Novak Djokovic
Tenis

Associação criada por Novak Djokovic processa ATP/WTA; Alcaraz e Sabelenka pegos de surpresa

Na última terça-feira (18), o mundo do tênis foi surpreendido com uma ação judicial movida pela Associação de Tenistas Profissionais (PTPA). Criada por Novak Djokovic, seu nome não está incluído na ação coletiva. Segundo o The Athletic, o sérvio decidiu por não colocar seu nome para focar em uma atitude dos jogadores unidos.

Mas 12 outros tenistas aderiram às ações, que foram apresentadas em tribunais dos Estados Unidos e Inglaterra. Os jogadores que assinaram são: Vasek Pospisil, Nick Kyrgios, Anastasia Rodionova, Nicole Melichar-Martinez, Saisai Zheng, Sorana Cirstea, John-Patrick Smith, Noah Rubin, Aldila Sutjiadi, Varvara Gracheva, Tennys Sandgren e Reilly Opelka.

A falta de nomes de peso do esporte, como a do próprio Novak Djokovic, causa dúvida nos fãs de tênis. Não só isso, mas muitos afirmam que não jogadores de ‘credibilidade’ envolvidos na ação. Co-fundador da PTPA, Pospisil afirmou que “nós falamos com mais de 300 jogadores antes de entrar com o processo e todos deram muito apoio. Incluindo os melhores jogadores.”

Em nenhum momento, contudo, citou quais jogadores. E, para piorar, alguns já começam a manifestar que não tinham conhecimento da ação.

Ação contra ATP e WTA

O motivo principal da ação é que a PTPA afirma que os jogadores são mantidos presos em um sistema corrupto, ilegal e abusivo. E pedem mudanças na estrutura do esporte mundial, com as acusações sendo diretas para os órgãos que organização as competições:

  • Associação dos Tenistas Profissionais (ATP);
  • Associação de Tênis Feminino (WTA);
  • Federação Internacional de Tênis (ITF);
  • Agência Internacional de Integridade do Tênis (ITIA);

Em nota, a PTPA cobrou por direitos dos atletas, citando o longo calendário, os grandes deslocamentos entre um torneio e outro:

“A temporada profissional de tênis se estende por 11 meses do ano, deixando pouco ou nenhum espaço para os jogadores descansarem e se recuperarem. O cronograma insustentável exige que os jogadores viajem com seu próprio dinheiro e cuidem de sua própria logística para participar de dezenas de torneios em seis continentes. Passar tempo com a família ou se recuperar de lesões exige abrir mão de oportunidades de ganhar a vida e ganhar pontos de classificação cobiçados.”

O pedido principal da ação é por melhores condições para a prática do esporte. É citado casos de partidas que terminaram durante a madrugada ou temperaturas extremas. Ao falar do assunto, também é argumentado que essas situações causam lesões.

No processo, alguns casos considerados ‘desumanos’ e que causaram polêmica foram citados. Como, por exemplo, o caso de Arthur Cazaux, que desmaio em jogo do quali do Miami Open 2024. Entre essas reclamações, algumas frases de jogadores são mencionadas, reclamando do calendário, dos horários ou das condições dos confrontos.

No entanto, como no caso de Carlos Alcaraz, nem todos esses atletas assinaram o processo.

Tenistas pegos de surpresa

Carlos Alcaraz em Indian Wells 2025
Alcaraz afirma que não sabia do processo. Foto: AFP

Apesar da garantia de Pospisil, muitos ainda questionam sobre quem sabia do processo. Carlos Alcaraz foi questionado sobre o assunto e afirmou que não apoia a ação. Em sua justificativa, disse que não foi consultado pela PTPA, apesar de uma situação sua ser citada no processo.

Uma crítica do espanhol, feita em coletiva no passado, foi incluída no texto, como argumento das condições ruins no esporte. Alcaraz, antes de entrar em quadra no Miami Open, disse que só soube disso através das redes sociais:

“Foi surpreendente para mim, porque ninguém me contou sobre isso. Há coisas com as quais concordo e há outras com as quais não concordo. O principal é que não apoio o que foi feito. Ontem vi nas redes sociais que colocaram algo que eu disse em uma entrevista coletiva nos documentos e eu não estava ciente disso. Sinceramente, não apoio essa carta, porque eu não estava ciente disso.”

Aryna Sabalenka não é citada no processo, mas, como a número 1 do ranking da WTA, também foi perguntada. Após vitória contra Viktoriya Tomova, em Miami Open, a bielorrussa também afirmou que não tinha conhecido da ação, mas que apoia o aumento nos ganhos:

“Sinceramente, não tive muito tempo para procurar informação porque quero estar concentrada no meu tênis, não queria incomodar-me com a situação (durante um torneio). Algo que gostaria de ver é que talvez não só as jogadoras, mas todos os atletas recebam mais porcentagem do dinheiro que os torneios fazem, especialmente nos Grand Slams. Acho que é justo. Se olharmos para outros esportes, a porcentagem funciona de maneira um pouco diferente, então é o único desejo que tenho.”

As respostas dos tenistas surpreendem, já que ambos fazem parte da lista de melhores tenistas da atualidade. E a ausência desses nomes no processo tem feito com que a causa perca força e receba menos apoio dos fãs de tênis.

Ausência de Novak Djokovic questionada

Novak Djokovic of Serbia at practice at the Miami Open held at the Hard Rock Stadium on March 20, 2025 in Miami Gardens, Florida (Photo by Peter Staples/ATP Tour)
Novak Djokovic não faz parte do processo. Foto: Peter Staples/ATP Tour

Novak Djokovic criou e lidera a PTPA, mas não incluiu seu nome no processo. The Athletic incluiu uma justificativa em sua publicação:

“De acordo com as pessoas conversadas sobre o litígio – que falaram na condição de anonimidade para proteger relações – Djokovic debateu colocar seu nome no processo. Ele se recusou, eles disseram, para focar a ação nos jogadores de tênis como um coletivo e não apenas como uma batalha direta entre o melhor jogador de tênis da era moderna e as organizações que controlam o esporte.”

Nesta quinta-feira (20), o sérvio falou da ação: “no geral, eu sinto que não preciso assinar porque eu quero que outros jogadores tomem a frente. Eu tenho sido muito ativo na política do tênis.” Além disso, afirmou que há coisas “com a qual não concorda”.

Mesmo assim, Novak Djokovic tem sido questionado, já que acrescentaria grande força para o processo. Além disso, do comitê executivo da PTPA, composto por oito tenistas, segundo o site, apenas dois colocaram seu nome: Vasek Pospisil e Zheng Saisai.

Djkovic, Hubert Hurkacz, Ons Jabeur, Bethanie Mattek-Sands, Diego Schwartzman e Taylor Townsend foram os atletas que não assinaram o documento. Esse fato também causa estranheza entre os que acompanham o esporte, enfraquecendo ainda mais a causa.

Foto: AP Photo/Lynne Sladky