa função. O inglês oferece qualidade técnica e capacidade de encontrar espaços entre as linhas, porém sua melhor contribuição costuma aparecer quando tem liberdade para atuar por dentro, e não necessariamente quando precisa manter amplitude e atacar a linha de fundo.

Noni Madueke surge como outra possibilidade. Embora esteja mais habituado a jogar pela direita, o atacante pode oferecer velocidade e capacidade de condução em transições, características úteis para atacar os espaços deixados pelo adversário. A mudança, contudo, exigiria ajustes no restante do setor para que o Arsenal não perdesse equilíbrio.

A decisão de Arteta dependerá, portanto, do tipo de jogo que pretende construir. Eze pode favorecer a circulação e a criação por dentro, enquanto Madueke oferece uma ameaça mais direta. Nenhuma opção reproduz exatamente as características de Tzolis, mas a equipe precisa encontrar uma combinação que mantenha o ataque imprevisível.

Mosquera pode ganhar nova oportunidade na defesa

A situação defensiva também exige atenção. William Saliba está fora devido a um problema nas costas e, conforme as informações reunidas pela Sports Illustrated, não deve retornar antes de dezembro. A ausência do francês representa uma perda importante para uma equipe que depende da capacidade dos zagueiros de defender grandes espaços e iniciar a construção desde trás.

Cristhian Mosquera, por outro lado, está recuperado de uma lesão muscular sofrida em agosto e pode voltar a ficar à disposição. O espanhol aparece como alternativa para formar dupla com Gabriel Magalhães caso Ezri Konsa não esteja em condições de atuar.

Konsa deixou a concentração da Seleção Inglesa depois de sofrer uma pancada na coxa. O problema não é considerado grave, e sua presença contra o Leeds ainda depende da evolução física. Por isso, Arteta precisa preparar uma alternativa sem esperar até o último momento para definir a defesa.

Mosquera tem a oportunidade de mostrar que pode contribuir em um momento de necessidade. Sua entrada, porém, exigiria atenção especial à comunicação com Gabriel e à proteção dos espaços nas costas da linha defensiva. Sem Saliba, o Arsenal perde uma referência importante de posicionamento e cobertura, o que torna a organização coletiva ainda mais necessária.

Ben White também pode ajudar a administrar a carga de minutos na lateral direita. O inglês sofreu um problema na virilha diante do Sunderland, mas voltou a treinar e é apontado como disponível. Jurriën Timber continua tendo seus minutos controlados após passar por uma cirurgia na mesma região durante o verão europeu, de modo que Arteta precisará equilibrar a utilização dos dois laterais.

Rice e Saka oferecem alívio em meio aos desfalques

Nem todas as notícias do período internacional foram negativas para o Arsenal. Declan Rice, que deixou a concentração da Inglaterra por causa de dores na região posterior da coxa e de um plano de controle de carga física, é esperado para o confronto com o Leeds.

A situação do meio-campista exige cuidado. Rice disputou uma temporada extensa e acumulou muitos minutos entre clube e seleção, por isso o Arsenal pretende administrar sua utilização para evitar que o desconforto se transforme em um problema mais sério.

Sua presença ao lado de Bruno Guimarães seria importante para manter o equilíbrio entre recuperação de bola, progressão e proteção da defesa. Com a equipe obrigada a modificar outras posições, a continuidade da dupla no meio-campo pode ajudar a preservar uma estrutura conhecida.

Bukayo Saka também atravessou a pausa sem sofrer uma nova lesão, embora ainda esteja buscando ritmo ideal neste começo de temporada. Sua presença oferece uma referência ofensiva que o Arsenal não pode perder, sobretudo diante das dificuldades para encontrar uma solução definitiva pelo lado esquerdo.

Max Dowman, por sua vez, sofreu uma lesão de contato durante os compromissos da Seleção Inglesa sub-19, mas o problema não deve impedi-lo de estar disponível. O jovem recebeu um cartão vermelho em uma vitória da Inglaterra sobre os Estados Unidos e não participou do compromisso seguinte contra a Bélgica. Apesar do episódio, a lesão não é considerada grave.

As quatro mudanças podem definir a resposta de Arteta

Diante desse cenário, a escalação projetada para enfrentar o Leeds aponta quatro alterações em relação à equipe que perdeu para o Brighton. Gyökeres deve assumir a vaga de Havertz no comando do ataque, enquanto a ausência de Tzolis abre espaço para uma adaptação pela esquerda. Na defesa, Mosquera pode entrar caso Konsa não esteja recuperado, e White surge como alternativa para dividir os minutos com Timber na lateral direita.

As mudanças não significam necessariamente uma reformulação do sistema. Arteta ainda tem jogadores capazes de preservar a estrutura tática, mas precisará encontrar combinações que reduzam os efeitos das ausências e devolvam confiança ao time.

O principal teste estará na capacidade de o Arsenal transformar a necessidade em uma oportunidade para outras peças. Gyökeres precisa mostrar que pode ser uma referência constante na área; Eze ou Madueke terão de oferecer uma resposta pela esquerda; e Mosquera pode ganhar importância se a condição de Konsa impedir sua escalação.

O Leeds chega como um adversário que tem defendido bem e concedido poucas oportunidades claras. Por isso, não bastará ao Arsenal trocar nomes e esperar uma reação automática. Será necessário melhorar a circulação, aproximar os jogadores do ataque e manter a concentração defensiva durante os 90 minutos.

A pausa internacional trouxe problemas que Arteta não poderia controlar, mas a resposta dentro de campo dependerá das decisões que tomar agora. O elenco tem alternativas, embora algumas delas ainda precisem provar que podem assumir responsabilidades maiores.

Depois da derrota para o Brighton, o Arsenal precisa demonstrar que continua preparado para disputar a parte mais alta da Premier League. As quatro mudanças podem ser necessárias por causa das lesões, mas o resultado dependerá de algo mais importante: a capacidade de Arteta fazer as novas peças funcionarem como parte de uma equipe, e não como substituições isoladas.

Foto: Getty Images