Unai Emery, Aston Villa. Foto: Yu Chun Christopher Wong/Eurasia Sport Images/Getty Images.
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Aston Villa perde protagonistas e ganha novos desafios para a final da Supercopa; confira

Quando o Aston Villa conquistou a Europa League em Istambul, em maio deste ano, o título foi tratado como o primeiro troféu europeu do clube em 44 anos. A afirmação fazia sentido, principalmente porque a última grande conquista continental havia sido a Champions League (na época denominada “Copa dos Campeões Europeus”) de 1982. Havia, porém, uma ressalva: a Supercopa da Europa daquele mesmo ano só foi disputada em janeiro de 1983.

Na ocasião, o time comandado por Tony Barton mostrou que a capacidade de surpreender a aristocracia europeia não havia terminado na vitória sobre o Bayern. O Villa também passou pelo Barcelona, com uma goleada por 3 a 0 no Villa Park.

Mais de quatro décadas depois, o clube volta a disputar a Supercopa da Europa. Desta vez, porém, o cenário é bastante diferente. O Aston Villa chega ao confronto com o Paris Saint-Germain depois de uma janela de transferências marcada por saídas importantes e mudanças significativas no elenco de Unai Emery.

Aston Villa diferente do campeão da Europa League

Unai Emery, Aston Villa. Foto: Reprodução/Aston Villa FC
Unai Emery, Aston Villa. Foto: Reprodução/Aston Villa FC

 

A equipe que levantou o troféu em Istambul perdeu algumas de suas principais peças. Youri Tielemans, autor do gol de abertura na goleada sobre o Freiburg na final da Europa League, deixou o clube rumo ao Manchester United, que pagou sua cláusula de rescisão de 35 milhões de libras.

Morgan Rogers, eleito o melhor jogador da competição e autor do terceiro gol naquela decisão, também não está mais em Birmingham. O atacante foi contratado pelo Chelsea por 117 milhões de libras, tornando-se a transferência mais cara envolvendo um jogador britânico.

John McGinn, capitão do Villa na conquista europeia, segue no clube, mas é dúvida para a Supercopa. Entre outros nomes que participaram da decisão, Jadon Sancho e Douglas Luiz retornaram aos seus clubes após períodos de empréstimo, enquanto Amadou Onana está lesionado.

A lista de mudanças não para por aí. Lucas Digne trocou o Aston Villa justamente pelo PSG, adversário da Supercopa, enquanto Johan Manzambi, que defendia o Freiburg na final da Europa League, fez o caminho inverso e foi contratado pelo clube inglês. O jovem, entretanto, também está lesionado e não poderá fazer sua estreia.

O cenário ilustra um dos principais desafios de Emery para a nova temporada: manter competitivo um time que passou por uma profunda reformulação.

Emery precisa reconstruir o meio-campo

As mudanças são especialmente perceptíveis no meio-campo. McGinn, Manzambi e Onana poderiam formar uma nova estrutura para o setor, mas as lesões dificultam a montagem do time.

O Aston Villa já se movimentou no mercado para tentar compensar as perdas. João Gomes chegou do Wolverhampton, enquanto João Palhinha aparece como um dos alvos do clube. Boubacar Kamara, que estava afastado desde janeiro, também voltou a ficar à disposição e pode ganhar espaço na disputa por uma vaga.

A reformulação não é apenas uma questão esportiva. O Aston Villa continua precisando equilibrar suas contas e recebeu uma multa de 22,5 milhões de euros da Uefa por violar as regras de controle de custos do elenco — embora dois terços do valor estejam suspensos.

A venda de Rogers ao Chelsea, por outro lado, representa um importante alívio financeiro. No campo, entretanto, a saída do atacante deixa uma pergunta mais difícil de responder: quem será capaz de preencher o espaço deixado pelo principal jogador do Villa na última temporada?

Garnacho chega com a missão de substituir Rogers

Garnacho emprestado ao Aston Villa
Foto: Divulgação/Aston Villa

 

Alejandro Garnacho aparece como a principal resposta de Emery. O argentino chega ao Aston Villa depois de perder espaço no Manchester United e se encaixa em um perfil que o treinador espanhol conhece bem: jogadores talentosos, ainda em busca de recuperar o protagonismo no mais alto nível.

Foi justamente essa estratégia que ajudou Emery a transformar Rogers em uma das grandes revelações de sua passagem pelo clube. O atacante chegou do Middlesbrough e, em pouco tempo, tornou-se peça fundamental do sistema ofensivo.

Garnacho, por sua vez, chega com uma experiência maior no futebol de elite, mas também com a necessidade de provar que pode assumir um papel central em um novo projeto.

Não será uma substituição simples. Rogers foi uma das principais fontes de criação e desequilíbrio do Villa, e sua saída muda a dinâmica do ataque.

O reencontro com o PSG, inclusive, traz uma lembrança recente de como essa equipe era capaz de competir em alto nível.

PSG conhece a força do Villa

Aston Villa x PSG, Champions League 2024/2025. Foto: Paul Ellis/AFP.
Aston Villa x PSG, Champions League 2024/2025. Foto: Paul Ellis/AFP.

 

Na temporada 2024/2025 da Champions League, Aston Villa e PSG protagonizaram um confronto de alta intensidade. O time inglês venceu por 3 a 2 no Villa Park, depois de uma reação que colocou o PSG sob enorme pressão, mas acabou eliminado no placar agregado.

John McGinn e Tielemans foram protagonistas daquela reação, enquanto Marcus Rashford, emprestado pelo Manchester United, também teve participação importante.

Para o PSG, portanto, o adversário da Supercopa não é exatamente desconhecido. O time francês já sentiu na pele a capacidade do Villa de transformar o ambiente do Villa Park e pressionar mesmo uma equipe acostumada às grandes noites europeias.

Há ainda uma coincidência envolvendo Emery

Unai Emery, Aston Villa. Foto: Reprodução/Getty Images
Unai Emery, Aston Villa. Foto: Reprodução/Getty Images

 

O treinador espanhol conhece bem o PSG. Sua passagem pelo clube francês terminou após uma eliminação histórica para o Barcelona, com o famoso 6 a 1 no Camp Nou, em uma remontada que marcou sua trajetória em Paris.

Desde então, Emery construiu boa parte de sua reputação internacional justamente em competições europeias. Foram três títulos da Liga Europa com o Sevilla, além de campanhas relevantes na UCL com Villarreal e Aston Villa.

A Supercopa, porém, continua sendo uma pendência em sua carreira: o treinador já disputou a decisão em três oportunidades e perdeu todas.

Em 2014, seu Sevilla foi derrotado por 2 a 0 pelo Real Madrid. No ano seguinte, caiu diante do Barcelona de Luis Enrique por 5 a 4 após a prorrogação. Em 2021, no comando do Villarreal, ele perdeu para o Chelsea nos pênaltis.

Agora, Emery terá mais uma oportunidade de conquistar o troféu que ainda falta em sua coleção europeia.

O desafio, entretanto, não será simples. O PSG também chega ao confronto depois de uma temporada intensa, com muitos de seus principais jogadores envolvidos na Copa do Mundo de Clubes.

Na última Supercopa, disputada neste mesmo período do ano passado, o clube francês precisou dos pênaltis para superar o Tottenham. O cenário mostrou que nem mesmo uma equipe acostumada a disputar decisões continentais chega necessariamente em seu melhor momento físico no início da temporada.

Um ano depois, a situação se repete em alguns aspectos

A Supercopa coloca frente a frente dois times que ainda estão em processo de reconstrução e ajuste. O PSG tenta manter a força que o levou aos grandes títulos europeus, enquanto o Aston Villa precisa provar que pode continuar competitivo mesmo depois de perder algumas das peças que fizeram a diferença na temporada anterior.

Para Emery, a partida representa mais do que a chance de conquistar um novo troféu. É também o primeiro grande teste para descobrir se o Aston Villa conseguirá transformar tantas mudanças em uma nova versão competitiva de si mesmo.

Afinal, se o título da Europa League mostrou que o clube voltou a ocupar um espaço relevante no futebol europeu, a Supercopa será a primeira oportunidade de provar que aquela conquista não foi um ponto fora da curva.

Créditos da foto de capa: Yu Chun Christopher Wong/Eurasia Sport Images/Getty Images